Presidente da Anvisa defende ciência e diz discordar de Bolsonaro durante depoimento na CPI da Pandemia

Antônio Barra Torres afirma não concordar com a conduta do presidente quanto à desvalorização das medidas de distanciamento social e ao uso da cloroquina. Ele reforçou a importância da vacinação

Antônio Barra Torres presta depoimento na CPI da Covid. | Foto: Sérgio Lima.

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, em depoimento nesta terça, 11, à CPI da Covid-19, disse que, apesar da proximidade com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), diverge do mesmo em muitos pontos e é defensor da ciência, da vacinação e do isolamento social no combate à pandemia. Ele afirmou ser contra a chamada imunização de rebanho e contra qualquer tipo de aglomeração. “Apesar da amizade entre eu o presidente, a conduta do presidente difere da minha”, disse.

Ele também ressaltou que, ao contrário da opinião que foi manifestada pelo presidente da República, em alguns momentos, a política de vacinação é essencial. “Temos sim que nos vacinar. Discordar de vacinas não é algo razoável e a população não deve se orientar por isso.” Sobre a quebra de patente das vacinas disse que esta só deve ser praticada mediante a existência das condições necessárias para produção do imunizante em questão, pelos países que desejam a quebra das patentes.

Sobre o uso da Hidroxicloroquina foi enfático ao dizer da falta de comprovação da eficácia do medicamento contra a Covid-19 e chegou a dizer que, mesmo diante das evidências, o Governo Federal tinha planos para alterar a bula do medicamento.

Arrependimento

Ainda no início da pandemia, o presidente da Anvisa participou de ato a favor do governo de Jair Bolsonaro em que apareceu sem máscara. Durante o depoimento ele disse estar arrependido da atitude. “Hoje vejo que se pensasse mais cinco minutos não teria feito. Depois disso, nunca mais houve esse comportamento meu”, garantiu. Ele ressaltou que a Anvisa é um órgão técnico formado por servidores de carreira e que mesmo os diretores nomeados por indicação política não podem exercer pressão sobre esses funcionários públicos.

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