Prefeito Marcus Vinicius, de Valparaíso, diz que “Marconi foi um governador que viveu na promessa”
28 setembro 2026 às 16h45

COMPARTILHAR
Prefeito de Valparaíso de Goiás, uma das dez cidades mais populosas do Estado, Marcus Vinicius foi eleito em 2024 com 61% dos votos válidos, o equivalente a mais de 40,2 mil votos. A campanha vitoriosa contou com o apoio do ex-prefeito Pábio Mossoró, que agora concorre a uma vaga de deputado estadual.
A eleição do aliado, inclusive, é apontada por Marcus Vinicius, em entrevista ao Jornal Opção, como um de seus principais objetivos políticos. “Com a eleição de Pábio, teremos mais condições de resolver os problemas crônicos da cidade e enfrentar os desafios que o município apresenta”, afirma.
À frente de uma das maiores cidades do Entorno do Distrito Federal, Marcus Vinicius também destaca avanços registrados na região nos últimos anos, que atribui às gestões de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela. Segundo ele, o atual governador deu continuidade ao trabalho iniciado pelo antecessor. Entre as áreas que mais avançaram, o prefeito destaca a segurança pública.
Marcus Vinicius também faz críticas ao ex-governador e atual candidato ao Palácio das Esmeraldas, Marconi Perillo (PSDB), a quem define como um político “que viveu na promessa”. Como exemplo, cita um hospital de Valparaíso, que chegou a ser anunciado, mas nunca saiu do papel.
“O governador Caiado fez de maneira diferente, e fico feliz em ver que Daniel tem seguido essa mesma linha, dando continuidade ao trabalho de descentralização da saúde promovido pelo governo estadual”, afirma.
Ton Paulo – Prefeitos do Entorno celebram o que chamam de avanços na segurança pública na gestão Caiado e, agora, na gestão de Daniel Vilela. Houve realmente essa melhora na segurança pública?
Sem dúvida nenhuma. Isso pode ser constatado não apenas pelos dados e pelo mapa da criminalidade na região, mas também pela sensação de segurança dos moradores. Isso é evidente.
Em 2011, Valparaíso ficou nacionalmente conhecida por causa dos dados de violência, principalmente em relação aos homicídios. O município figurava entre as cidades mais perigosas e violentas do mundo. Havia, inclusive, um outdoor enorme na entrada da cidade.
Lembro que, quando instalaram esse outdoor, estávamos nos aproximando do período do Natal. Entre novembro e dezembro de 2012, chegamos a registrar 32 homicídios em um intervalo de 30 dias.
Foi praticamente um homicídio por dia. Em 30 dias, entre novembro e dezembro, tivemos uma série histórica que poucas cidades, talvez até em situação de guerra, apresentam.

Era um cenário de guerra. Hoje, por exemplo, Valparaíso já está no segundo semestre e registrou quatro homicídios, todos com autoria definida e três com os autores presos. Isso é representativo.
Isso se deve a um investimento robusto do governo em segurança pública. É possível perceber que não houve apenas uma mudança estrutural na Polícia Militar e na Polícia Civil, mas também uma postura diferente dos policiais, no sentido de promover efetivamente a segurança pública na região. É claro que esse processo foi conduzido pela liderança do ex-governador Ronaldo Caiado e, agora, tem continuidade com o governador Daniel Vilela.
Também tivemos uma reestruturação da Polícia. Para se ter uma ideia, Valparaíso passou 16 anos sem que um major fosse promovido a tenente-coronel. Essa era uma realidade de Valparaíso e da região do Entorno como um todo. Agora, tivemos seis promoções de major a tenente-coronel.
Era um cenário de guerra. Hoje, por exemplo, Valparaíso já está no segundo semestre e registrou quatro homicídios, todos com autoria definida e três com os autores presos. Isso é representativo
Isso é representativo. Mostra que não se trata apenas de falar dos dados, mas também de reconhecer a importância do servidor público que atua na segurança. Além disso, tivemos investimentos em novas viaturas, armamentos e câmeras com reconhecimento facial e inteligência artificial embarcada.
Hoje, Valparaíso tem mais de 100 câmeras instaladas. O programa IA Contra o Crime já está operando na cidade e na região. Conseguimos montar um cinturão envolvendo Novo Gama, Cidade Ocidental e Luziânia. Assim, por exemplo, se uma pessoa cometer um crime em Luziânia e seguir para Valparaíso, as câmeras poderão fazer o reconhecimento facial, identificar placas e características do veículo, permitindo que essa pessoa seja localizada e presa em outro município.
João Paulo Alexandre – Prefeito, fale também um pouco sobre a saúde no Entorno, porque sabemos que esse é um ponto que tem sido muito explorado pelos adversários de Daniel Vilela. Marconi, por exemplo, tem lembrado muito do Crer e do Hugol, mas, ao mesmo tempo, sabemos que houve obras de hospitais que ficaram paradas no Entorno. Queria ouvir do senhor como está a saúde atualmente e quais foram os principais avanços registrados nos últimos oito anos.
Marconi Perillo foi um governador que viveu de promessas. Em Valparaíso, por exemplo, chegou a ser publicado um decreto desapropriando uma área para a construção de um hospital na cidade. Quando houve a mudança de governo, o decreto foi revogado e o hospital ficou apenas no sonho. Até hoje, a comunidade comenta sobre a possibilidade de construção desse hospital pelo governo do Estado.
O governador Caiado fez de maneira diferente, e fico feliz em ver que Daniel tem seguido essa mesma linha, dando continuidade ao trabalho de descentralização da saúde promovido pelo governo estadual.
Não adianta construir hospitais em todos os lugares e deixar as obras paradas. O que o governador Caiado fez foi descentralizar a saúde. Nossa região, que tem cerca de 1,5 milhão de habitantes, não tinha um único leito de UTI.

Além disso, havia problemas com os repasses. O ex-prefeito Pábio Mossoró ficou quase 12 meses sem receber recursos da saúde que deveriam ser transferidos pelo governo do Estado ao município, referentes aos procedimentos realizados. Imagine o que significa não poder contar com um recurso que deveria ser repassado obrigatoriamente. Hoje, posso fazer o planejamento tendo a certeza de que o recurso será transferido no prazo correto.
Com essa descentralização, reduzindo a concentração dos leitos de UTI em Goiânia e ampliando a capacidade de atendimento em outras regiões, passamos a ter, por exemplo, o Hospital Estadual de Luziânia, o HEL, que recebe pacientes da nossa região que precisam de acesso a leitos de UTI. Antes, quando não conseguíamos uma vaga, era um martírio.
Quando um morador precisava de um leito de UTI, muitas vezes tinha de recorrer a Brasília. A população vivia uma verdadeira peregrinação em busca de atendimento de saúde no Distrito Federal.
Ton Paulo – O senhor citou o ex-prefeito Pábio, que, inclusive, passou pela Secretaria de Articulação do Entorno. Como avalia o legado que ele deixou na Secretaria?
Pábio, na Secretaria do Entorno, pela experiência política que tem, como vereador por dois mandatos e prefeito por outros dois, conseguiu dar início a uma discussão que é fundamental para o Entorno.
O Entorno experimentou alguns dos mais altos índices de violência e criminalidade do país. Na saúde, a precarização fez com que nossos moradores, como eu disse, precisassem sair da região e procurar atendimento no Distrito Federal, porque Goiás não oferecia a estrutura necessária.
Os índices de educação do Entorno também sempre foram muito baixos, assim como os do próprio Estado em nível nacional. Tivemos, inclusive, casos de alunos assassinando professores dentro da escola, em sala de aula. Valparaíso teve experiências como essa.
Atualmente, o grande desafio do Entorno é, sem dúvida, a mobilidade
Hoje, sabemos que houve um avanço significativo e incontestável na segurança pública. Também houve avanços claros na saúde. É evidente que ainda precisamos melhorar em alguns pontos, mas não podemos olhar para trás e dizer que a realidade era semelhante à que vivemos hoje. Na educação, o Estado passou a apresentar os melhores resultados do país.
Hoje vemos os alunos nas ruas com sapatos, calças, camisas, casacos e material escolar, além de cartão para alimentação, proporcionando condições para uma vida escolar mais adequada.
Atualmente, o grande desafio do Entorno é, sem dúvida, a mobilidade. Acredito que Pábio concentrou esforços nessa temática, nesse pilar, e trabalhou muito para avançarmos, primeiro, na interlocução entre o governo do Distrito Federal e o governo de Goiás, com o objetivo de melhorar o transporte público da região.
João Paulo Alexandre – Indo além do tema mobilidade, Valparaíso tem algum projeto no sentido industrialização? O que está sendo feito na região?
Temos buscado investimentos para que Valparaíso possa avançar, principalmente na atração de novas empresas e indústrias e, por outro lado, ampliar a geração de emprego e renda e, consequentemente, a arrecadação do município com a tributação gerada por esses empreendimentos.
Sempre digo que Valparaíso é uma das cidades com maior desafio administrativo dentro do Estado de Goiás. Somos o terceiro menor município do Estado em extensão territorial, com 61 quilômetros quadrados, e estamos atualmente entre a sexta e a sétima maior população de Goiás.
Valparaíso já tem em torno de 240 mil moradores e está entre as 50 cidades do país com maior densidade demográfica. Além disso, em um Estado conhecido pela vocação para a agricultura e a pecuária, Valparaíso não possui área rural. É um município com zero área rural.
Isso cria um grande desafio, porque temos muita dificuldade para receber grandes indústrias ou grandes polos comerciais. Com isso, a vocação da cidade acaba se concentrando no setor de serviços.

Ao mesmo tempo, entendemos que a tecnologia tem ganhado espaço, principalmente na região do Distrito Federal, e Valparaíso se torna um local atrativo para receber investimentos em áreas como data centers e tecnologia.
Também temos recursos hídricos. Na região está o Corumbá, que pode contribuir para a atração desses investimentos, já que a disponibilidade de água é importante para o resfriamento dos data centers.
Em regiões com períodos de seca intensa e temperaturas elevadas, a dificuldade de resfriamento pode ser um obstáculo. Por isso, os investidores enxergam a disponibilidade de recursos hídricos como um atrativo. Além disso, temos também a questão da infraestrutura energética.
Nos últimos anos, tivemos investimentos realizados pela Enel e, agora, pela Equatorial, o que contribui para que essas empresas passem a olhar com mais atenção para a nossa região.
Temos preparado Valparaíso para essa realidade. É difícil receber uma grande indústria, como uma montadora de automóveis ou uma indústria têxtil, que exige uma área física muito extensa. Por isso, temos trabalhado para que a cidade possa se tornar um grande polo tecnológico e receber investimentos desse setor.

Ton Paulo – Quem são os representantes do Entorno que, na avaliação do senhor, merecem ser eleitos ou reeleitos nestas eleições, seja para chegar pela primeira vez, retornar à Alego ou ocupar uma cadeira na Câmara Federal?
Pela experiência política de Pábio Mossoró e pelo trabalho que desenvolveu em Valparaíso, acredito muito que ele seria, na Assembleia, uma grande liderança política para toda a região. Pábio conhece como poucos o Entorno, até porque foi secretário do Entorno e prefeito por dois mandatos. Conhece as demandas administrativas de Valparaíso e tenho convicção de que será um grande deputado, capaz de ajudar a região a avançar de forma substancial.
Para a Câmara Federal, acredito muito em Zeli pela forma como conduziu seu mandato como deputada estadual. Considero merecida a eleição dela para deputada federal. É uma parlamentar que respeitou suas bases políticas e destinou uma parcela significativa de suas emendas para a nossa cidade. Acredito que, como deputada federal, também poderá destinar mais recursos para Valparaíso e para a região.
Da mesma forma, destaco Célio Silveira. Zeli e Célio foram os dois deputados que mais ajudaram a cidade.

Para o Senado, tenho uma gratidão muito grande por Vanderlan Cardoso, porque foi um senador que conseguiu viabilizar obras estruturantes para Valparaíso. A cidade sempre sofreu com a questão daquela voçoroca atrás do Brasil Center Shopping, que causava preocupação não apenas aos moradores de Valparaíso, mas de toda a região. Quem passava pelo local fazia algum comentário e o problema frequentemente era manchete de jornal.
O senador Vanderlan conseguiu viabilizar os recursos para que, por meio do governo federal e do DNIT, fosse executada uma obra que vai resolver aquele problema.
Meus dois nomes para o Senado são, portanto, Dona Gracinha Caiado e Vanderlan Cardoso.
João Paulo Alexandre – Você citou o enfraquecimento de Marconi. Quando conversamos com aliados dos atuais candidatos, tanto de Marconi quanto de Wilder, alguns chegaram a relatar que muitos dos acordos com prefeitos teriam ocorrido por receio de perda de receitas. Como representante de uma das regiões mais importantes do Estado, como você avalia isso? Acredita que a possibilidade de perda de receitas para os municípios levou vários prefeitos a apoiar Daniel?
Negativo. Tanto é que, se observarmos municípios cujos prefeitos são declaradamente apoiadores de candidatos da oposição, as receitas continuam sendo repassadas normalmente. Até porque, se isso não acontecesse, os próprios candidatos estariam usando essa situação politicamente.
Sabemos que existe uma gestão democrática, que não olha para A ou B nem para o partido. Os repasses estão sendo feitos em dia e são recursos com os quais os prefeitos podem contar, estejam eles na base ou na oposição.
O que acredito que a maioria dos prefeitos e das lideranças, não apenas prefeitos, mas também deputados federais, deputados estaduais e ex-prefeitos de todo o Estado, enxergou em Daniel foi a continuidade de uma gestão que deu certo.
Ton Paulo – Você ainda está no segundo ano de sua gestão. Já tem planos para o futuro político?
Meu plano é eleger Pábio Mossoró deputado estadual em 2026. Hoje, sou candidato a resolver os problemas da cidade. Acredito que precisamos separar as questões eleitorais da administração, porque, caso contrário, começamos a fazer politicagem e deixamos de fazer políticas públicas.
Hoje, não estou preocupado com a eleição de 2028, e digo isso com tranquilidade. Minha preocupação é com a eleição de Pábio, não apenas por ser o líder político do nosso grupo e da região, mas porque acredito muito no potencial dele. Sei que será um grande deputado.
Com a eleição de Pábio, teremos mais condições de resolver os problemas crônicos da cidade e enfrentar os desafios que o município apresenta. Em 2028, vamos nos reunir com o grupo, alinhar as posições e avaliar qual será a perspectiva para aquele período eleitoral.
Enquanto isso, continuo candidato a resolver os problemas do município.


