Aldo Arantes crava pré-candidatura ao Senado e diz que Goiás vive avanço preocupante da extrema direita
03 maio 2026 às 06h00

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Aos 87 anos, Aldo Arantes tem a lucidez e a perspicácia de um homem de 30 e poucos anos, mas com a capacidade analítica e de articulação que somente alguém que transitou por décadas na política poderia ter.
Anapolino de nascença e advogado por formação, Aldo também é escritor, autor do livro Domínio das Mentes – do Golpe Militar à Guerra Cultural, e militante de longa data do PCdoB. Lutou contra a ditadura militar e, como constituinte, pôde ver e participar do nascimento de uma nova Constituição Federal. Foi vereador, secretário de Estado e deputado federal por quatro vezes.
Hoje, com seus quase 90 anos, Aldo se vê mais preparado do que nunca para retornar à política. Ele é pré-candidato ao Senado pela Federação PT-PCdoB-PV e se refere ao momento como o mais oportuno para ter seu nome novamente nas urnas. Em um momento em que, segundo ele, a extrema-direita mostra as garras em Goiás e no Brasil, faz-se urgente elevar o nível do debate e resgatar a convicção da importância do diálogo democrático.
Nesta entrevista, o advogado avalia e explica, com base em sua visão, o encolhimento da esquerda em Goiás, destaca as prioridades de seu projeto e aponta quem seria o melhor nome para ser candidato da esquerda ao governo do Estado.
Euler de França Belém – Você foi presidente da UNE, deputado federal, líder local e nacional do PCdoB e agora está disposto a ser candidato a senador. O que motiva Aldo Arantes, um homem ativo intelectualmente, a ser candidato a senador?
O que me mobiliza é o fato de que, infelizmente, a extrema-direita cresceu muito em Goiás. Eu acho que chegou a hora de fazer um debate mais sério, mais aprofundado, e discutir caminhos para o Brasil. Na verdade, esse debate em um nível mais elevado é fundamental. Que tipo de Brasil nós queremos?
Nós conhecemos e acompanhamos o que aconteceu no governo Bolsonaro, responsável por mais de 700 mil mortes durante a pandemia e pela desagregação da economia brasileira. Houve também um processo de perseguição a mulheres, negros e à comunidade LGBT. Enfim, tudo isso culminou na tentativa golpista. Então, eu acho que é necessário colocar o debate para o Senado em um patamar mais elevado: que projeto de Brasil nós queremos?
Euler de França Belém – E qual é o projeto de Brasil que vocês querem?
É um projeto de desenvolvimento sustentável com distribuição de renda, que implica uma série de questões. Implica o fortalecimento do papel do Estado, e esse é um grande contraponto com setores conservadores, que negam esse papel. O papel do Estado é fundamental, por exemplo, na pandemia. Se não fosse a atuação estatal, o número de mortes teria sido muito maior. Então, essa questão do papel do Estado em geral é central.
Quando você analisa o período de desenvolvimento a partir de Getúlio Vargas, houve uma grande intervenção do Estado. O professor Olival Freire esteve aqui falando sobre o papel da ciência e da tecnologia e mostrou o salto que o Brasil teve a partir do governo Goulart, que também tinha essa visão do papel do Estado. Portanto, essa questão é fundamental. Outro componente desse projeto é a soberania nacional. Não existe projeto de nação sem soberania.

Nós enfrentamos, por exemplo, a situação da imposição de tarifas pelo Trump, que contou com o apoio de toda a extrema-direita. Isso é um ato de traição nacional. Você observa, por exemplo, manifestações da extrema-direita com a bandeira americana, enquanto, do outro lado, setores democráticos e progressistas se manifestavam com a bandeira brasileira.
O que me mobiliza é o fato de que, infelizmente, a extrema-direita cresceu muito em Goiás
Outro componente é o social. Um dos aspectos da extrema-direita e dos defensores do neoliberalismo é o corte do papel do Estado na saúde, na educação e no desenvolvimento científico e tecnológico. A lógica do neoliberalismo é a lógica do mercado, cujo objetivo é o lucro. Evidentemente, nós não estamos em uma sociedade socialista. Mesmo o socialismo atual, como o da China, combina mercado e Estado. Eu já estive na China quatro vezes e conheço bem. Trata-se de uma forma extremamente eficiente em que o setor estratégico da economia está sob controle do Estado.
Ao mesmo tempo, diferentemente do modelo soviético, há abertura para o capital, inclusive estrangeiro. A defesa dos direitos econômicos e sociais é fundamental. Hoje há uma ofensiva do neoliberalismo e da extrema-direita para enfraquecer esses direitos.
Essa questão se liga a outro componente que considero essencial: o Banco Central. A chamada autonomia do Banco Central é, na verdade, uma falácia, pois ele se torna dependente do mercado.
A questão central é: qual deve ser a relação do Banco Central? Com quem foi eleito pelo povo e possui uma política definida, ou com o mercado, cujo objetivo é o lucro? É claro que deve haver relação com o governo eleito, ainda que se leve em conta o mercado. No entanto, isso coloca um problema para a sociedade. Hoje, a prioridade dos centros neoliberais é a liberação dos juros.
Com isso, temos juros extremamente altos, o que impede o desenvolvimento industrial. A questão do meio ambiente também é fundamental em um projeto de desenvolvimento mais avançado.
Ton Paulo – No caso do Banco Central, o presidente Galípolo está repetindo o caminho de Campos Neto?
Não é uma repetição, mas há certa semelhança. Ainda assim, não se repete tanto, porque houve início de redução dos juros, embora em um nível muito pequeno. Ele também defende a autonomia absoluta do Banco Central, sendo que o Banco Central já possui autonomia administrativa.
Agora, há um projeto de lei da extrema-direita que busca ampliar essa autonomia para um nível completo, inclusive financeiro. Com isso, o presidente da República é eleito, mas o Banco Central não leva em conta o Estado nem os direitos. Assim, um dos fatores que têm inibido o governo do Lula é, de um lado, o Banco Central e, de outro, o Congresso Nacional, especialmente a Câmara dos Deputados.
Fui deputado quatro vezes e nunca vi um parlamento tão reacionário como o atual. Essa é uma das questões fundamentais dentro do projeto de nação. Na minha avaliação, esse projeto precisa avançar.
Esse avanço, no meu entendimento, passa pelas reformas estruturais da sociedade brasileira. E uma reforma central é a reforma política, pois é ela que permite, de fato, votar em um projeto de nação.
O que eu defendo, o que nós defendemos, e o que esses setores defendem, é o sistema eleitoral proporcional de lista pré-ordenada. Hoje, o sistema vigente é proporcional, mas de lista aberta. Esse modelo tem um aspecto positivo, porque, diferentemente do sistema majoritário, não restringe a vitória apenas a quem tem poder econômico, algo comum em espaços onde a direita e os setores conservadores são mais fortes.
Não existe projeto de nação sem soberania
O sistema proporcional foi uma conquista da luta dos trabalhadores no mundo, que buscavam também participar da representação política. No entanto, o modelo adotado pelo Brasil é o de lista aberta. Assim, uma pessoa com muito dinheiro, ou alguém com grande exposição midiática, como um radialista ou um ator, pode entrar na lista de um partido e se eleger.
Por isso, a proposta que apresentamos, dentro da reforma política, é que a escolha se dê com base em um projeto mais amplo para a nação. Nesse modelo, o eleitor vota em uma lista, ou seja, vota no partido que apresenta um programa, escolhendo também a lista organizada por esse partido.
Ton Paulo – No período pós-regime militar, tivemos a Constituição de 1988. Era uma época em que pessoas de direita até evitavam se assumir como tal. Hoje, há um movimento muito organizado da direita, e muitos não de uma direita democrática, mas de uma direita extremista. O que aconteceu? A esquerda errou quando esteve no poder a ponto de permitir o crescimento da direita?
No meu livro, “Domínio das Mentes – do Golpe Militar à Guerra Cultural”, mostro que, no passado, a extrema-direita tomava o poder por meio de golpes. Hoje, chega ao poder por meio de eleições, utilizando a chamada guerra cultural. Trata-se de um modelo extremamente reacionário, baseado na negação da ciência, da história, do Holocausto, da ditadura militar e também da arte.
Na minha avaliação, tudo isso está articulado com as big techs, que hoje são um instrumento poderoso de difusão da extrema-direita. Tanto que essas grandes empresas tecnológicas funcionam como base de sustentação do governo Trump. Além disso, Elon Musk já afirmou que as eleições mais importantes do mundo são as do Brasil neste ano e que farão de tudo para derrotar Lula. Portanto, estamos diante de uma situação que exige reação.

É necessário unir forças para enfrentar esse cenário. Atualmente, pesquisas indicam uma certa vantagem de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Lula ainda aparece à frente, mas a disputa nesse cenário está relativamente equilibrada.
Evidentemente, a campanha ainda não começou. Quando começar, Flávio tende a ser bastante vulnerável. Tanto que, hoje, a tentativa é desvincular seu nome do Bolsonaro, apresentando-o apenas como Flávio. Há um esforço para construí-lo como uma figura intermediária, mais ponderada. No entanto, essa caracterização não corresponde à realidade. Ele mantém a mesma linha política associada ao pai.
Euler de França Belém – Há dois principais projetos da direita. Basicamente, um é o projeto político voltado para a Presidência da República, e o outro é o projeto de conquistar o Senado. Eles querem conquistar o Senado exatamente para quê?
Uma das razões é a intenção de alterar a composição do Supremo Tribunal Federal. Esse é o ponto central. Eles buscam que o Senado tenha o poder de, por exemplo, destituir membros do STF.
Há forte oposição a alguns ministros, sobretudo a Alexandre de Moraes. Daí os ataques intensos contra ele, em função do papel que o Supremo teve e, especialmente, do papel que Alexandre de Moraes desempenhou em relação à tentativa de golpe. Agora surge também a proposta de um projeto que visa reduzir as penas relacionadas ao 8 de janeiro, o que é considerado um completo absurdo.
Euler de França Belém – Qual a sua avaliação sobre a proposta de Romeu Zema de privatizar a Petrobras?
É um absurdo completo. Isso está dentro da mesma linha de pensamento. Na verdade, há setores da extrema-direita que buscam radicalizar o projeto neoliberal. Se olharmos para o passado, veremos que o Brasil, especialmente no período de JK, entre os anos 1950 até a década de 1980, apresentou um crescimento significativo.
Isso ocorreu, em grande medida, pelo papel das empresas públicas, sendo a Petrobras um elemento central, atuando como um guardião da economia por sua força e importância. Por isso, a privatização da Petrobras é vista como um crime.
Em diferentes contextos onde o projeto neoliberal foi aplicado, houve aumento da pobreza. Ao analisar o cenário atual, tanto no Brasil quanto no mundo, observa-se que, durante o período de predominância do neoliberalismo, o crescimento das grandes fortunas foi extremamente elevado.
Isso ocorre porque a lógica do neoliberalismo é justamente favorecer a expansão dessas grandes empresas.
Euler de França Belém – Por que Zema, hoje, está começando a se posicionar de forma mais radical do que Flávio, no sentido de defender a privatização da Petrobras e atacar o STF, por exemplo?
Ele quer tirar votos com Flávio, assim como Caiado também tenta fazer. No entanto, Caiado adota uma linha mais voltada à crítica administrativa, argumentando que Flávio é novo e não tem experiência de gestão, sem entrar diretamente no mérito político.
Já Zema adota uma postura mais radical, tentando se posicionar nesse campo. Na minha avaliação, ele até pode atrair alguns votos, mas de forma bastante marginal. Vejo situação semelhante no caso de Ronaldo Caiado.
Euler de França Belém – O governo Lula tem feito uma série de mudanças para beneficiar a classe trabalhadora e a classe média, entre outros setores. Ainda assim, o bolsonarismo permanece muito forte. Por quê?
Acredito que isso esteja relacionado ao que mencionei anteriormente, ou seja, à hegemonia das ideias de extrema-direita. E isso não é algo recente, vem de um processo histórico.Esse movimento começou a se desenvolver por volta da década de 1940, mais precisamente em 1947, com o surgimento das ideias neoliberais. Inicialmente, tratava-se de uma crítica ao socialismo, mas também era uma crítica social à própria democracia e às políticas adotadas nos Estados Unidos após a quebra da Bolsa de Valores.
Naquele contexto, o presidente Roosevelt implementou uma política de elevação dos salários e de estímulo à indústria, o que permitiu aos Estados Unidos enfrentar a crise. O neoliberalismo surge, então, como uma reação a esse modelo.
Ao longo do tempo, esse pensamento se estruturou por meio da criação de think tanks, institutos de pesquisa com grande financiamento, que passaram a levar jovens, inclusive do Brasil, para os Estados Unidos. A CIA identificou que o crescimento da esquerda nas universidades latino-americanas estava relacionado à presença de jovens progressistas nesses espaços, que se tornavam uma base de formação política.
Fui deputado quatro vezes e nunca vi um parlamento tão reacionário como o atual
Com isso, houve investimento para atuar dentro das universidades e construir uma concepção de direita nesses ambientes. Integrantes de movimentos como o MBL foram levados aos Estados Unidos, com financiamento de diversas empresas, especialmente dos irmãos Koch, grandes empresários do setor de petróleo.
Com esse volume de investimentos e, mais recentemente, com a expansão das ideias da extrema-direita, o processo se intensificou. Um exemplo foi a disputa no Reino Unido sobre a permanência ou não na União Europeia, o Brexit, marcada por uma forte guerra cultural, que acabou revertendo o cenário político.
O mesmo método foi utilizado nos Estados Unidos durante a eleição de Trump, com o uso de um discurso racionalizado, porém negacionista, aliado ao uso intensivo das redes sociais, o que contribuiu para sua vitória inicial.
Esse tipo de estratégia tem sido replicado em diversos países. Ao longo do tempo, essas forças foram ganhando espaço gradualmente. Nesse contexto, Hayek, um dos formuladores do pensamento neoliberal, defendia que, para mudar o mundo, era necessário primeiro mudar as ideias.
Segundo essa visão, a transformação deveria começar pela intelectualidade, alcançando depois os políticos. Daí a estratégia de criação dos think tanks, com o objetivo de influenciar estudantes e intelectuais, para, posteriormente, avançar no campo político.
Euler de França Belém – Olavo de Carvalho teve contribuição nesse processo?
No Brasil, Olavo de Carvalho teve um papel fundamental nesse processo. Ele adotava uma postura claramente negacionista e alinhada à extrema-direita, difundindo um discurso que negava a ditadura, entre outros aspectos históricos.
Durante muitos anos, esse movimento foi subestimado pela esquerda. Na minha avaliação, e isso eu desenvolvo no meu livro, houve uma subestimação da importância da luta de ideias e da disputa de valores.
No meu livro, baseio-me bastante na concepção de Gramsci. Ele afirmava que o caminho da luta pela construção do socialismo na Rússia, no período da União Soviética, era o confronto direto. No entanto, com o desenvolvimento do capitalismo e a criação de mecanismos de controle ideológico, como imprensa, rádio, jornais e universidades, a luta política se tornou mais complexa. Nesse contexto, a disputa de ideias passou a ser um componente central.

Há também um autor que desenvolve essas ideias de Gramsci, Raymond Williams. Ele afirma que, nos dias atuais, a luta ideológica ocorre mais pelo sentimento do que pela razão.
Isso ajuda a explicar o papel das igrejas, especialmente as evangélicas, mas também setores católicos, como os grupos carismáticos. Esses segmentos compõem, em grande medida, a base social do bolsonarismo e da extrema-direita.
João Paulo Alexandre – Vemos a extrema-direita com nomes para suceder Bolsonaro, que hoje, se não é a maior, é uma das principais figuras desse campo. Há nomes como o filho dele, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, entre outros que continuam reverberando esses discursos. Já na esquerda, tirando Lula, não se vê um nome tão significativo. A esquerda não erra nesse ponto?
Temos bons nomes. Flávio Dino, por exemplo. Na minha avaliação, é um nome em que a esquerda poderia apostar para uma futura candidatura à Presidência da República após Lula.
Euler de França Belém – Mas Lula está apostando no Camilo Santana.
Não há comparação com Camilo Santana. Eu o conheço, inclusive sou amigo do pai dele, e reconheço que é muito bom. No entanto, não se compara.
Euler de França Belém – E João Campos, de Pernambuco?
Penso que seria um projeto mais para o futuro. Atualmente, o melhor nome, para mim, é o de Flávio Dino.
Euler de França Belém – Por que, a cinco meses das eleições, e isso nunca aconteceu, a esquerda de Goiás não tem um candidato a governador?
Aqui, os outros partidos são todos conservadores, seja da extrema-direita ou da direita. O ambiente para a esquerda em Goiás é muito difícil. Essa é, inclusive, uma das razões pelas quais pretendo ser candidato ao Senado, embora já esteja em uma idade mais avançada. Ainda assim, acho que posso contribuir para o debate político em um nível mais elevado.
Ton Paulo – Mas não falta movimento do PT?
O fato é que a situação atual é muito mais complexa. Eu fui deputado federal quatro vezes, e nunca vi um clima tão conservador na sociedade goiana como agora.
Há uma demora na escolha do candidato porque o objetivo é ter um nome majoritário que possa, de alguma forma, ajudar na campanha do Lula aqui.
Eu acho que a Aava Santiago seria um nome excelente. Conheço a Aava e, na minha opinião, tenho convicção de que a federação aceitaria o nome dela. Ela está no PSB, que é um partido da base, é uma mulher progressista e tem uma ligação muito grande com o Lula.Tenho a impressão de que, se Lula ou Alckmin a chamassem, talvez ela aceitasse. Na minha opinião, essa seria a melhor alternativa.
Agora, em termos de PT, a melhor alternativa é a Adriana Accorsi. Mas a Adriana não quer ser candidata ao governo, o que torna a situação complicada.
Euler de França Belém – Se a Adriana não quiser e não houver disposição da Aava, o candidato pode ser o Luis César Bueno. Como avalia?
Eu não gostaria de entrar nesse mérito. Acho que a alternativa que deve ser trabalhada é exatamente a candidatura da Aava. Na minha opinião, ela vem em primeiro lugar. Inclusive, o Lula já disse o seguinte: se for para lançar um candidato fraco aqui, ele não vem. É preciso ter um palanque forte para o Lula.
João Paulo Alexandre – O senhor acha que há alguma vaidade dentro do PT em querer sempre ser protagonista e, muitas vezes, não articular com outros, trazendo novidade e renovação desses nomes?
Há uma demora na escolha do candidato porque o objetivo é ter um nome majoritário que possa, de alguma forma, ajudar na campanha do Lula aqui
Não, isso é uma questão política. Nesse caso que estamos discutindo, por exemplo, a Adriana sabe que tem condições de ser eleita deputada. Ela argumenta que, caso dispute outro cargo, corre o risco de ter uma votação muito grande e, ainda assim, eleger poucos deputados aqui. Esse é o argumento dela, e faz sentido.
Euler de França Belém – O PT procurou o ex-governador Marconi, e a resposta dele foi que espera ter o apoio do eleitorado de direita e, por isso, dispensou o apoio do PT. Como o senhor avalia isso?
Eu acho que é um grave erro. Tenho uma boa relação com o Marconi, fui secretário de Estado no governo dele, na área do Meio Ambiente. Inclusive, estive recentemente com ele para conversar. Ele apresentou esses argumentos, dizendo que tinha receio de perder votos. Eu disse a ele que poderia perder de um lado, mas ganhar de outro.
Pelas informações que tenho, ele já parece ter tomado essa decisão, e, na minha opinião, é um erro grave. Isso pode, inclusive, levá-lo a não chegar ao segundo turno.
O raciocínio dele é buscar o apoio da esquerda no segundo turno, mas pode acontecer de ele nem conseguir chegar lá. Eu considero isso um erro. Eu já havia dito isso a ele na última eleição, quando foi candidato ao Senado. Afirmei que ele precisava se aliar à esquerda. Ele não fez essa aliança e acabou perdendo a eleição.
Se a esquerda tivesse apoiado a candidatura dele, provavelmente ele poderia ter vencido.

