A oficialização do apoio do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), ao governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB), em evento político previsto para este sábado, 22, parece ter dividido o PL goiano entre surpresos e impassíveis. Enquanto alguns esperavam ao menos uma postura de neutralidade do prefeito anapolino, outros já davam como certo seu apoio ao governador, justamente pela proximidade entre os dois e pela falta de interação de Wilder com o gestor.

“Já era esperado. Por que o Márcio apoiaria o Wilder? Não tem motivo. Daniel sempre esteve nos eventos de Anápolis, sempre manteve diálogo com o Márcio. Diferente do Wilder, que, aliás, não está na campanha de ninguém a não ser na dele”, comentou, sob reserva, um integrante do PL em Brasília.

Ainda de acordo com o interlocutor bolsonarista, o isolamento de Wilder, inclusive dentro do próprio PL, não chega a causar surpresa. Segundo ele, o senador e candidato ao Palácio das Esmeraldas “não tem o costume de chamar ninguém para conversar”.

“Emenda não segura apoio de ninguém. Precisa articular, conversar”, avaliou, em referência aos R$ 50 milhões em emendas destinados por Wilder a Anápolis. Para ele, a destinação de recursos é inerente ao cargo e ao reduto eleitoral, mas, por si só, não é suficiente para fortalecer bases.

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Outras fontes do PL ouvidas pelo Jornal Opção, no entanto, reagiram com surpresa. “Márcio tem convívio com Daniel desde a infância, o governador soube articular bem. Mas era esperado pelo menos uma postura de neutralidade”, afirmou um integrante da legenda. Segundo ele, Wilder teria ficado “baqueado” ao saber que o gestor anapolino estará ao lado de Daniel.

O apoio de Márcio Corrêa, filiado ao PL, a Daniel Vilela, do MDB, e não a Wilder, é mais simbólico do que parece. Além de comandar a terceira cidade mais populosa de Goiás, com mais de 415 mil habitantes, Márcio integra um grupo expressivo de prefeitos que foram eleitos pelo PL, mas não apoiam a principal liderança da sigla em Goiás, no caso, Wilder.

A falta de comunicação de Wilder com lideranças do partido e a baixa participação de quadros bolsonaristas em decisões e movimentos importantes do PL estão entre os fatores citados pelas fontes para explicar a adesão pífia de prefeitos ao projeto do senador para o Palácio das Esmeraldas.