“Doença da vaca louca”: após diagnóstico de Lito Sousa, veja o que se sabe sobre Goiás
21 agosto 2026 às 12h44

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O diagnóstico do piloto e influenciador Lito Sousa com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), divulgado nesta sexta-feira, 21, chamou atenção para uma enfermidade rara, neurodegenerativa e de rápida evolução. Em Goiás, dados da rede estadual mostram que dois casos suspeitos da doença foram notificados pelo Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia, entre abril e junho de 2025.
Os registros aparecem no boletim epidemiológico de vigilância hospitalar do HGG referente ao segundo trimestre do ano passado. O documento registra as duas notificações, mas não informa que os casos tenham sido posteriormente confirmados. Por isso, não é possível afirmar, com os dados disponíveis, que Goiás tenha tido dois casos confirmados de DCJ no período.
A doença ganhou repercussão nacional após a esposa de Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Música, informar que ele recebeu o diagnóstico. Segundo o relato da família, o diagnóstico demorou a ser fechado e, nas últimas semanas, o influenciador passou a apresentar perda de parte da capacidade motora.
A DCJ é causada por uma alteração anormal de proteínas chamadas príons. A doença provoca uma degeneração progressiva do sistema nervoso e pode levar a sintomas como perda de memória, alterações cognitivas, dificuldade de coordenação motora, tremores e outros problemas neurológicos.
Doença é rara e não tem cura
A doença não possui tratamento capaz de interromper ou reverter sua evolução. O atendimento é voltado principalmente para o controle dos sintomas e para oferecer suporte ao paciente.
Segundo dados do Ministério da Saúde citados em levantamento epidemiológico, 1.576 notificações de casos suspeitos de DCJ foram registradas no Brasil entre 2005 e 2021. Desse total, 547 foram confirmados.
Entre os casos confirmados, 359 tiveram confirmação por critério laboratorial, 161 por critério clínico-epidemiológico e 27 registros não informaram o critério utilizado.
A doença acomete principalmente pessoas mais velhas. No levantamento nacional, a faixa etária entre 55 e 74 anos concentrou 60,2% das notificações, enquanto a idade média entre os casos suspeitos foi de 66 anos.
A evolução costuma ser rápida. A literatura utilizada pelo Ministério da Saúde aponta que cerca de 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas.
Goiás aparece entre os registros da doença
Apesar das duas notificações registradas pelo HGG, ainda não há, nos dados públicos consultados, uma série histórica consolidada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás com o número de casos suspeitos, confirmados, descartados e óbitos por DCJ no Estado.
Um estudo publicado em 2026 pela Revista Científica da Escola Estadual de Saúde Pública de Goiás analisou a mortalidade pela doença no Brasil entre 1996 e 2024. A pesquisa identificou 1.009 mortes por DCJ no país no período.
Na região Centro-Oeste, foram registrados 94 óbitos, correspondentes a 9,3% do total nacional. O estudo aponta ainda crescimento da mortalidade por DCJ na região ao longo da série histórica. O levantamento, entretanto, não apresenta no artigo o número de mortes especificamente de Goiás.
Os pesquisadores ressaltam que o aumento das notificações e da mortalidade pode estar relacionado não apenas à ocorrência da doença, mas também ao envelhecimento da população e à melhoria dos mecanismos de diagnóstico e vigilância.
Não é a mesma coisa que “vaca louca”
O diagnóstico de Lito Sousa também reacendeu dúvidas sobre a relação entre a DCJ e a chamada “doença da vaca louca”.
As duas doenças têm relação com príons, mas a forma mais comum da DCJ não é causada pelo consumo de carne contaminada.
Existem quatro formas conhecidas da doença: esporádica, hereditária, iatrogênica e a variante da DCJ (vDCJ). Esta última está relacionada à exposição à encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca.
Segundo o Ministério da Saúde, não há registro de casos da variante da DCJ no Brasil desde 2005.
Diagnóstico depende de investigação
A confirmação da DCJ é complexa e envolve a avaliação clínica do paciente e exames complementares. Entre os recursos utilizados estão exames de imagem, como ressonância magnética, além de eletroencefalograma e análise do líquido cefalorraquidiano.
Um dos exames utilizados atualmente é o RT-QuIC, capaz de identificar a presença de proteínas associadas à doença no líquido cefalorraquidiano.
No caso de Lito, segundo o relato divulgado pela família, o diagnóstico demorou a ser concluído, situação que pode ocorrer devido à semelhança dos sintomas iniciais da DCJ com outras doenças neurológicas.
Em Goiás, a existência de notificações de casos suspeitos no HGG reforça a necessidade de diferenciar notificação, investigação e confirmação. Até o momento, os dados públicos disponíveis não permitem estabelecer quantos casos de DCJ foram efetivamente confirmados no Estado.
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás foi procurada para informar o número total de notificações, confirmações, descartes e óbitos por DCJ no Estado e esclarecer o desfecho dos dois casos registrados pelo HGG em 2025. Os dados podem ampliar o retrato da doença em Goiás.
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