População animal de Goiânia sofre com a falta de atenção do poder público

Associações não conseguem atender a todos os animais abandonados. Omissão da Prefeitura é criticada

Foto: Vida Lata/ Reprodução

Nesta semana, o caso do cachorro que foi espancado e morreu na porta de uma loja da rede de supermercados Carrefour, em Osasco (SP), causou revolta nas redes sociais e chamou a atenção do país para a questão dos maus tratos e abandono de animais. Em Goiânia, devido a ausência de políticas públicas, a população animal também cresce de forma desordenada e sem a atenção necessária. Para combater esse problema várias associações atuam em defesa de cachorros, gatos e outros animais domésticos na capital.

“Em Goiás temos diversas associações sem fins lucrativos atuam na proteção animal, muitas delas realizam feiras e eventos para custear o tratamento de cachorros e gatos doentes. Os grupos também buscam novos lares e incentivam a castração dos animais adotados”, disse a veterinária Andrea Ribeiro ao Jornal Opção.

Para a veterinária, a população precisa ter em mente que os animais domésticos não são descartáveis. “Um gato pode viver mais de 20 anos e um cachorro pode viver de 10 a 20 anos, de acordo com o porte. Muitas pessoas não sabem, mas a lei de crimes ambientais protege o animal e abandono é crime. Assim como manter o animal em casa sem assistência médica, sem alimentação e sem os cuidados básicos para sua sobrevivência. Isso também é crime”, alertou Andrea.

A veterinária aponta que não existe animal de rua, existem animais abandonados por seres humanos, que estão vivendo nas ruas. Ela explica que entre as saídas para este problema estão a realização de feiras de adoção e a adoção comunitária, prevista em legislação. O animal comunitário é aquele que é cuidado por toda a comunidade, que lhe fornece alimentação, água e até casinhas improvisadas, explicou a profissional.

“Essas medidas são importantes, pois infelizmente não existe lar para todos”, afirmou Andrea ao destacar que algumas “saídas” não resolvem o problema. “Não vejo os abrigos como solução. Outra atitude muito perigosa são os acumuladores de animais, isso é péssimo para a pessoa e para os animais que, quase sempre, não recebem os cuidados essenciais”, pontou.

O protetor Carlos Filho participa de um grupo intitulado Vida Lata e defende que toda a sociedade precisa se envolver na causa “O Vida Lata é um grupo de amigos que atua na defesa animal desde 2011. Fazemos resgate de animais em estado de abandono ou maus tratos. Tentamos ajudar quem ajuda e trabalhamos na formação de novas pessoas para atuarem na causa. Em seguida, damos o suporte necessário aos cuidadores e procuramos um novo lar para os animais que são entregues às novas famílias vacinados e castrados”, explicou Carlos. O Vida Lata também monitora esses lares após a adoção.

“Não temos ajuda financeira de nenhum órgão, assim como as demais organizações, vivemos de doações e ações realizadas pelos próprios grupos. As clínicas veterinárias também são muito parceiras. Mas, a realidade é que estamos enxugando gelo”, disse Carlos à reportagem ao indicar iniciativas que deveriam ser feitas pelo Poder Público.

Para o protetor, sem a realização de campanhas de castração, conscientização da população e incentivo à adoção, a população de mais de 200 mil animais na capital continuará a crescer de forma desenfreada. Segundo Carlos, alguns vereadores têm se movimentado em prol da criação de um hospital veterinário público no município e outras iniciativas importantes para a causa.

“O único avanço significativo que tivemos foi a aprovação da Lei Feliciano, que proíbe a matança indiscriminada nos Centro de Zoonoses de Goiás. Mas faltou dar sequência para viabilizar a implantação de políticas públicas de castração e identificação dos animais nos municípios, além do esforço do poder público para conscientizar toda a população”, explicou.

Carlos criticou a decisão do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), de manter os fogos com barulho na capital.  “A quantidade de animais perdidos e o número de pedidos de resgates aumentam muito no período de festas. Os animais se assustam, fogem e muitos morrem atropelados”, avaliou. Para o protetor, o caso que repercutiu em todo o país trouxe visibilidade àqueles que muitas vezes são esquecidos pela sociedade.

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