Polícia Civil prende suspeitos de enviar bomba a advogado

Orientada pela SSPAP para preservar direitos individuais dos envolvidos, prisão de dois policiais federais aposentados foi feita com apoio da PF

Delegado Valdemir Branco | Foto: André Saddi

Orientada pela Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) para preservar os direitos individuais e a imagem dos envolvidos, a Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (27/12), os policiais federais aposentados e irmãos Ovídio e Valdinho Rodrigues Chaveiro, suspeitos de serem os responsáveis pelo atentado que feriu o advogado Walmir Oliveira da Cunha, de 37 anos, em 15 de julho de 2016.

A ação foi realizada em conjunto com a Polícia Federal e o Instituto de Criminalística, que acompanharam a condução dos suspeitos no início desta manhã até as dependências da Delegacia de Investigações Criminais (Deic).

Além dos dois mandados de prisão temporária, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e a condução coercitiva de Jéssica Domingos Chaveiro, Natália Domingos Chaveiro e Soraia Domingos Rodrigues, filhas e esposa de Valdinho, que foram ouvidas para esclarecimentos e dispensadas em seguida.

O titular da Deic, delegado Valdemir Branco, fez um apresentação preliminar sobre o caso para não atrapalhar as investigações. No entanto adiantou à imprensa que a motivação do crime seria uma ação judicial que a vítima teria vencido, o que confirma a tese de crime relacionado à atividade profissional do advogado.

Valdemir informou ainda que a polícia analisa os objetos apreendidos, e somente após o fim dos interrogatórios e das diligências que ainda estão em andamento poderá divulgar maiores detalhes. “Deixo claro o apoio que recebemos da Polícia Federal e do Instituo de Criminalística no andamento deste caso. Posteriormente, em uma entrevista coletiva, a Polícia Civil e outras instituições darão mais detalhes sobre a conclusão das investigações”, disse o delegado.

O crime

Na tarde do dia 15 de julho deste ano, Walmir Cunha recebeu uma encomenda em seu escritório de advocacia no setor Marista, em Goiânia. Pensando se tratar de uma caixa de vinho, presente que costuma receber de um cliente português, o advogado começou a abrir a caixa, mas viu fios e percebeu que se tratava de uma bomba. Avisou a secretária, que segurava o embrulho e ficou paralisada. Walmir voltou, então, para a mesa, pegou a caixa e ao tentar arremessá-la para o outro lado da sala, a bomba explodiu.

Com a explosão, o advogado acabou perdendo três dedos da mão esquerda, sofrendo diversas queimaduras pelo abdômen e uma fratura exposta na perna. Desde então, ele já passou por oito procedimentos cirúrgicos e deve passar por mais um nos próximos dias.

Nesta terça-feira (20/9), o advogado encaminhou uma nota à imprensa na qual diz que está confiante nas investigações da Polícia Civil e que as conclusões do inquérito divulgadas “só confirmam a hipótese inicial de que a motivação para o crime está ligada à sua atuação profissional, o que atinge também toda a sociedade com a tentativa de cerceamento da atuação de advogados na defesa dos direitos e demandas da população.”

Direitos individuais

Delegado-geral da Polícia Civil, Álvaro Cássio ressaltou que a operação tomou todas as medidas necessárias para respeitar os direitos individuais dos policiais federais suspeitos pelo crime.

“A Polícia Federal é uma das instituições mais importantes do Brasil e executamos essa ação de forma responsável, tratando os presos como suspeitos e tomando os devidos cuidados para que a imagem dos suspeitos e da instituição não fosse exposta de forma negativa”, explicou.

O superintendente executivo da SSPAP, coronel Edson Costa, também destacou a importância de respeitar os direitos dos suspeitos e, principalmente, de resguardar a imagem das instituições. “Há um respeito muito grande com os direitos individuais das pessoas que, supostamente, estão envolvidas em crimes. Também nos preocupamos em manter o respeito entre as instituições”, declarou.

Em outubro deste ano, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), deflagrou a Operação Livramento, que desarticulou uma extensa organização criminosa que atuava em presídios goianos. No total, 52 pessoas foram presas. Outros 63 mandados de busca e apreensão e oito de condução coercitiva foram cumpridos. Entre os detidos, servidores e ex-servidores da Superintendência de Administração Penitenciária da SSPAP, advogados e parentes de presos.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.