Plano Diretor:  Prefeitura propõe desestímulo à instalação de novas feiras em vias públicas

“Autoridades parecem não enxergar a importância das feiras para a cidade”, diz feirante

Fernando Leite/Jornal Opção

No projeto de revisão do Plano Diretor, disponibilizado no site da Câmara Municipal de Goiânia, na parte 1, página 43, a gestão do prefeito Iris Rezende (MDB) apresenta uma série de estratégias de desenvolvimento econômico, entre elas, ações relativas à organização e autorização de feiras livres na capital.

O art 38, inciso X, apresenta traz medidas para as feiras já existentes:

“Normatização, estruturação e qualificação dos feirantes e das feiras do Município, bem como as demais atividades econômicas desenvolvidas em áreas públicas, de forma a se tornarem espaços e atividades capazes de contribuir com o desenvolvimento econômico e social”.

Já o inciso XI, prevê o “desestímulo à instalação de novas feiras em vias públicas”.

Para o presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Jairo Gomes, a regulamentação das feiras existentes é positiva, apesar de tardia. “O fato é que as feiras ao longo dos anos foram autorizadas sem nenhuma pesquisa, por toda a cidade”, explicou. Para a associação, a correção é necessária e evita alguns transtornos à população e comerciantes.

‘A Deus dará’

“Goiânia já e a capital das feiras e, apesar de não acharmos que isso seja negativo, defendemos que a autorização seja feita com critério. O poder público não pode usar a autorização para feiras serem utilizadas como instrumento político de parlamentares nos bairros”, explicou. “Não somos contra as feiras, mas não pode ser da forma como é hoje ‘a deus dará’, é preciso discutir isso com os personagens envolvidos, ou seja comunidade e comércio da região”, defendeu Jairo. 

Ele citou o exemplo da feira da madrugada, “que veio para um lugar onde já existia a Feira Hippie, e onde funciona a Rodoviária”. “Nada mais justo do que discutir isso. É de bom tom. A prefeitura precisa fazer uma avaliação, antes de conceder a autorização. Ver se é bom, se gera emprego e renda, ou se atrapalha”.

O que dizem os feirantes

A feirante Nara Coutri, que trabalha na Feira Hippie, ressalta que, em tempos de crise, é preciso lembrar que as feiras garantem a subsistência de milhares de famílias. “Tem que ter estratégias para aumentar as feiras, com infraestrutura e segurança, para oferecer espaço para essas famílias que dependem disso”, pontuou.

Nara afirma, ainda, que além dos feirantes existe uma cadeia de trabalhadores envolvidos no negócio. “Não somos contra reorganizar, fiscalizar, desde que isso seja feito no sentido de garantir o trabalho dos feirantes. E não para impedir que a gente trabalhe. Essa é a nossa grande preocupação, qual é o objetivo da prefeitura?”, disse.

Ainda de acordo com a feirante, a prefeitura precisa pensar em todos. “Temos medo de não voltar para a Feira Hippie após a reforma da Praça do Trabalhador, medo de não ter espaço para todos. Até hoje a prefeitura não disponibilizou banheiros químicos na Feira Hippie de Goiânia. Será que vão pensar nos feirantes?”, argumentou Nara.

“A gente paga imposto e sobrevive daquele local. A minha vontade é que as feiras possam existir com o apoio da prefeitura, que os feirantes possam trabalham com segurança, com uma estrutura digna e, assim, contribuir com a economia da cidade”, afirmou Nara.  “As autoridades parecem não enxergar a importância das feiras para a cidade”, concluiu.

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