PF identifica 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro em 18 meses
31 julho 2026 às 15h09

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou o sigilo de documentos da investigação da Polícia Federal (PF) que apura a suposta atuação do senador Jaques Wagner (PT) em favor do Banco Master. Os autos, divulgados nesta quinta-feira, 30, trazem novos detalhes sobre o inquérito que resultou, em junho, em mandados de busca e apreensão contra o parlamentar durante a nona fase da Operação Compliance Zero.
Entre os elementos reunidos pela investigação estão registros de 74 ligações telefônicas entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e também investigado por suspeitas de fraudes financeiras.
De acordo com a PF, Augusto Lima, tratado pelo senador pelo apelido de “Guga”, seria o principal elo entre Wagner e o grupo investigado. A polícia sustenta que o parlamentar teria atuado politicamente em favor de interesses do banco durante a tramitação de projetos no Senado, entre eles propostas relacionadas à ampliação da margem do crédito consignado.
Em contrapartida, segundo os investigadores, Jaques Wagner teria sido beneficiado com um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de repasses que somam R$ 3,5 milhões destinados a empresas ligadas a familiares do senador.
Nesta sexta-feira, 31, Wagner afirmou estar tranquilo diante das investigações e declarou que irá demonstrar sua inocência ao longo do processo.
Ligações e relação de proximidade
Um dos principais pontos destacados pela Polícia Federal é a frequência do contato entre Jaques Wagner e Augusto Lima. Entre novembro de 2023 e maio de 2025, os dois realizaram 74 chamadas por áudio via WhatsApp, que somaram mais de cinco horas e meia de conversa.
Na avaliação dos investigadores, esse volume de contatos reforça uma relação próxima entre ambos. O relatório também reproduz mensagens nas quais Lima convida o senador e familiares para visitar a Ilha da Paixão, no litoral baiano, oferecendo transporte em aeronave particular. Em uma das conversas, a esposa de Wagner escreve “A gente ama vcs”, recebendo como resposta: “Amamos vocês!! Bj no coração”.
Outro trecho do inquérito cita mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Nelas, o banqueiro afirma que a imagem de proximidade do Banco Master com o governo seria positiva para a instituição e orienta que essa percepção chegasse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à base aliada. Em resposta, um interlocutor afirma que enviaria a informação para “Guiga e Jaques”, em referência ao senador e a Guilherme Sodré, outro investigado.
Segundo a PF, Augusto Lima seria o principal intermediador dessa relação entre integrantes do governo e pessoas ligadas ao banco.
Além disso, os investigadores observaram que os envolvidos privilegiavam chamadas de voz pelo WhatsApp em vez da troca de mensagens escritas, comportamento apontado pela polícia como recorrente durante o período analisado.
Presentes de alto valor
A investigação também descreve o envio de presentes a autoridades políticas da Bahia. Conversas entre Augusto Lima e sua secretária mostram a organização da entrega de garrafas de vinho avaliadas entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil para lideranças como Jaques Wagner, Rui Costa, Jerônimo Rodrigues, Bruno Reis, ACM Neto e Antônio Rueda.
A PF afirma ter encontrado fotografias dos brindes e mensagens confirmando a entrega. Apesar disso, apenas Jaques Wagner é investigado nesse inquérito. Os demais nomes citados não figuram como alvos da investigação.
Outro benefício apontado pelos investigadores envolve ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift. Segundo a polícia, Augusto Lima intermediou a aquisição de dois ingressos, avaliados em R$ 63.339, além de cinco entradas para um camarote, no valor aproximado de R$ 3,5 mil. Os bilhetes teriam beneficiado familiares do senador e representariam uma vantagem econômica estimada em R$ 66.839, conforme cálculo da PF.
Reuniões no Senado
Os documentos divulgados também registram encontros entre Jaques Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador, em Brasília.
Em uma mensagem de áudio reproduzida pela investigação, Wagner sugere que uma reunião ocorresse em seu gabinete por ser, segundo ele, “o mais protegido e discreto para todo mundo”, mencionando a possível participação de “Messias”, interpretado pela PF como referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Os investigadores afirmam ter encontrado no celular de Augusto Lima um contato salvo com o nome de Jorge Messias. Embora não houvesse mensagens trocadas entre eles, o aplicativo registrava a ativação da função de mensagens temporárias.
Em resposta ao g1, Jorge Messias negou ter participado de qualquer reunião com Augusto Lima no gabinete de Jaques Wagner.
A Polícia Federal também afirma que outras reuniões entre o senador e o banqueiro ocorreram em períodos considerados estratégicos para a tramitação, no Congresso Nacional, de propostas que interessavam ao Banco Master.
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