Aos 119 anos, Anápolis revela quem é o anapolino; Censo traça perfil da terceira maior cidade de Goiás
31 julho 2026 às 14h45

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Anápolis completa 119 anos consolidada como um dos principais polos econômicos do Centro-Oeste. Conhecida pela força do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), pela localização estratégica entre Goiânia e Brasília e pelo protagonismo logístico, a cidade também chama atenção pela transformação do seu perfil demográfico.
Mais do que indicar quantos moradores vivem no município, o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permite entender quem são essas pessoas. Os dados mostram como é formada a população anapolina a partir de aspectos como sexo, idade, cor ou raça, religião e escolaridade.
Na época do levantamento, Anápolis registrava 398.869 habitantes, consolidando-se como o terceiro município mais populoso de Goiás. Desde então, a estimativa do IBGE aponta que a cidade já ultrapassou a marca de 420 mil moradores, reflexo do crescimento urbano e da atração de pessoas em busca de oportunidades de trabalho, estudo e qualidade de vida.
O retrato deixado pelo Censo revela uma cidade predominantemente feminina, com população relativamente jovem, maioria parda, ainda católica, mas com presença evangélica muito acima da média brasileira, além de índices educacionais superiores aos registrados no país.
Mulheres são maioria
Assim como ocorre na maior parte dos municípios brasileiros, as mulheres representam a maior parcela da população anapolina.
Segundo o Censo, eram 205.501 mulheres, o equivalente a 51,5% dos moradores. Já os homens somavam 193.368 pessoas, correspondendo a 48,5% da população.
Na prática, havia 12.133 mulheres a mais do que homens vivendo na cidade quando a pesquisa foi realizada.
A diferença acompanha uma tendência observada em todo o país, influenciada principalmente pela maior expectativa de vida feminina.
Uma cidade de jovens adultos
O levantamento também mostra que Anápolis mantém uma população relativamente jovem.
A idade mediana dos moradores é de 33 anos. Isso significa que metade da população possui menos de 33 anos e a outra metade está acima dessa idade.
As maiores concentrações de habitantes estão justamente nas faixas entre 20 e 34 anos, período considerado economicamente mais ativo da população. O dado ajuda a explicar a elevada demanda por empregos, universidades, transporte público, habitação e serviços urbanos.
Ao mesmo tempo, o envelhecimento populacional já começa a aparecer, seguindo uma tendência nacional observada nas últimas décadas.
Pardos passam da metade da população
O Censo também evidencia mudanças na composição racial do município.
Pela primeira vez, os moradores que se autodeclaram pardos representam mais da metade da população.
Ao todo, 207.238 pessoas, cerca de 52% dos habitantes, declararam essa identidade racial.
Os brancos aparecem em seguida, com 161.979 moradores (40,6%), enquanto 28.056 pessoas (7%) se declararam pretas.
Também foram registrados 1.130 moradores amarelos e 454 indígenas na autodeclaração de cor ou raça. Em outro recorte da pesquisa, o IBGE identificou uma população indígena de 750 pessoas, considerando também o reconhecimento étnico dos entrevistados.
A distribuição é praticamente idêntica à observada na Região Centro-Oeste, onde os pardos também representam pouco mais da metade da população.
Católicos lideram, mas avanço evangélico diferencia Anápolis
A religião continua exercendo forte influência sobre o perfil da cidade.
Entre os moradores com 10 anos ou mais, o catolicismo permanece como a principal religião declarada.
São 173.433 católicos, número equivalente a 50,3% da população pesquisada.
Os evangélicos aparecem logo atrás, reunindo 133.479 pessoas, ou 38,7% dos moradores.
Embora os católicos ainda sejam maioria, o percentual de evangélicos chama atenção por superar com folga a média brasileira.
Enquanto nacionalmente esse grupo representa 26,9% da população, em Anápolis ele já se aproxima de quatro em cada dez moradores.
Outras 17.471 pessoas declararam seguir religiões diferentes das duas principais, enquanto 19.528 moradores afirmaram não possuir religião. Outros 1.220 entrevistados preferiram não responder ou não souberam informar.
Escolaridade cresce e supera média do país
Os dados educacionais também mostram uma evolução significativa.
Entre os moradores com 18 anos ou mais, 115.826 pessoas concluíram o ensino médio, mas ainda não possuem diploma universitário.
Outros 61.862 adultos já concluíram o ensino superior.
Somados, os dois grupos representam 177.688 moradores, o equivalente a 58,9% da população adulta, indicando que quase seis em cada dez anapolinos concluíram pelo menos o ensino médio.
Na outra ponta, 79.832 pessoas ainda não possuíam instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental.
Já 44.371 moradores terminaram o ensino fundamental, mas ainda não concluíram o ensino médio.
O ensino superior também coloca Anápolis em posição de destaque.
Enquanto 20,5% dos adultos da cidade possuem graduação completa, a média nacional é de 16,8%, segundo o próprio IBGE.
Alfabetização alcança mais de 96%
Outro indicador que demonstra o avanço educacional é a alfabetização.
O levantamento identificou 306.615 moradores alfabetizados com 15 anos ou mais, o equivalente a 96,2% dessa população.
Outras 12.092 pessoas ainda não sabiam ler e escrever.
Embora o índice seja elevado, os números também reforçam que o analfabetismo continua sendo um desafio para milhares de moradores.
Um retrato de uma cidade em transformação
Os números do Censo ajudam a compreender como Anápolis evoluiu ao longo de seus 119 anos.
Se no passado a cidade cresceu impulsionada pela ferrovia, pela Base Aérea, pela indústria e pela logística, hoje esse desenvolvimento também aparece refletido nas características de sua população.
O município reúne uma população majoritariamente feminina, jovem e parda, apresenta escolaridade acima da média nacional e abriga uma das maiores proporções de evangélicos entre as grandes cidades brasileiras.
Mais do que estatísticas, esses indicadores ajudam a orientar políticas públicas nas áreas de educação, saúde, mobilidade, assistência social e planejamento urbano, além de revelar quem são as pessoas que constroem diariamente uma das cidades mais importantes de Goiás.
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