Executivos da J&F delataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador

Aécio Neves | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal e o Ministério Público cumprem nesta terça-feira, 11, mandados de busca e apreensão em imóveis do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e da irmã dele, Andréa Neves, no Rio e em Minas Gerais. Outro alvo da Operação Ross é o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP). Os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB-MG) e os deputados federais Benito da Gama (PTB-BA) e Cristiane Brasil (PTB-RJ) também estão sendo investigados.

No total, 200 homens trabalham na operação, que investiga o recebimento de vantagens indevidas entre 2014 e 2017 por diversos parlamentares. Além dos políticos, as buscas miram empresários que teriam emitido notas fiscais frias para Aécio. São investigados os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo informações da PF, o senador Aécio Neves comprou apoio político do Solidariedade, por R$ 15 milhões, e empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2, por meio de notas frias. A Operação Ross é um desdobramento da Patmos, deflagrada pela PF em maio de 2017. Os valores investigados, que teriam sido utilizados também para a obtenção de apoio político, ultrapassam R$ 100 milhões.

O nome da Operação Ross é referência ao explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo, na Antártida, fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sendo investigadas.

Aécio

Equipes realizaram buscas em um imóvel de luxo do senador, localizado na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, e em um imóvel de Andréa, localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro. Outros imóveis dos irmãos, em Minas Gerais, foram alvo da PF.

A irmã de Aécio é considerada operadora do senador nas investigações da Lava Jato. Ela chegou a ser presa pela PF em maio de 2017 e foi solta há um ano, por decisão do ministro Marco Aurélio Mello.

Em nota, o advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, afirmou que o senador sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e considerou a medida desnecessária já que o Senador é o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos. Para a defesa, os recursos referidos como propina são contribuições eleitorais feitas à campanha do PSDB em 2014 e devidamente registradas na Justiça Eleitoral.