Petrobras encontra petróleo nas águas ultraprofundas da Foz do Amazonas
02 outubro 2026 às 18h43

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A Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. O achado ocorreu no bloco FZA-M-59, no mesmo poço Morpho, onde a estatal havia identificado petróleo em agosto deste ano.
A nova descoberta foi localizada em uma camada mais profunda do poço, durante a continuidade das atividades de perfuração. Segundo a Petrobras, a identificação ocorreu a partir da análise de perfis elétricos, de indícios encontrados nas rochas e de amostras de fluidos coletadas durante a operação. “O prosseguimento da perfuração do poço, após a descoberta divulgada em agosto de 2026, teve como objetivo avaliar intervalos exploratórios mais profundos e permitiu a realização dessa nova descoberta”, informou a companhia.
O poço Morpho alcançou 7.081 metros de profundidade total, sendo 2.886 metros de lâmina d’água. A Petrobras não divulgou a profundidade exata dos reservatórios identificados, mantendo os dados sob sigilo por serem considerados estratégicos para as atividades exploratórias na região.
Segundo reservatório no mesmo poço
A existência de diferentes níveis de reservatórios na área está relacionada às características geológicas da bacia. Segundo o geólogo Pedro Zalan, que acompanha os estudos sobre a região desde a década de 1980, o petróleo está distribuído em diferentes formações de arenitos turbidíticos, que podem assumir formatos de lençóis ou canais.
“O petróleo se encontra distribuído entre vários reservatórios de arenitos turbidíticos, em níveis diferentes, superpostos ou não, apresentando geometrias em formas de lençóis ou canais e com espessuras mais discretas, da ordem de dezenas de metros”, explica.
Por essa característica, a Petrobras continuou a perfuração do poço depois de identificar o primeiro intervalo com petróleo, buscando avaliar outras camadas. A previsão é que os trabalhos no Morpho sejam concluídos ainda em outubro. A nova ocorrência deverá ajudar a empresa a compreender melhor a extensão e o potencial dos reservatórios encontrados. A etapa seguinte será determinar os volumes recuperáveis e as características das acumulações.
A descoberta também amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da Bacia da Foz do Amazonas, considerada uma das principais fronteiras de exploração de petróleo do país. A bacia integra a chamada Margem Equatorial, faixa marítima que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá. A Petrobras informou que as análises realizadas sobre o petróleo encontrado no primeiro intervalo do Morpho confirmaram a boa qualidade do óleo.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, as análises apontam grau API entre 35 e 40. A escala é utilizada para medir a densidade do petróleo: quanto maior o grau API, mais leve é o óleo e, em geral, maior tende a ser seu valor para o refino.
A Petrobras pretende perfurar novos poços para delimitar o tamanho dos reservatórios. Os chamados poços adjacentes devem começar a ser perfurados em janeiro de 2027, após a chegada da plataforma NS-43, atualmente em operação no campo de Búzios.
Os poços receberam os nomes de Manga, PAD Morpho e Crotalus. A autorização para a atividade foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no início de setembro.
Foz do Amazonas concentra interesse de petroleiras
Além do bloco FZA-M-59, outros blocos da Bacia da Foz do Amazonas estão em diferentes etapas do processo de licenciamento ambiental, entre eles os de números 57, 86, 88, 125 e 127. Assim como o bloco 59, essas áreas foram adquiridas na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013.
Em 2025, outros 19 blocos exploratórios foram arrematados na bacia. A Petrobras e a ExxonMobil ficaram com dez áreas, em parceria com participação de 50% para cada empresa. Chevron e CNPC Brasil arremataram outras nove áreas.
Brava Energia e PRIO também possuem ativos na região.
A Margem Equatorial brasileira possui aproximadamente 2,2 mil quilômetros de extensão e acompanha a costa entre o Rio Grande do Norte e o Amapá. A formação geológica da região está relacionada à abertura do Oceano Atlântico, ocorrida durante a separação entre a América do Sul e a África.
O potencial petrolífero da região ganhou ainda mais atenção após descobertas realizadas na Guiana e no Suriname. Na Guiana, descobertas desde 2015 levaram a estimativas de quase 11 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis apenas no bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil.
No Brasil, a Bacia da Foz do Amazonas é uma das cinco bacias que compõem a Margem Equatorial. Até o momento, apenas a Bacia Potiguar possui produção de petróleo na região.
A Petrobras iniciou sua trajetória na exploração de águas profundas com a descoberta de petróleo na Bacia de Campos, em 1974. Desde então, a companhia desenvolveu tecnologia própria para operações em grandes profundidades e se tornou uma das referências internacionais nesse tipo de exploração.
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