Enquanto partidos como União Brasil, MDB, PL e Republicanos têm formações de chapas avançadas, Gustavo Mendanha ainda vai começar articulações para candidaturas de parlamentares

Os seis meses de peregrinação em busca de um partido e a decisão de ir para o Patriota só tomada na quarta-feira, 30, às vésperas da data limite para filiação, no próximo sábado, 2, fizeram com que Gustavo Mendanha (sem partido), agora ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pré-candidato ao Governo de Goiás, colocasse em xeque o desempenho eleitoral da cidade que ele geria. Ele criou um cenário desafiador, ainda mais para um município que não costuma ter um boom de candidatos eleitos a níveis estadual e federal, mesmo sendo o segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Nas últimas eleições, por exemplo, Aparecida não elegeu nenhum nome para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O único deputado estadual pela cidade é Max Menezes (MDB), que assumiu a cadeira este mês após a saída de Humberto Aidar (MDB) para ocupar um cadeira no Tribunal de Contas do Município (TCM). Na Câmara dos Deputados, em Brasília, o único representante aparecidense é o Professor Alcides (Progressistas). Segundo analistas, a indefinição de Mendanha agitou o “mercado de candidaturas”, mas não é a única jogada que pode ser vitoriosa nas urnas.

Pedro Araújo, cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), destaca que o fato de Gustavo Mendanha não conseguir uma grande articulação para viabilizar sua candidatura é uma surpresa também, visto que ele foi um prefeito bem votado. “Quando ele estava no MDB, ele tinha um respaldo. Depois, quando procurou um novo espaço para se candidatar como governador, ele não conseguiu o apoio esperado, visto que esses partidos estão se aproximando ou voltando para o Caiado”, além das próprias disputas internas para candidatos próprios. Aos olhos do especialista, interessados no pleito, podem traçar alternativas para viabilização de candidaturas.

“A gente sempre tem os redutos eleitorais e, as candidaturas majoritárias, de fato, ajudam a puxar votos. Com a dificuldade de Mendanha em concorrer ao cargo de governador, isso pode sim atrapalhar outros pré-candidatos a deputados – estaduais ou federais. O que podemos prever é que haja dobradinhas em âmbito estadual e federal para que candidatos se fortaleçam, sem depender diretamente das eleições ao Governo de Goiás”, afirma o professor. 

Segundo a cientista política Marcela Machado, Gustavo Mendanha é um “player de destaque para o resultado da eleição estadual” e a indefinição partidária fez com que as filiações de pessoas próximas fiquem fervorosas. Marcela defende que Aparecida de Goiânia seja um “esteio” para Mendanha e que a contribuição dele possa ser de maneira indireta [para que outros nomes cheguem às urnas], porém, “se o trabalho não for bem feito junto ao governo estadual, Aparecida pode sim ficar sem representação”. 

Marcela destaca que em um cenário vitorioso para Mendanha, mesmo que não haja deputados eleitos de Aparecida de Goiânia, Gustavo sendo a representação no Executivo, ele conseguiria dar força ao reduto eleitoral dele. “Não necessariamente você precisa de representantes de um dado reduto no Legislativo para que aquela região tenha força”, afirma. A especialista destaca que possivelmente, em Goiás, outro fator importante a ser considerado é a eleição presidencial com grande impacto na eleição estadual.

“Todo e qualquer movimento deve ser bem calculado, pois pode repercutir durante quatro anos”. Exemplo desse caso pode ser visto também em relação ao atual governador, Ronaldo Caiado (União Brasil). Em 2018, ele apoiou o presidente Jair Bolsonaro (PL) e, depois de discordâncias em relação à condução da pandemia pelo Governo Federal, entrou em descompasso. A indecisão partidária de Mendanha se deu, sobretudo, pela espera da definição da política nacional, que mostrava o presidente Bolsonaro um tanto quanto desidratado. Porém, sua demora fez surgir outro nome dentro do partido e com total benção do presidente da República, o deputado federal Major Vitor Hugo (PL).