Pela 1ª vez, todo o país sai do alerta de ocupação de UTIs de Covid

Goiás já ocupou o espaço de alerta baixo 23 vezes

Pela primeira vez desde março de 2020, nenhum estado brasileiro está em zona de alerta em ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – quando os pedidos ficam acima dos 60%. Goiás, atualmente, conta com 32% de leitos públicos ocupados. Os dados são do Observatório da Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O último relatório da entidade traz dados dos dias 6 a 19 de março, correspondente as Semanas Epidemiológicas (SE) 10 e 11, considerando os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). Os pesquisadores responsáveis pelo monitoramento atribuem a queda nos níveis de ocupação pelo avanço da vacinação.

Em Goiás, a responsável pela Superintendência de Vigilância em Saúde (Suvisa) da Secretaria do Estado de Saúde (SES-GO), Flúvia Amorim, destaca que a “taxa verde” em Goiás permanece há, pelo menos, três semanas. Na última semana, ao Jornal Opção, Flúvia destacou que tiveram momentos extremamente difíceis para o estado, quando chegou a ter quase mil pedidos de UTI por dia durante a segunda onda da doença, com a variante gama. A enfermeira pontua que chegou a faltar medicamentos para intubar pacientes.

Os períodos mais críticos para Goiás, de acordo com o mapa da Fiocruz, correspondem a março a junho de 2021. Desde setembro do ano passado a situação começou a melhorar, apesar de alguns momentos na zona vermelha (alerta máximo), que coincidem com as aglomerações de festas de final de ano e Carnaval. Desde março, Goiás esteve em zona verde 23 vezes, 11 vezes em zona amarela (alerta médio) e 33 vezes em zona vermelha (alerta crítico).

Segundo o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, “desde o dia 11 de fevereiro nós começamos ter uma queda [de leitos de UTI] e no dia 14 percebemos a inflexão da curva, iniciando, conforme prevemos, uma queda sustentada do número de casos graves de internação e ocupação em UTI, continuamos com essa queda, variando de 0 a 2 pedidos por dia de UTI adulto. A taxa de ocupação continua caindo e, na medida em que vai caindo, retornamos os leitos de Covid para leitos normais”, afirma ao Jornal Opção.

No levantamento da Fiocruz, foi observado que nas últimas SE de investigação, apesar da zona verde para a ocupação de UTI, as maiores taxas de incidência ocorreram em Goiás, Rondônia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Na marca infeliz, as maiores taxas de mortalidade também se concentraram em alguns destes estados: Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. 

Segundo a SES-GO, idosos não vacinados ou com vacinação incompleta tem taxa de óbitos 17 vezes maior e uma taxa de internação 13 vezes maior que idosos com esquema primário e a dose de reforço (esquema primário corresponde a primeira e segunda dose ou dose única; reforço é o esquema primário somado a dose de reforço). Já os dados para os adultos não vacinados ou com vacinação incompleta, apresenta taxa de óbitos 11 vezes maior e uma taxa de internação 3 vezes maior que adultos com esquema primário e dose de reforço.

Sobre o perfil de quem está internado por Covid-19 no Brasil, o estudo da Fiocruz mostra que as situações mais críticas ocorrem principalmente entre homens (51%), pessoas idosas (62%) e pretos e pardos (49%). Ainda de acordo com a Fundação, os índices atuais mostram que há uma distribuição desigual entre as áreas urbana e rural. “A maioria das internações ocorre na zona urbana (77%), o que guarda coerência com a disponibilidade de serviços de alta complexidade ser maior, e quase exclusiva, em áreas urbanas”, bem como o fato de 48% das internações ocorrerem entre pessoas que estão hospitalizadas fora de seu município de origem, “reforçando a necessidade da organização adequada da rede assistencial de forma regionalizada, para que os municípios de maior porte possam se organizar para atender à demanda do entorno”, pontuam os cientistas.

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