O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcaram para 17 de dezembro o leilão da concessão de 211,6 quilômetros das BRs-060 e 153, no trecho conhecido como Rota do Pequi, que liga Goiânia, Anápolis e Brasília.

O novo contrato prevê R$ 4,14 bilhões em investimentos e pode elevar significativamente o valor do pedágio. Na praça de Goianápolis, por exemplo, a tarifa para veículos leves, atualmente de R$ 5,40, poderá chegar a R$ 20, conforme o edital.

O trecho faz parte da concessão original realizada em 2013 e é o último segmento desmembrado a ser levado a leilão. A atual concessionária, Triunfo Concebra, pediu a rescisão amigável do contrato, que originalmente teria duração de 30 anos, até 2043.

A empresa é responsável pela administração do trecho, mas, segundo a avaliação apresentada no texto, a capacidade de investimento foi comprometida pelo modelo anterior de concessão. A rodovia passou a receber principalmente serviços de manutenção enquanto o governo federal preparava uma nova licitação.

O Jornal Opção procurou a Triunfo Concebra e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Mais de R$ 4 bilhões em investimentos

Entre as obras previstas no novo contrato estão a implantação de mais de 50 quilômetros de terceiras faixas na BR-060 e a construção do Contorno de Goiânia.

A nova estrutura deverá retirar parte do fluxo de veículos pesados e de passagem das áreas mais adensadas da capital, melhorando a circulação nas rodovias.

O Ministério dos Transportes afirma que o modelo de concessão adotado em 2026 busca garantir a sustentabilidade financeira da futura operadora. A proposta é evitar deságios elevados no leilão que possam comprometer a capacidade de investimento ao longo do contrato.

Desconto para usuários frequentes

Para reduzir o impacto das tarifas, o contrato prevê a implantação do Desconto de Usuário Frequente (DUF). O mecanismo permitirá descontos progressivos e automáticos para motoristas que utilizam regularmente o trecho, principalmente nos deslocamentos entre Goiânia, Goianápolis e Anápolis.

O pagamento por meio de tags eletrônicas será utilizado para identificar os usuários e aplicar os abatimentos.

O trecho também poderá receber o sistema Free Flow, que permite a cobrança eletrônica sem a necessidade de praças com cancelas. A tecnologia tem como objetivo agilizar a passagem dos veículos e reduzir filas.

Apesar dos investimentos previstos, o aumento potencial das tarifas deverá pesar principalmente para quem utiliza diariamente a rodovia, tornando o modelo de descontos um dos pontos de maior impacto para motoristas que fazem deslocamentos frequentes entre as cidades.

Leia também: Entenda por que o TCU barrou licitação de R$ 1,1 bilhão do novo Anel Viário de Goiânia