Entre megashows e negócios milionários, Pecuária de Goiânia tenta manter essência agropecuária
22 maio 2026 às 19h14

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A 79ª edição da Pecuária de Goiânia tem reforçado neste ano o caráter agropecuário do evento para além dos grandes shows noturnos. Com mais de 1,7 mil animais expostos ao longo da programação, a feira reúne criadores, leilões, negócios do setor rural e famílias que aproveitam o período diurno para visitar os pavilhões e manter uma tradição que atravessa gerações.
Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Gilberto Marques Neto, afirmou que a edição atual registra uma das maiores movimentações de animais dos últimos anos. Segundo ele, a quantidade exigiu a divisão da programação em diferentes etapas ao longo da feira.
“Estamos funcionando com a maior quantidade de animais dos últimos tempos”, afirmou. A programação começou ainda na semana da cavalgada, com a 59ª Exposição do Mangalarga Marchador, e depois passou a receber as principais raças bovinas e demais espécies presentes no parque.
Entre os animais expostos estão nelore padrão, nelore mocho, nelore pintado, tabapuã, gir leiteiro, ovinos das raças dorper e white dorper, além de cavalos mangalarga marchador e cavalos crioulos. O espaço também mantém atrações voltadas para crianças, com pequenos animais, pôneis e atividades educativas.

Segundo Gilberto, além da exposição, os criadores realizam comercialização de animais, embriões e sêmen dentro do parque, além de participarem de palestras técnicas e encontros do setor agropecuário. A feira também recebe leilões realizados paralelamente à programação principal.
“O parque virou um grande ambiente de network do agro. Os produtores se encontram, fazem negócios, trocam experiências e participam das programações técnicas durante o dia e dos encontros das associações à noite”, explicou.
A organização optou por concentrar a edição deste ano especialmente na pecuária após observar dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola em feiras recentes, principalmente diante do cenário econômico mais desafiador para empresas do ramo.
“A gente procurou focar na pecuária porque outras feiras voltadas para agricultura tiveram redução de faturamento e dificuldade maior para participação das empresas”, disse Gilberto, ao citar os impactos do alto custo operacional para expositores do setor.
Mesmo com a forte programação musical, o dirigente afirma que a Pecuária mantém a essência tradicional que marcou as primeiras edições da exposição. Segundo ele, o objetivo é conciliar entretenimento, cultura rural e negócios agropecuários.
“Ela se tornou a maior festa do estado, mas não perdeu a essência agropecuária”, afirmou.
Famílias e crianças ocupam os pavilhões durante o dia
Durante o período diurno, o perfil do público muda completamente em relação aos shows noturnos. Famílias, estudantes e visitantes circulam pelos galpões para conhecer os animais, tirar fotos e participar das atrações voltadas ao universo rural.
A estudante de medicina veterinária Larissa Serafim, que visita a Pecuária todos os anos, afirma que o contato com os animais continua sendo um dos principais atrativos do evento. Ao lado do namorado, Ian, ela contou que prefere frequentar a feira durante o dia justamente pela possibilidade de acompanhar as exposições com mais tranquilidade.

“A gente prefere vir de manhã para ver os animais, passar a mão, tirar foto. É um contato que nem todo mundo consegue ter no dia a dia”, disse.
Segundo ela, a edição deste ano ampliou a variedade de animais expostos em comparação ao ano passado. “Achei que tem mais opções para ver”, comentou.
Suieny Fujioka também visitou o parque acompanhada dos filhos. Ela contou que costumava frequentar a Pecuária na juventude para os shows, mas agora decidiu retornar para proporcionar às crianças uma experiência diferente. “Eles não têm esse convívio com os animais. Então é muito interessante trazer para conhecer”, afirmou.

Entre os espaços mais procurados pelas famílias estão a Pecuária Kids, o museu agropecuário, os passeios de carro de boi, o trenzinho e as áreas destinadas aos pequenos animais. No museu, os visitantes podem acompanhar demonstrações tradicionais do meio rural, como moagem de cana com tração animal e fabricação artesanal de rapadura, garapa e doces caseiros.
A movimentação também desperta memórias afetivas em visitantes mais antigos. Gilvan de Oliveira Sousa voltou à Pecuária após cerca de 40 anos sem frequentar o parque e relatou emoção ao rever o ambiente.

“A gente volta no tempo. Antigamente tudo isso aqui era terra em volta. A cidade cresceu, mas a tradição continua”, afirmou.
Segundo ele, apesar das mudanças urbanas ao redor do parque, a feira preserva elementos históricos da cultura agropecuária goiana. “Os pavilhões continuam mantendo essa essência”, disse.
Evento movimenta economia e deve receber mais de 550 mil pessoas
Além das atividades agropecuárias, a Pecuária de Goiânia também movimenta diversos setores da economia durante as semanas de evento. Segundo a SGPA, aproximadamente 11 mil pessoas trabalham direta ou indiretamente na montagem, operação e desmontagem da estrutura.
O impacto econômico atinge hotéis, bares, restaurantes, comércio de roupas e acessórios country, além de empresas ligadas ao setor rural.
Gilberto afirmou que a expectativa de público supera 550 mil visitantes ao longo da programação e que os negócios realizados dentro do parque movimentam cifras milionárias.
Embora tenha evitado divulgar uma estimativa oficial consolidada, o presidente da SGPA afirmou que a movimentação total pode se aproximar de R$ 100 milhões. Ele citou como exemplo o leilão JBJ, realizado durante a feira, que teria movimentado cerca de R$ 260 milhões em negociações envolvendo animais da raça quarto de milha.
“O clima da exposição favorece muito os negócios. Os criadores aproveitam esse ambiente de encontro do agro para realizar vendas e fechar parcerias”, afirmou.
Mesmo com o crescimento da festa e o forte apelo dos shows, a feira segue apostando na tradição agropecuária como principal identidade da exposição.
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