“A palavra do momento é volatilidade”, diz economista sobre fuga de investidores da bolsa brasileira
22 maio 2026 às 14h00

COMPARTILHAR
Em entrevista ao Jornal Opção, a economista e especialista em mercado financeiro Greice Guerra afirmou que a saída de capital estrangeiro da bolsa de valores brasileira é um sinal de alerta para a economia nacional e reflete um cenário de volatilidade que combina fatores externos e internos. A avaliação ocorre após relatório da consultoria Elos Ayta apontar a retirada de R$ 9,64 bilhões em investimentos estrangeiros da Bolsa de Valores brasileira (B3) somente em maio de 2026. O volume representa a maior saída de recursos desde abril de 2024, quando o mercado registrou fuga de R$ 11 bilhões.
Segundo Greice, o movimento ocorre em meio a um cenário internacional considerado “hostil e adverso”, agravado pelos conflitos no Oriente Médio e pelas tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. De acordo com a economista, esse contexto elevou a pressão inflacionária em diversas economias, especialmente devido à alta no preço do petróleo, com reflexos também no Brasil.
A especialista observa que as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estão próximas de 5%, acima da meta oficial de 3%, o que pressiona a manutenção de juros elevados. A expectativa do mercado, segundo ela, é que a taxa Selic encerre o ano entre 13% e 13,25%. Esse ambiente, afirma Greice, reduz a atratividade do mercado brasileiro para investidores e amplia a cautela em relação à bolsa. “Temos hoje uma bolsa de valores fortemente influenciada sob essa ótica global e local”, disse.
A economista também avalia que a volatilidade é alimentada por fatores políticos domésticos, que contribuem para elevar a percepção de risco entre investidores estrangeiros. “Eu diria que a palavra de hoje, se brincar até o final do ano, é a volatilidade”, afirmou.
Além do cenário internacional e político, Greice aponta que a política fiscal do governo federal também pode pesar na percepção do mercado, especialmente diante das discussões sobre gastos públicos, arrecadação e controle inflacionário.
Segundo ela, juros elevados, inflação persistente e incertezas fiscais tendem a pressionar o setor produtivo, reduzir investimentos e afetar o poder de compra das famílias. “A bolsa nada mais é do que a força da economia de um país. Naquele lugar, todas as megaempresas operam transações financeiras”, afirmou.
“Se um revés econômico atinge um país e a bolsa enfraquece, isso pode significar insegurança para um investidor de fora”, concluiu.
Leia também: Grupo Zahran compra Grupo Jaime Câmara



