Quatro pessoas presas e quatro mandados de busca e apreensão cumpridos: esse é o resultado de uma operação deflagrada pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais para investigar uma organização criminosa que teria atuado durante o MotoGP, realizando furtos em apartamentos de alto padrão em Goiânia. De acordo com o delegado Gil Bathaus, as prisões já foram convertidas em preventivas.

Segundo o investigador, a escolha dos apartamentos não acontecia de forma aleatória. Os criminosos realizavam uma espécie de “engenharia social” antes das invasões, levantando informações sobre as vítimas para reduzir os riscos da ação e aumentar as chances de encontrar bens de valor.

Esse monitoramento era feito, principalmente, por meio de publicações no Instagram e no Facebook, onde eles obtinham informações sobre padrão de vida, viagens e períodos em que os moradores estariam fora de casa. “Eles têm toda uma engenharia social antes de cometer o crime. Eles investigam as próprias vítimas, buscam ter a certeza de que, ao entrar no apartamento, vão ter um lucro com aquilo. O risco tem que valer a pena”, afirma o delegado.

Os imóveis escolhidos pelo grupo eram, principalmente, apartamentos de alto padrão. Conforme a investigação, a seleção estava diretamente relacionada ao custo da operação criminosa, especialmente porque os executores se deslocavam de São Paulo para outros estados. “O alvo deles é sempre apartamento de alto padrão, porque até para eles virem para Goiânia custa caro. Aí, eles buscam apartamento de alto padrão para que o crime seja rentável.”

Quem era quem no esquema

De acordo com o delegado, o grupo investigado é oriundo de São Paulo e possui uma estrutura organizada para a prática de furtos. Os executores são jovens, geralmente bem vestidos e de boa aparência, característica utilizada para facilitar o acesso a condomínios de alto padrão.

Essas pessoas eram tidas como “soldados do crime” e podiam ser substituídas com facilidade pela organização. Por esse motivo, a investigação buscou avançar além da identificação dos quatro suspeitos que vieram a Goiânia para cometer os crimes. “Eles são oriundos do Estado de São Paulo e são apelidados de ‘Enzos’, porque são todos jovens, de boa aparência, usam sempre boas roupas para facilitar a entrada nos condomínios de alto padrão que eles invadem. As pessoas que vieram para Goiânia ou que vão para outros estados são os soldados do crime.”

O delegado afirma que os quatro suspeitos foram identificados rapidamente, mas, devido à facilidade com que poderiam ser substituídos, os investigadores aprofundaram as apurações para chegar aos responsáveis pela estrutura do esquema. Nesse momento, foram identificados outros dois integrantes, que seriam o financiador e o planejador.

De acordo com o delegado, o primeiro seria responsável por bancar os custos necessários para a realização dos crimes em troca de participação nos lucros. Já o segundo é apontado como o principal responsável pela organização e pelo planejamento das ações criminosas. “Conseguimos chegar ao financiador, que é aquele que investe para que o crime ocorra, para depois ter um lucro bastante grande em cima disso, e chegamos ao arquiteto do crime, o principal organizador desse tipo de crime lá no Estado de São Paulo.”

Dos seis mandados de prisão expedidos, quatro foram cumpridos até o momento. Dois suspeitos permanecem foragidos, e os mandados também estão em poder da Polícia Civil de São Paulo. “Eram seis mandados de prisão: os quatro executores, o que financiou e o que planejou. Nós cumprimos quatro mandados de prisão. Dois soldados estão foragidos, mas os mandados já estão na mão da Polícia Civil de São Paulo também.”

O delegado alerta ainda para a exposição excessiva nas redes sociais. Ele destaca a importância de ter cautela com postagens que mostrem detalhes da vida pessoal, principalmente publicações que indiquem viagens ou períodos prolongados fora de casa. Segundo ele, esse tipo de informação pode ser monitorado por criminosos interessados em identificar imóveis temporariamente vazios.

“Quanto mais a pessoa expõe sua vida nas redes sociais — ‘vou viajar’, ‘estou indo para o Araguaia’, ‘estou indo para o exterior’ —, quanto mais a pessoa avisa, mais eles ficam sabendo, porque eles monitoram mesmo.”

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