Pauta socioeconômica ditará o tom dos debates políticos nas eleições deste ano

Questões ideológicas terão seu espaço, mas a tendência é de que sejam menos decisivas do que em 2018

O Brasil passa por um cenário econômico fragilizado, com altas taxas de desemprego, inflação nas alturas e aumento da pobreza e da fome. De acordo com especialista político, as pessoas querem ouvir no debate eleitoral de 2022 como a vida delas pode melhorar economicamente, deixando as pautas reformistas em segundo plano. 

Diferentemente da última eleição, em 2018, na qual as demandas de combate à corrupção, segurança pública e renovação da política tomaram conta do debate eleitoral, neste ano, o foco é econômico. “Na eleição passada, as pautas foram mais ideológicas. Uma parcela importante da população, principalmente a mais religiosa, se preocupa muito com as pautas conservadoras, como ser contra o aborto ou o casamento homoafetivo”, destaca o cientista político, Lehninger Mota. O especialista pontua, entretanto, que ainda haverá espaço para essa discussão, mas não será o centro das conversas. Ele relembra também sobre uma das últimas falas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o aborto, na qual o petista afirma que a questão é um caso de saúde pública e como isso repercutiu negativamente.

“As pessoas têm dificuldade em enxergar o que é um programa de governo e o que é uma agenda pessoal da igreja. O governo não deve ser pautado por questões religiosas, pois o Estado é laico para que todas possam professar sua fé sem interferência nenhuma. De toda a forma, essas pautas são relevantes, mas elas serão usadas como ‘pegadinhas’, uma espécie de pergunta para que o candidato possa escorregar e dar repercussão ao programa”, afirma Mota. Ainda, segundo o especialista, a esperança é de que não aconteça o mesmo que houve em 2018, quando essas pautas ideológicas tomaram o centro das eleições. “Naquela época, o debate econômico, sobre saúde e educação ficou em segundo, terceiro e quarto plano. Mas hoje as pessoas estão vivendo uma tragédia social. A maioria dos brasileiros está passando por dificuldade financeira, então, temas como ‘kit gay’ não devem ser relevantes”, diz.

O especialista destaca que o público da política de centro estará atento a projetos de governo que deverão ser apresentados e, isso se faz importante pois essas são “as pessoas que, de fato, decidem o jogo eleitoral. Elas estarão mais ligadas à pauta de projetos e ao que está sendo proposto de novo, pois o Brasil vem patinando há muito tempo e, desde o impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff (PT)], o País está de uma forma que não tínhamos visto ainda”. Apesar da urgência das pautas econômicas, o fenômeno das fakenews também deverá marcar presença em 2022. “Teremos várias tentativas de criar pautas científicas falsas para despertar o medo e o ódio nas pessoas e, infelizmente, isso será visto em todos os lados, pois é uma parte da briga. Se você ficar de fora, você já perdeu, embora, menos decisivo que em 2018”, diz.

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