Para Ana Carla Abrão, suspender leilão da Celg é “atitude extrema”

Se for vendê-la, quem vai querer comprar depois de todo esse processo de insegurança jurídica?”, questiona a ex-secretária da Fazenda

Ana Carla Abrão na CPI da Enel | Foto: Francisco Costa/JornalOpção

A ex-secretária da Fazenda Ana Carla Abrão, que esteve na pasta de 2015 a 2017, disse durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel que um processo de reversão, ou seja, de cassação da atual concessionária, é surpreendente, uma vez que o processo de privatização foi “completamente transparente e correto”.

“Não consigo nem imaginar que nós, em 2019, em um momento em que o Brasil precisa de segurança jurídica, investimentos e estabilidade de regras, estejamos discutindo o cancelamento do leilão [da Celg]. Um leilão que foi feito na bolsa de valores, dentro de todos os processos de correção, de transparência, eu não consigo entender…”

Para ela, esse cancelamento traria grandes impactos, uma vez que a Celg foi privatizada por um motivo muito claro. “Ela não tinha condições de presar um serviço para a população goiana e o Estado de Goiás não tinha condições de fazer investimentos na empresa para permitir que ela fosse capaz de prestar esse serviço com maior qualidade. E mais, a empresa estava quebrando, a beira da falência”.

Questionamentos

Ainda sobre a cassação, Abrão questiona se o governo do Estado tera recursos para investir na Celg e de garantir que não vá perder a concessão se ela for reestatizada. “Segundo: se for vendê-la, quem vai querer comprar depois de todo esse processo de insegurança jurídica?”

Além disso, ela afirma que não tem sentido colocar a empresa novamente dentro do Estado, uma vez que ela foi privatizada justamente, porque Goiás precisa, hoje, focar em educação, saúde e segurança. “E não tem nem recursos suficientes para isso, que dirá para uma empresa que pode ser muito melhor gerida pela iniciativa privada”.

“Então, acho esse processo muito surpreendente. E espero que a conclusão disso tudo seja a Enel conseguir fazer os investimentos que precisam ser feitos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fazer o papel dela de exigir que os indicadores melhorem no tempo correto e que a população goiana tenha aí condições de absorver os investimentos e viver concretamente a melhora dos serviços públicos”, elaborou.

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