Palco de grave acidente, Mutirama foi alvo de investigação de desvio de verba neste ano

Funcionários da Agência Municipal de Turismo e Lazer chegaram a ser presos pela polícia na operação comandada pelo MP

Entrada do Parque Mutirama | Foto: Fernando Leite

O Parque Mutirama, da Prefeitura de Goiânia, voltou a ser notícia na tarde desta quarta-feira (26/7) após um grave acidente em um brinquedo deixar nove crianças e dois adultos feridos, sendo dois em estado grave.

Segundo informações preliminares, a atração chamada “Twister”, que eleva cabines no ar e gira, sofreu uma pane, jogando as pessoas ao chão. Responsável pelo local, o diretor Frank Fraga classificou o ocorrido como uma “tragédia” e garantiu que a manutenção é feita periodicamente.

No entanto, em maio deste ano, uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado de Goiás (Gaeco) desarticulou uma organização criminosa instalada na Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer de Goiânia (Agetul), especializada no desvio de dinheiro advindo da venda de ingressos nos parques Mutirama e zoológico.

A investigação constatou que o esquema envolvia desde integrantes do alto escalão municipal até funcionários com cargos mais comuns, como bilheteiros e catraqueiros — todos indicados por políticos para o funcionamento da quadrilha. Na ocasião, quatro pessoas chegaram a ser presas temporariamente.

Batizada de “Multigrana”, em alusão ao nome do parque Mutirama, a operação revelou que os desvios funcionavam de duas maneiras principais: quando o ingresso, que é feito de papel, vendido não era danificado pelo visitante, os funcionários o recolhiam e vendiam novamente. Assim, o dinheiro proveniente do caixa 2 ficava com a quadrilha.

Por outro lado, quando o ingresso era rasgado ou rasurado, os suspeitos usavam gráficas para fazer a duplicata, que voltava para os caixas do zoológico e do Mutirama. Para se ter ideia, em um único final de semana, o MP-GO conseguiu identificar prejuízo de mais de R$ 60 mil aos cofres públicos.

Segundo depoimentos colhidos pelo Gaeco, a organização criminosa funciona há pelo menos quatro gestões diversas na autarquia municipal, atingindo as gestões do atual prefeito, Iris Rezende (PMDB) — 2005-2010 — e Paulo Garcia (PT) — 2010-2016. Só foi debelado com a presente operação.

No entanto, o MP-GO segue com as investigações, mas ninguém foi indiciado e nem condenado pelo denunciado desvio de dinheiro. Segundo o diretor do parque, a “questão judicial está sendo resolvida” e o Mutirama “funciona normalmente dentro das normas legais”.

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