Padre é preso em Goiás acusado de abuso sexual de jovens para “recuperar virgindade”

Ação foi em cumprimento a mandado expedido pela Justiça em Anicuns após requerimento feito pelo Ministério Público de Goiás

Em cumprimento a mandado expedido pela Justiça em Anicuns, o padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira foi preso nesta quarta-feira (16/8) em Caiapônia, na Operação Sacrilégio. A prisão foi determinada pelo Judiciário em atendimento a requerimento feito pelo Ministério Público de Goiás, que investiga acusações de abuso sexual contra o religioso feitas por jovens residentes em Americano do Brasil. A prisão do religioso ocorreu em Caiapônia, por cuja paróquia ele responde.

O padre detido foi levado para Anicuns, onde prestaria depoimento ao MP ainda hoje. O cumprimento da ordem judicial de prisão foi feito pelo promotor Danni Sales Silva, que conduziu as investigações, com apoio do Centro de Inteligência (CI) do MP e das Polícias Militar e Civil. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência do suspeito, tendo sido apreendidos no local computador, arquivos de mídia, pen drives e um celular.

A investigação apura, inicialmente, a prática, pelo religioso, dos crimes de violação sexual mediante fraude, como adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. A partir da deflagração da operação, a apuração deve avançar ainda para verificar se teria havido também a prática de estupro de vulnerável.

A apuração que está sendo conduzida pelo MP foi instruída com o depoimento das jovens que teriam sido abusadas pelo padre e também de amigos e familiares que conheciam as histórias. Conforme os relatos, alguns dos abusos ocorreram dentro da casa paroquial de Americano do Brasil, no período em que o religioso esteve naquela paróquia.

Santificação

Os depoimentos detalharam a estratégia que teria sido utilizada pelo padre para seduzir e convencer as vítimas a aceitar a prática do abuso. De acordo com o relato de uma delas, hoje com 17 anos, quando tinha 14 (em 2014), ela teria procurado o religioso e se confessado com ele, em razão de ter perdido a virgindade e estar arrependida. O suspeito, então, a teria questionado se, caso houvesse uma forma de ela recuperar a virgindade, ela aceitaria fazer o procedimento.

Com o “sim” da jovem, o religioso a teria orientado a ir em casa tomar banho e retornar depois à casa paroquial. Ao voltar, destacou a garota nas declarações ao promotor, o padre teria dito que faria um procedimento de “santificação” para que ela voltasse a ser virgem. Em seguida, teria solicitado que ela tirasse toda a roupa e a teria tocado em várias partes do corpo, seios, por exemplo, e também a genitália. O toque na vagina, segundo afirmado à vítima, teria como finalidade exatamente “santificar” o local para a recuperação da virgindade.

Esses contatos íntimos, salienta o depoimento, teriam continuado em outras ocasiões, como em um encontro religioso em Caldas Novas em 2015. Nessa ocasião, o padre teria explicado à jovem que iria tocá-la para conferir se “havia voltado a ser virgem”.

A jovem relatou ainda ao MP que trocou várias mensagens por aplicativo de celular com o religioso, nas quais ele a teria orientado a seguir um outro ritual de santificação, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a “santificação”. Essa troca de mensagens foi objeto do registro em uma ata notarial em cartório, medida aconselhada por uma amiga da garota, e também de uma medida judicial de interceptação telemática, que comprovou as conversas.

Já com as conversas sob monitoramento telemático, o suspeito, neste mês de agosto, solicitou novamente por mensagem novas fotos da vítima, em várias posições, incluindo a genitália. Com base nessas mensagens, a equipe do CI solicitou a identificação do proprietário do número do celular, confirmando pertencer ao padre. Esse fatos levararam ao requerimento da prisão preventiva e à deflagração da operação.

Com uma outra jovem ouvida pelo MP, os fatos, bem semelhantes, inclusive com o ritual da santificação, teriam ocorrido quando ela tinha 21 anos, também em 2014. (Com assessoria do MP)

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joao ap

essa garota é bastante inocente,que pena.

CÍCERO JOSÉ DE OLIVEIRA

EU SEMPRE DIGO, A IGREJA CATÓLICA É UMA FARSA DE TODOS OS TEMPOS. QUANDO ACONTECE ESSES CASOS DE PEDOFILIA, SÓ HÁ ALGUMA PUNIÇÃO SE A JUSTIÇA AGIR COM RIGOR. PORQUE MUITOS CASOS FICAM NA IMPUNIDADE PELO PRÓPRIO DESEJO DA IGREJA. A PUNIÇÃO É SIMPLESMENTE TRANSFERIR O CANALHA DE UMA DIOCESE PARA OUTRA. SENDO QUE DESSE JEITO A IGREJA É COVARDE E PERVERSA COM AS VÍTIMAS. RIDÍCULO O PAPEL DA IGREJA!