“Ouvia vozes e conversava sozinho”: companheira de suspeito de agredir professora da UFG relata mudança de comportamento após acidente
22 outubro 2026 às 17h57

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A companheira de Kaio Kalton de Brito Soares, Kiuane Vitória Batista, afirmou que viajouo a Goiânia acompanha da mãe dele para obter mais informou sobre ele, que foi preso após ser flagrado agredindo a professora da Universidade Federal de Goiás, Elizabeth A companheira de Kaio Kalton de Brito Soares, Kiuane Vitória Batista, afirmou que viajou a Goiânia acompanhada da mãe dele para obter mais informações sobre o jovem, que foi preso após ser flagrado agredindo a professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG), Elizabeth Caramaschi, de 79 anos, com uma garrafa de vidro quebrada. Em entrevista ao Jornal Opção, ela relatou que Kaio sofreu um acidente em 2019 e, desde então, passou a apresentar episódios em que dizia ouvir vozes e conversava sozinho.
“O Kaio sempre foi muito tranquilo, uma pessoa trabalhadora, no canto dele. Ele não gostava de sair e ficar se encontrando com muita gente. Eram poucas as pessoas em quem ele confiava. Em 2019, ele sofreu um acidente e teve um traumatismo craniano. Era para ele fazer uma ressonância, para verificar se tinha ficado com alguma sequela, mas ele nunca quis fazer esse exame”, destacou.
Segundo Kiuane, esses episódios duravam aproximadamente uma ou duas horas. Depois, ele voltava ao comportamento habitual e afirmava não se lembrar do que havia acontecido. Ela ressaltou ainda que o jovem resistia às tentativas da família de convencê-lo a procurar atendimento médico e realizar exames para investigar possíveis sequelas do acidente.
“Desde esse acidente, ele começou a falar sozinho, a dizer que escutava vozes e a ficar mais no canto dele. Quando estava assim, pegava o celular, ia para um canto, ficava ouvindo música e conversando sozinho. Toda vez que a gente falava para ele fazer uma ressonância ou procurar um médico, ele dizia que não precisava. Falava que, se tinha nascido do jeito que nasceu, iria morrer do jeito que nasceu e que não precisava de tratamento.”
22 dias desaparecido
Segundo Kiuane, Kaio estava desaparecido havia 22 dias quando a família descobriu que ele estava em Goiânia. Ela contou que o companheiro saiu de casa dizendo que iria trabalhar, mas nunca mais retornou.
A mulher afirmou que o jovem não tinha histórico de desaparecimentos e que a família chegou a registrar uma ocorrência para comunicar o caso.
“Toda vez que entrávamos em contato com a polícia responsável, eles falavam para ficarmos tranquilos, porque estavam fazendo o trabalho deles. Diziam que não era para ficar mandando mensagem nem nada”, relatou.
Durante o período em que Kaio esteve desaparecido, a família recebeu diversos relatos de que ele teria sido visto caminhando sozinho às margens de uma rodovia, carregando uma garrafa de água debaixo do braço. Segundo Kiuane, o companheiro nunca havia visitado Goiânia e não possui conhecidos na capital.
Ela também contou como a família descobriu que o jovem havia sido localizado e estava envolvido na agressão à professora aposentada.
“Eu estava no meu serviço quando a mãe dele me ligou, falando que uma amiga tinha contado que, na tarde do dia 19, havia passado na televisão que o Kaio tinha agredido uma pessoa. Só que nós não sabíamos se, de fato, era ele. Assim que desligou, ela me ligou novamente, falando que estava passando na televisão naquele momento, e me mandou a gravação. Era ele mesmo, só que estava irreconhecível. Não estava nem um pouco parecido com a mesma pessoa que saiu de casa naquele dia”, reforçou.
Investigação
Kiuane contou que a mãe de Kaio prestou depoimento na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia, mas não informou detalhes sobre o teor das declarações.
Mais cedo, o Jornal Opção informou que a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o ataque à professora aposentada tenha ocorrido durante um possível surto psicótico.
Segundo o delegado responsável pelo caso, as investigações apontam que Kaio Kalton de Brito Soares, de 22 anos, perseguia outra pessoa antes de se voltar contra a professora e agredi-la violentamente. O ataque ocorreu no último domingo, 18, nas proximidades do Parque Vaca Brava, no Setor Bueno, em Goiânia. O suspeito foi preso em flagrante e permanece sob custódia.
Inicialmente encaminhado à Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), o inquérito foi transferido para a DIH após diligências indicarem que o agressor não conhecia Elizabeth. “Não encontramos nenhuma relação, nenhum motivo para ele ter agredido essa mulher”, afirmou Telles.
Leia também: Polícia investiga possível surto psicótico em ataque a professora da UFG e afasta hipótese de feminicídio


