As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmam ter chegado a um acordo para a abertura total e simultânea de seus sigilos. A medida, no entanto, ainda depende de autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O senador Camilo Santana, integrante da campanha petista, apresentou o documento à imprensa nesta quinta-feira, 22. Segundo ele, a petição será encaminhada ao ministro André Mendonça, relator do caso no TSE. O pedido prevê a divulgação pública dos dados autorizados pelos dois candidatos.

Para isso, será necessário que Mendonça determine a requisição das informações ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. “Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”, afirma o documento.

Pelo acordo, os dados deverão ser disponibilizados até as 23h59 desta quinta-feira, 22, após as providências necessárias. Mais cedo, a defesa de Lula informou ao TSE que o presidente não se opõe à abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O petista, porém, defende que o desafio proposto inicialmente seja cumprido integralmente.

Entre as exigências está a inclusão de dados da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio Bolsonaro. A petição apresentada pela defesa de Lula afirma que a Polícia Federal encontrou registros que indicariam Flávio como “usuário master” de uma conta da empresa em um banco privado.

Segundo o documento, o vínculo teria sido encerrado em maio de 2025, após o início da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O texto também menciona uma viagem de Flávio em um jato executivo ligado à empresa de Willer Tomaz.

“Se, como [o candidato do PL] afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta”, diz a petição de Lula. As alegações constam na manifestação da campanha petista e não representam, por si só, comprovação de irregularidade por parte do senador.

O acordo apresentado nesta quinta-feira prevê a abertura dos sigilos nas condições aceitas pelos dois candidatos, incluindo autorizações já apresentadas em relação a familiares e empresas. “A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026”, afirma o texto.

A petição pede que André Mendonça determine ainda nesta quinta-feira a requisição das informações aos órgãos e às instituições envolvidos. A proposta é que os dados sejam publicados simultaneamente no DivulgaCandContas, sistema do TSE, ou em outra plataforma de acesso público.

O documento é assinado por Lula e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. A divulgação dos dados, contudo, depende da decisão do ministro e das providências necessárias para o cumprimento do pedido.

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