Odebrecht é denunciada por incêndio que destruiu fazenda e assentamentos em Goiás

Representante da usina chegou a afirmar que arcaria com todos os prejuízos, mas, logo depois, mudou de opinião e negou participação em queimada

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Atualizada às 9 horas do dia 28 de julho

Um incêndio destruiu uma propriedade rural e ao menos 10 assentamentos do Incra no município de Caçu, localizado no sudoeste goiano. Conforme denúncia, a usina ETH Rio Claro, do grupo Odebretch, teria causado a queimada.

Segundo Boletim de Ocorrência, no último dia 15 de julho, um representante da indústria teria avisado aos assentados e a um responsável pela fazenda que atearia fogo em uma “palhada” próxima às propriedades rurais. As queimadas, segundo relata a indústria, é legal e possui autorização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

No dia seguinte, 16, o fogo teria se alastrado pela região, destruindo a vegetação local, cercas, reservatórios de água e até parte do rebanho. Antes, assentados e um funcionário da fazenda afirmaram ter notado que o fogo ateado pela usina na véspera da tragédia não havia sido apagado de maneira correta.

Logo após o incêndio, o representante da indústria se reuniu com os assentados e garantiu o ressarcimento dos prejuízos. No dia seguinte, entretanto, teria mudado de ideia, negando a participação na queimada, e ainda sugerido que o incêndio poderia ter sido criminoso.

A indústria também informou que disponibilizou caminhões-pipa e patrolas para tentar conter o fogo, o que é desconhecido pelos proprietários.

Em entrevista, Ricardo Vilela Ribeiro, proprietário da fazenda, que teve, segundo ele, “100% do local destruído”, afirmou que a usina se eximiu de qualquer responsabilidade. “Chegaram a ir na minha propriedade, sem minha autorização, para medir a área queimada e depois mudaram de ideia”, contou.

O Jornal Opção entrou em contato com a Unidade Rio Claro da Odebrecth Agroindustrial, mas as ligações da reportagem não foram atendidas. Já o prefeito de Caçu, Gilmar Guimarães, preferiu não comentar o episódio e alegou não ter informações sobre o caso.

Atualização

Na noite da quarta-feira (27/7), a Unidade Rio Claro da Odebrecth Agroindustrial encaminhou nota ao Jornal Opção afirmando que foi a própria empresa quem registrou o boletim de ocorrência e “trabalha para identificar os responsáveis”.

Veja:

Nota de esclarecimento 

Sobre as questões relativas aos focos de incêndio em fazendas do entorno da Unidade Rio Claro, a empresa esclarece que:

  • Há 10 dias registrou diversas ocorrências de incêndio, ocorridas simultaneamente em locais diferentes em fazendas do entorno das suas operações;
  • Os incêndios em canaviais são de extremo perigo à região pois, pela incidência de ventos fortes e alto índice de estiagem nesta época do ano, se estendem não só a área inicialmente atingida. Neste período, o fogo se iniciou em uma área de Preservação Ambiental não pertencente a empresa e se estendeu a propriedades vizinhas, sendo que algumas delas produzem cana-de-açúcar;
  • Para combater o fogo, a Unidade acionou a sua brigada de incêndio, que atualmente apoia as cidades circunvizinhas pois participa do PAME – Plano de Apoio Mútuo e Emergencial. Não houve vítimas.
  • Os incêndios, com indícios criminosos, causam sérios prejuízos à cidade, à comunidade e aos produtores da região. As causas dos incêndios nas fazendas onde a empresa tem operação estão sendo investigadas depois do boletim de ocorrência registrado pela empresa que, junto com as autoridades locais, trabalha para identificar os responsáveis pelo ato.
  • A Empresa reforça ainda que todas as suas Unidades operam de maneira 100% mecanizada desde a sua fundação em 2007.

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