Obra da trincheira da Rua 90 x Av. 136: questões ambientais e estruturais preocupam moradores

Vereadora Dra. Cristina, que realiza reuniões periódicas com pessoas que moram e trabalham na região afirma que o projeto carece de planejamento

Foto: Ítalo Wolff / Jornal Opção

A obra da trincheira entre a Rua 90 e a Avenida 136 completou três meses esta semana. Desde 1º de abril, os transtornos têm promovido diversos tipos de incômodo. O barulho dos trabalhos em algumas madrugadas, o esvaziamento do comércio local e questões ambientais são temas de reclamações em reuniões promovidas semanalmente entre moradores.

Uma nova preocupação foi apontada pela vereadora Dra. Cristina (PSDB), em entrevista ao Jornal Opção. Para a parlamentar, que participa das reuniões, a questão ambiental precisa ser considerada. De acordo com ela, o rebaixamento do lençol freático preocupa. “Uma obra que alega ser uma obra para otimizar a mobilidade urbana e faz rebaixamento de via, que não é mais obra de mobilidade em nenhum lugar do mundo. Já está comprovado que não otimiza o trânsito”, observa.

Dra. Cristina alega que a água drenada durante o rebaixamento do lençol freático irá prejudicar o Córrego Botafogo. “Estamos no período da seca, quando tiverem de cavar, terão de drenar a água para o córrego Botafogo. O que gera mais problemas numa obra que já é condenada, que é a Marginal Botafogo”, explica.

Outra angústia da vereadora é com possíveis abalos nas edificações dos prédios localizados nas imediações. Dra. Cristina aponta falhas de planejamento da obra. “O problema da passagem de veículos com muito peso no solo que pode ter impacto em cinco anos”, frisa. “É uma porção de coisas que não foram planejadas. Vão lidando com elas no momento em que surgem”.

Confira a entrevista na íntegra:
Jornal Opção – Quais suas principais preocupações com a obra?
Dra Cristina – Tenho várias preocupações ali, mas a principal é com o meio ambiente, com o rebaixamento do lençol freático. Uma obra que alega ser uma obra para otimizar a mobilidade urbana e faz rebaixamento de via, que não é mais obra de mobilidade em nenhum lugar do mundo. Já está comprovado que não otimiza o trânsito.
Mas o pior para mim é a questão da água, e nós estamos no período da seca, quando tiverem de cavar, terão de drenar a água para o córrego Botafogo. O que gera mais problemas numa obra que já é condenada, que é a Marginal Botafogo.
Esse para mim é o pior, mas também existe o problema da redução das calçadas; o abalo dos prédios no entorno da obra; o problema da passagem de veículos com muito peso no solo que pode ter impacto em cinco anos. É uma porção de coisas que não foram planejadas. Vão lidando com elas no momento em que surgem.

Jornal Opção – O que a senhora recebe de feedback dos moradores e lojistas dos arredores?
Dra Cristina – Houve 30% de redução de vendas no comércio e visitas de clientes. Já houve acidentes que os lojistas pediram para não divulgar porque têm medo de espantar ainda mais a população de seus negócios. A equipe da obra está atendendo, ouvindo, tentando acalmar a população, isso eles fazem. Mas fica claro nas reuniões que não há planejamento de começo meio e fim.

Jornal Opção – Como a obra conseguiu ser iniciada sem esses estudos básicos?
Dra Cristina – Na verdade, ela foi projetada pelo governo do Paulo Garcia. É uma obra que fez parte de várias capitais do Brasil, que era um planejamento do Governo Federal. A única capital que eu conheço que a executou com começo, meio e fim foi Curitiba. Muitas estão com obras pelo meio, inacabadas. Esse projeto foi discutido em audiências públicas, mas foram audiências públicas muito tímidas, porque não se tinha perspectiva de conclusão da obra. O movimento maior foi em torno da avenida Urias Magalhães, lá no setor Urias, porque lá derrubaram Flamboyants e isso causou muita comoção, os comerciantes perderam muito. Nós questionamos o impacto ambiental desde o início.
A Seinfra acatou o relatório de um geólogo dizendo que não haveria impacto. Mas ainda assim, nós formalizamos uma representação no Ministério Público Federal, que é a quem compete a causa do meio ambiente. O desembargador nos recebeu, ouviu a comunidade, nós fomos em mais de 50 pessoas entre moradores, síndicos, lojistas… E ele se comprometeu a enviar um engenheiro técnico. Ele veio e fez um laudo dizendo que não haveria impacto ambiental.
Todas as possibilidades, os recursos, os fóruns onde poderíamos fazer esse questionamento foi feito, mas infelizmente houve uma concordância com a obra. Isso que me frustra muito porque sabemos da dificuldade da relação entre executivo e legislativo, mas temos uma esperança muito grande no judiciário, principalmente nessas causas transversais como mobilidade urbana, meio ambiente, fornecimento de água e energia. Essas coisas são muito mais sérias do que uma administração.
Agora que estão tocando a obra, estamos dando suporte para a comunidade afetada. Tenho um canal constante de comunicação com a população dos arredores das obras, e temos procurado acalmar e tentar diminuir o impacto. Mas estou com muito medo pelos pedestres porque a calçada vai ser reduzida quase que pela metade. Temos muitas pessoas de idade que vivem no entorno há mais de 30 anos, então o impacto é grande.

Jornal Opção – A senhora pretende fazer o mesmo acompanhamento com as próximas obras que ainda estão para começar?
Dra Cristina – Sim. Já estamos acompanhando, conversando com a população. Porque o problema é que as pessoas só se mexem quando o problema bate à porta delas.

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