O movimento que quer “virar a página” da polarização política no Brasil

“Acredito” já mobiliza cerca de mil jovens pelo país e recentemente recebeu as bençãos do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama

Lançamento do Acredito em Goiânia, em agosto deste ano | Foto: Reprodução / Facebook

Criar soluções para enfrentar o problema da falta de representatividade política no País é o que motivou um grupo de jovens de diversas áreas a criarem o “Acredito”, um movimento político que pretende ampliar o debate para além das polarização entre esquerda e direita e quer apoiar candidatos já para as eleições de 2018.

Um dos líderes do movimento, o goiano José Frederico Lyra Netto, 33, em entrevista ao Jornal Opção, classificou a nova plataforma como um “movimento de renovação política nacional e suprapartidário”. Sem a pretensão de se tornar um partido político, eles querem identificar possíveis lideranças que, estando de acordo com os ideais do movimento, poderão passar a representá-lo nos parlamentos do País.

“Percebemos que a população sempre reclama do Congresso, mas olha mais para o Executivo na hora de votar. O nosso grande projeto é levar uma nova geração para o Congresso em um período de dez anos, até 2026, apoiando candidaturas de pessoas de vários partidos, mas que compartilhem do nosso mesmo ideal”, explicou.

Mas quais seriam esses ideais? Em um manifesto lançado em agosto deste ano, eles definem uma prioridade: o combate à desigualdade no Brasil. Para tanto, porém, os integrantes do Acredito defendem que as soluções devem ser pensadas além dos rótulos de “direita” e “esquerda”.

“Achamos que todo radicalismo é prejudicial e que esses rótulos da Revolução Francesa já não explicam tão bem a sociedade de 2017. Às vezes, existem posicionamentos que caem no rótulo de esquerda ou direita e para nós isso não é problema. A gente quer buscar solução dos problemas, independente da autoria. Queremos de fato dialogar e aproximar as pessoas que acham que tem mais coisas para além desses rótulos. Queremos virar essa página do radicalismo e da polarização”, explicou.

2018

Apesar de não ter pretensão de se tornar um partido futuramente, integrantes já se movimentam para realização de “prévias” nas quais serão votados os candidatos que receberão apoio do Acredito no ano que vem.

“Ainda não deliberamos quais candidatos serão esses e também não temos veto a nenhum partido, mas naturalmente aquelas siglas que polarizam muito o debate terão menos chances”. Lyra garante que o movimento não vai apoiar candidatura para cargos do Executivo em 2018.

São 50 líderes e cerca de mil pessoas envolvidas em dez Estados do Brasil. A cada mês eles promovem debates sobre grandes temas e, ao fim, definem posicionamentos que futuramente nortearão os candidatos do Acredito.

“Ano que vem será a eleição com maior chance para que pessoas comuns, não artistas ou celebridades, mas comuns mesmo, tenham vez e voz na política. Mas para isso temos que, de alguma forma, identificar e dar visibilidade a essas pessoas, dar suporte para que elas consigam dialogar com a sociedade. Se lá na frente as pessoas optarem por não votar pela renovação, que isso seja uma escolha legítima e não por falta de oportunidade”.

Apesar disso, José Frederico também pondera que a renovação nem sempre é positiva. “A renovação não é necessariamente boa. Nos Estados Unidos, o Donald Trump foi uma renovação. Em algumas camadas da sociedade, o Bolsonaro é considerado uma renovação. Além disso, existe também muita ingenuidade em eleger uma cara nova, mas que chega com velhas práticas políticas”, exemplificou.

“Então o nosso desafio é também promover uma renovação qualificada. Para isso, temos que dialogar com a sociedade e mostrar que existem boas opções além das já conhecidas”, completa.

Obama Foundation

Jovens brasileiros em encontro com o presidente Barack Obama, em São Paulo | Reprodução / Facebook

Dois representantes do movimento se encontraram com o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama na última sexta-feira (5/10), em São Paulo. José Frederico e Tábata Amaral, 23, participaram de uma reunião de cerca de 1 hora com o americano e outros 9 jovens brasileiros líderes de seus próprios projetos.

Por meio da Obama Foundation, o objetivo do ex-presidente no Brasil era ouvir as demandas dos jovens representantes para que a fundação possa avaliar como pode ajudar no desenvolvimento do projeto. Agora como parte da rede da fundação, os líderes do Acredito estarão em contato com outros líderes de movimentos políticos pelo mundo e terão apoio da organização para otimizar a captação de recursos, hoje feita exclusivamente por doações de pessoas físicas.

Para José Frederico, a grande lição que ficou do encontro com uma de suas inspirações na política, foi que a melhor forma de enfrentar a crise de liderança política, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, é retornar às bases. “Ele nos disse que o segredo da verdadeira mobilização não é chegar nas comunidades e dizer o que as pessoas têm que fazer, mas empoderá-las a encontrar o caminho. Falou também que não estamos sozinhos nesses desafios. E que a missão dele, agora, é ajudar gente como nós”, relatou.

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Teteu

Sei não. Já começa se alinhando com o Big Brother!