Após o Jornal Opção publicar a história de herdeiras de apartamento, que pagavam IPTU e condomínio sem saber que imóvel já havia sido vendido, um novo denunciante procurou a reportagem e relatou ter sido vítima do mesmo suposto esquema de fraude imobiliária.

A investigação da Polícia Civil de Goiás envolve o empresário André Bueno Fleury de Amorim e o Residencial Skygarden Marista, em Goiânia. O empresário Antonio Luis Moreira afirma ter adquirido duas unidades no empreendimento ainda na planta, em 2017, mas recebeu apenas um dos imóveis.

O segundo apartamento, segundo ele, teria sido transferido para outra pessoa sem autorização. “Meu caso é igualzinho, é cópia desse outro. Eu também tenho duas unidades. Uma unidade eu recebi e a outra eles venderam para outra pessoa. Já tem outro dono”, afirmou.

O relato guarda semelhanças com o caso revelado anteriormente pela Jornal Opção, envolvendo as herdeiras de um comprador falecido que também teriam perdido uma das unidades adquiridas no mesmo empreendimento.

Antonio conta que comprou os imóveis ainda na fase de lançamento do prédio, pagando as unidades em 54 parcelas, além de arcar com reajustes posteriores. “Eu financiei duas unidades em 54 parcelas iguais. Depois eles fizeram reajustes, eu paguei todos os reajustes”, disse.

Segundo ele, os apartamentos ficavam nos andares mais altos do edifício, o que aumentava significativamente o valor de mercado dos imóveis. “Eu tinha uma unidade no 4001 e outra no 3901. Esses apartamentos mais altos têm um valor maior”, explicou.

De acordo com Antonio, sem autorização prévia, uma das unidades foi substituída pela construtora. “Eles trocaram o meu 4001 pelo 3301, sem me consultar nem nada. Mas eu aceitei aquilo porque já tinha passado um ano e eu não sabia”, contou.

Ele afirma ter recebido oficialmente apenas a unidade 3901, cuja escritura foi concluída em dezembro de 2025. Já o outro imóvel nunca foi transferido. “O outro eles ficaram me enrolando com a documentação, dizendo que não dava para transferir. Mas eu estava pagando condomínio, IPTU, pagando tudo. Todos os encargos”, afirmou.

Tentativas de acordo não avançaram

Segundo Antonio, ao perceber indícios de irregularidades, ele tentou negociar alternativas com a empresa responsável pelo empreendimento. “Quando eu percebi que o negócio estava cheirando golpe, tentei de todas as maneiras fazer um acordo com eles”, relatou.

Ele chegou a propor a troca da unidade por outro imóvel em empreendimentos da mesma incorporadora, como o Arte Verde, também localizado no Setor Marista. “Já que eles não dispunham mais da minha unidade no Skygarden, tentei trocar para pegar uma unidade no Arte Verde, que é um padrão um pouco inferior. Eu faria qualquer negócio para não ter um prejuízo grande”, disse.

Segundo ele, nenhuma proposta foi aceita. “Me enrolaram mais uns meses, ganhando tempo. Tentei pegar em outros imóveis deles, também não funcionou. Todas as propostas que eu fiz nenhuma foi aceita e eles nunca fizeram uma proposta de aceite para mim”, declarou.

Antonio afirma acreditar que o suposto esquema tenha sido praticado de forma sistemática. “Tem mais uns dez casos de pessoas semelhantes. Então foi um golpe planejado”, afirmou. Segundo ele, o padrão das negociações seria repetido com diferentes compradores do empreendimento.

“Eles repetem o mesmo padrão com o pessoal que comprou. É o mesmo padrão que eles utilizam”, disse. O investidor estima que o prejuízo atualizado ultrapasse R$ 2,2 milhões. “Hoje, em torno de R$ 2 milhões e R$ 200 mil. É um apartamento de 230 metros quadrados. Se você colocar R$ 10 mil o metro quadrado, é o mínimo naquela região do Marista, porque é um prédio nobre”, afirmou.

Antonio Luis Moreira informou que registrou nesta terça-feira, 19, denúncia formal junto à Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon). O caso se soma a outras denúncias já investigadas pela polícia envolvendo o modelo de comercialização do Residencial Skygarden Marista.

A investigação aponta suspeitas de alienação fraudulenta de imóveis, uso irregular de contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP) e comercialização de unidades antes do registro oficial da incorporação imobiliária. O Jornal Opção mantém o espaço aberto para manifestação da defesa de André Bueno Fleury de Amorim e das empresas citadas na reportagem.

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