Nove meses após assumir prefeitura, Iris diz que ainda está “ajustando a máquina”

Em prestação de contas na Câmara Municipal, prefeito de Goiânia apresentou déficit mensal maior do que quando assumiu

Iris Rezende (PMDB) na Câmara Municipal durante prestação de contas do 2º quadrimestre | Foto: Divulgação / Prefeitura de Goiânia

Em prestação de contas referente ao segundo quadrimestre de 2017, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), apresentou na manhã desta sexta-feira (29/9) um aumento no déficit mensal da prefeitura em comparação ao valor anunciado em janeiro, referente à gestão passada.

O déficit mensal, que era de R$ 30 milhões, passou para R$ 31 milhões. Ao justificar a não diminuição do déficit, Iris voltou a argumentar que foi uma dívida herdada da gestão de Paulo Garcia e disse que ainda está “ajustando a máquina”. “Nos últimos dois anos, a prefeitura vinha experimentando o déficit mensal de R$ 31 milhões por mês. Recebi a prefeitura com mais de R$ 600 milhões de dívida […] Estamos ajustando a máquina com um esforço muito grande, para que não ocorra atraso nos salários dos funcionários”, disse

Apesar das discussões em torno do rombo mensal, a visita do prefeito à Câmara foi, mais uma vez, mais política do que técnica. O recém-empossado secretário de Finanças, Alessandro Melo, não se pronunciou nem concedeu entrevista à imprensa. Entre os poucos dados apresentados, a prefeitura afirma que nos primeiros oito meses de 2017 a arrecadação foi de R$ 2,87 bilhões, o que, segundo a prefeitura, é uma queda real de 0,18% comparada à receita do mesmo período do ano passado.  

Ainda segundo os números, a administração ficou dentro do limite de Responsabilidade Fiscal nos gastos com pessoal, com a destinação de 44,69% da receita corrente líquida. O máximo permitido é de 54%. O valor da dívida consolidada apresentada foi de R$ 536 milhões. 

Para o presidente da Comissão Mista, vereador Lucas Kitão (PSL), o déficit mensal apresentando pela prefeitura é o ponto mais preocupante. “Nossa maior preocupação é que a prefeitura aumente os impostos para poder cobrir esse rombo. A gente cobra da prefeitura uma reforma administrativa, que seria acabar com alguns cargos, diminuir o número de secretarias e cortar despesas, para não ter que passar essa conta para o contribuinte”, arrematou.

Aumento de impostos e atrito entre poderes

Mais uma vez, porém, o prefeito Iris Rezende (PMDB) voltou a sinalizar que pretende aumentar impostos para melhorar arrecadação da prefeitura. “Não tenho medo de aumentar impostos quando é preciso”, chegou a declarar em certo momento da sessão.

Segundo o presidente da Comissão Mista, este posicionamento é mais um ponto de divergência entre o Executivo e o Legislativo. “Existe falta de conexão entre o Paço e a Câmara. Nós não aceitamos aumento de impostos. Nós queremos que os impostos sejam, pelo contrário, reduzidos”, salientou.

Para a vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB), as respostas do prefeito foram insuficientes. “Se o questionamento for político ou técnico, ele não responde da mesma forma. Ele não tem nas mãos qualquer planilha, não está aqui para responder. Ele está aqui para contar histórias e falar da vida dele, que eu pessoalmente admiro e respeito muito, mas Goiânia esperava mais dele”, lamentou a vereadora.

Parlamentares da base e da oposição aproveitaram a presença de Iris para fazer reclamações sobre a falta de ação do Paço em questões pontuais e ainda quanto à falta de diálogo do poder com a Câmara. O prefeito, por sua vez, minimizou a indisposição com os vereadores.  “Hoje meu relacionamento com a Câmara é muito melhor do que quando assumi, no primeiro mês de mandato. Conto com apoio mais de dois terços dos vereadores”, frizou.

Apesar da declaração, é importante lembrar que o prefeito não tem conseguido votos suficientes em votações importantes, como na aprovação do projeto que acaba com o IPTU contínuo em Goiânia, em agosto, e do projeto que estendeu o Refis 2017 até dezembro, na última quinta-feira (28/8).

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