A falta de clareza sobre as responsabilidades de cada profissional deixou de ser apenas um problema de gestão para integrar oficialmente a lista de riscos psicossociais que devem ser monitorados pelas empresas. A mudança passou a valer com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde maio, e reforça a necessidade de identificar fatores que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores.

O encontro será realizado na quarta-feira, 5 de agosto, às 9h, na sede do Seac/Sindesp, localizada na Rua dos Bombeiros, nº 128, no Parque Amazônia, em Goiânia. A participação é gratuita, mediante inscrição pelo site www.iafas.org.br.

A alteração acompanha um cenário de crescimento dos afastamentos relacionados a transtornos psicológicos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, em 2022, casos de ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse grave e de adaptação responderam por 8,35% dos adoecimentos ocupacionais registrados no Brasil. O grupo foi o segundo principal motivo de afastamentos, atrás apenas da dorsalgia.

Entre os fatores previstos pela nova regulamentação está a chamada baixa clareza de papel e função, situação em que o trabalhador não sabe exatamente quais são suas atribuições, prioridades, limites de atuação ou resultados esperados. A indefinição pode gerar insegurança, retrabalho, conflitos entre equipes e aumento da sobrecarga, além de afetar diretamente a saúde mental.

Organização do trabalho influencia o bem-estar

Para o engenheiro de Segurança do Trabalho do Instituto de Apoio aos Funcionários Ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra (Iafas), Glauco Vieira, a forma como o trabalho é organizado exerce impacto direto sobre o equilíbrio emocional dos profissionais.

“Quando as responsabilidades não estão bem definidas, o trabalhador passa a atuar em um ambiente de incerteza. Isso aumenta a carga psicológica do trabalho, favorece conflitos, reduz a sensação de controle sobre as atividades e pode contribuir para o desenvolvimento de estresse, ansiedade e até da síndrome de burnout. Por isso, a clareza das funções também deve ser vista como uma medida de prevenção”, afirma.

Segundo o especialista, esse cenário costuma surgir quando as descrições de cargos são incompletas, a comunicação interna é falha, há mudanças frequentes nas atividades ou ocorre sobreposição de responsabilidades entre diferentes profissionais.

Nesses casos, dúvidas constantes sobre o que deve ser feito, dificuldade para estabelecer prioridades e incerteza sobre o grau de autonomia tornam-se parte da rotina, aumentando a possibilidade de erros e desgaste emocional.

Vieira destaca que alguns sinais podem indicar que o problema já está instalado nas equipes, como pedidos frequentes de confirmação sobre tarefas, sensação permanente de estar resolvendo urgências, medo excessivo de cometer erros, conflitos entre colegas, sobrecarga de trabalho e queda no desempenho. Quando essas situações persistem, o risco de estresse ocupacional, ansiedade e burnout cresce significativamente.

Empresas passam a ter mais responsabilidades

Com a atualização da NR-1, as empresas passam a ter a obrigação de identificar, avaliar e controlar fatores organizacionais que possam contribuir para o adoecimento dos trabalhadores. A norma reforça a importância de processos bem definidos, comunicação eficiente, delimitação de responsabilidades, acompanhamento das lideranças e monitoramento contínuo dos riscos psicossociais.

Para o engenheiro, a mudança amplia a compreensão sobre saúde ocupacional ao reconhecer que problemas como conflitos de atribuições, excesso de demandas e falta de direcionamento não são apenas falhas administrativas, mas também fatores que podem comprometer a saúde dos trabalhadores e, por isso, precisam ser prevenidos.

Durante o evento, serão discutidas as principais mudanças trazidas pela NR-1, os impactos da indefinição de responsabilidades nas organizações e medidas que podem contribuir para reduzir conflitos, prevenir o adoecimento ocupacional e tornar os ambientes de trabalho mais saudáveis.

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