Nova denúncia contra João de Deus traz relato chocante de estupro e tentativa de assasinato

Promotor diz que crimes relacionados ao médium causam perplexidade até em que está acostumado a lidar com crimes violentos

Foto: Divulgação

Reportagem do Fantástico deste domingo, 24, apresentou a denúncia de uma mulher que alega ter sofrido um estupro, levado três tiros e, em seguida, ter sido jogada em um rio. O crime teria sido cometido por João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, em 1973.

À época, a suposta vítima tinha apenas 17 anos e acompanhava uma tia à Casa Dom Inácio de Loyola, local de atendimento do médium. A mulher que tem medo de se identificar relatou que João de Deus a levou até uma ponte em Alexânia. “Ele mandou ficar quieta que iria fazer uma limpeza espiritual. Ele tirou a minha roupa e a dele e iniciou o abuso”, relatou.

A adolescente teria então implorado ele para não estuprá-la, pois era virgem e iria se casar em breve. “Quando ele praticou o ato comigo eu comecei a ter uma hemorragia muito forte”. Ao ver tanto sangue, o médium teria decidido assassiná-la, atacando ela com uma pedra e disparado três tiros. Após isso, a jovem teria sido jogada no rio. Ao voltar para Abadiânia, João de Deus relatou à tia da jovem que ela teria fugido para não casar.

Um pescador encontrou a jovem e a socorreu. Ela relata que após um período no hospital, não contou o que passou à família, não se casou e se mudou para o Nordeste. Após 46 anos, depois que o médium foi preso, resolveu denunciar o que viveu.

A vítima alega que tem uma bala no pescoço, que teria quebrado os seus dentes. Um exame confirmou a bala. Apesar disso, o médium não irá responder por esse crime, que já prescreveu. No entanto, segundo a Justiça, o relato ajuda a traçar o perfil criminológico dele.

A reportagem investigou o passado de João de Deus e trouxe à tona outros possíveis crimes cometidos pelo famoso médium de Abadiânia. Segundo o promotor do Ministério Público de Goiás (MPGO), Luciano Miranda Meireles, alguns relatos trazem perplexidade até para quem está acostumado a lidar com crimes violentos.

“A casa Dom Inácio era um pano de fundo para vários crimes”, diz o promotor. A reportagem apresenta outros casos como um assassinato supostamente a mando de João Teixeira, que foi absolvido na época por falta de provas e também tráfico de autunita, de onde se extrai urânio, elemento usado na produção de energia nuclear e bombas atômicas.

João de Deus foi preso em flagrante transportando 1 tonelada do material, respondeu em liberdade e alegou que apenas faria o frete.  O resultado da investigação  saiu após 15 anos, em 2000, e mais uma vez ele foi absolvido.

Em 1988, um criminoso ao ser preso denunciou que João de Deus tinha dois aviões bimotores e suspeitava que as aeronaves fossem utilizadas para a venda de drogas. Um conhecido traficante também alegou que traficava cocaína com o médium.

Durante a reportagem outros casos são relatados. Ao se manifestar, a defesa diz que é preciso ter cautela ao falar sobre o passado de João, já que em muitos casos ele foi absolvido. Para o MPGO, o médium sempre contou com uma organizada rede de proteção, inclusive com policiais agindo como capangas de João de Deus.

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