Imagens de satélite analisadas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa) indicam que cerca de 58.870 edifícios podem ter sido danificados ou destruídos pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira, 24. O levantamento, realizado a partir de dados de radar do satélite europeu Sentinel-1, oferece um panorama inicial da extensão dos danos e aponta uma área afetada muito maior do que a contabilizada oficialmente pelo governo venezuelano.

A análise foi produzida com o auxílio do Earthdata GIS, plataforma da Nasa que utiliza imagens de sensoriamento remoto para detectar alterações na superfície terrestre após desastres naturais. A tecnologia compara registros feitos antes e depois dos tremores e identifica mudanças significativas compatíveis com desabamentos, colapsos estruturais e deformações no terreno.

Segundo o mapeamento, os maiores indícios de destruição estão concentrados no estado de La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos terremotos, além da faixa litorânea e do corredor urbano que segue em direção à capital, Caracas.

Tecnologia ajuda a direcionar equipes de resgate

A Nasa destaca que o levantamento tem caráter preliminar e não substitui as inspeções realizadas presencialmente. O estudo foi elaborado pelos pesquisadores Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, da Universidade de Oregon, e serve para identificar áreas onde há maior probabilidade de danos.

Como o radar utilizado pelo satélite consegue captar informações mesmo durante a noite e sob cobertura de nuvens, a tecnologia permite produzir mapas de impacto poucas horas após grandes desastres, auxiliando governos e organizações humanitárias na definição das regiões prioritárias para buscas, envio de equipes técnicas e distribuição de ajuda.

Segundo a agência espacial, os resultados precisam ser confirmados por equipes em campo, mas representam uma importante ferramenta para acelerar a resposta em situações de emergência.

Estimativa supera números oficiais

A projeção obtida pelas imagens de satélite difere significativamente dos dados divulgados pelo governo da Venezuela.

No balanço mais recente, apresentado na segunda-feira, 29, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que 855 edifícios foram danificados, sendo 189 completamente destruídos.

A diferença entre os levantamentos decorre da metodologia utilizada. Enquanto o governo contabiliza imóveis já vistoriados por equipes técnicas, a análise da Nasa identifica edificações que apresentam indícios de danos estruturais por meio do sensoriamento remoto, o que amplia significativamente a área considerada afetada.

Tragédia já deixou mais de 1,7 mil mortos

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram um dos maiores desastres naturais da história recente da Venezuela.

Segundo o governo venezuelano, 1.719 pessoas morreram e 5.034 ficaram feridas. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas continuam desaparecidas, indicando que o número de vítimas ainda pode aumentar conforme as operações de busca avancem.

Entre os mortos estão dois brasileiros: o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, natural de Uberlândia (MG), e Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, do Distrito Federal. As mortes foram confirmadas pelas famílias nas redes sociais.

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