Tucano Aécio Neves: a ameaça à reeleição de Dilma Rousseff / Foto: Igo Estrela/Coligação Muda Brasil
Tucano Aécio Neves: a ameaça à reeleição de Dilma Rousseff / Foto: Igo Estrela/Coligação Muda Brasil

Ao final da soma dos votos do pri­meiro turno, surgiu o cálculo de um professor de ciência política avaliando que basta à reeleição da presidente Dilma a conquista de um terço dos 21,3% dos votos legados por Marina Silva (PSB/Rede) ao ser excluída no primeiro turno. Se Dilma teve 41,6% dos votos, com mais alguns pontos viria o sucesso final.

Acontece que a política não é lógica, não evolui em linha reta, não se calcula com aritmética nem matemática. Se o processo fosse cartesiano, coerente, Marina transferiria automaticamente seus votos ao presidenciável Eduardo Campos ao assumir a vice dele. Mas não foi assim. Os votos marineiros se manifestaram apenas quando Campos morreu e ela assumiu a vaga do PSB.

Como no marketing comercial, o que move o eleitor é o mesmo impulso que conduz o consumidor ao produto na prateleira de uma loja. O impulso pode ser pragmático, ideológico ou revolucionário, sempre uma força que move o paciente rumo a um objetivo. Às vezes, solidário a uma onda social que pode se manifestar coletivamente, como no caso de Marina pós-Campos.

E agora Marina transferiria votos a Aécio ou Dilma? A pesquisa do Datafolha ofereceu uma pista, na quinta-feira: 40% dos eleitores que disseram marinar no primeiro turno admitem que ela possa influenciar o novo voto deles. Porém, 65% deles fizeram uma espécie de correção em outro item: disseram que não votam em Dilma de “jeito nenhum”.

No momento da coleta de dados pela pesquisa parecia certo o apoio de Marina a Aécio. Depois ela apresentou 13 condições ao apoio, desde o fim da reeleição à definição de fazenda produtiva. Ela parece esquecer que tudo aquilo estava no programa de governo do PB/Rede derrotado no primeiro turno. É como se desejasse governar sem ter sido eleita.

Era o mesmo charme que Marina fez antes de aderir pró-forma ao PSB no momento em que a sua Rede não recebeu o carimbo de livre trânsito do Tribunal Superior Eleitoral. Mais fácil foi o consentimento dela em ser candidata a vice de Eduardo Campos. Porém, teve toda a calma antes de declarar que aceitava substituir o companheiro morto.

Neste turno final, nem os votos que Dilma conquistou na primeira rodada são seguros. A configuração do campo de batalha mudou. A ameaça à reeleição não está mais em Marina, mas em Aécio Neves sob o novo contexto, onde o fator corrupção deve ter maior peso com a introdução de Lula entre os suspeitos de sempre.