Mãe pede justiça em júri por assassinato da filha em Anápolis: “Nada vai trazer ela de volta”
25 março 2026 às 12h17

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“Nada vai trazer minha filha de volta, mas eu quero que a justiça seja feita”. A frase dita pela mãe Aparecida Pires da Silva marca o início do júri popular que julga, nesta quarta-feira, 25, Edney Pereira dos Santos pela morte da empresária Regiane Pires da Silva, em Anápolis. A sessão teve início às 8h30, no Fórum da Comarca, sob condução do juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende, com previsão de término às 19h.
Ao longo do julgamento, que reúne 10 testemunhas, cinco de acusação e cinco de defesa, além de sete jurados, a Promotoria sustenta que o réu deve responder por descumprimento de medida protetiva, violência doméstica, homicídio por motivo torpe e porte ilegal de arma. Conforme a denúncia, o relacionamento do ex-casal era marcado por ciúmes, ameaças e agressões, com registros policiais feitos pela vítima ao longo do tempo.
Durante o depoimento, Aparecida Pires da Silva evidenciou a dor pela perda da filha e, ao mesmo tempo, fez um apelo por justiça. “Eu espero que ele cumpra pelo menos a maldade que ele fez com a minha filha. Não tinha necessidade de tirar a vida da minha filha. Eu falei várias vezes para ele seguir a vida dele e largar a minha filha em paz, para ela viver a vida dela”.
Na sequência, ressaltou as consequências do crime no cotidiano dos familiares: “Acabou o futuro dos meus netos, da nossa vida. Ontem foi o aniversário da minha neta, é muito difícil pra gente. Eu quero que a justiça seja feita e ele cumprir aquilo que ele fez”.
Além disso, Aparecida traçou um retrato da filha, Regiane Pires da Silva, enfatizando sua trajetória de trabalho e dedicação à família. Segundo ela, sua filha era uma mulher comprometida com os filhos e com a própria rotina profissional. “Ela era uma pessoa trabalhadora, tinha os filhos dela pra criar, pra ver o futuro deles. Parou a vida da minha filha, ela não tinha nem 40 anos”, disse.
A mãe também relembrou o perfil solidário de Regiane e sua rotina intensa no trabalho. “Era uma mulher que ajudava todo mundo, a família. Ela colhia todo mundo. Eu espero que a justiça seja feita. Nada vai trazer minha filha de volta. A Regiane era uma pessoa honesta, trabalhadora, sempre lutou muito, trabalhou. Ela sempre ficava dentro da loja, eu falava que ficou 20 anos dentro da loja trabalhando. Então, eu sempre me lembro disso.”
De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em 28 de março de 2024, quando o acusado, mesmo proibido de se aproximar, foi até a loja em que a ex-companheira trabalhava e efetuou os disparos. A motivação, segundo a acusação, estaria ligada ao pedido de divórcio e à disputa por bens, incluindo duas lojas de autopeças administradas pelo ex-casal. Após o crime, o réu fugiu com apoio de familiares, mas acabou preso no Tocantins.

