Na véspera de votação sobre aumento de salários, vereadores avaliam desgaste político

Apesar de prevalecer o entendimento sobre legalidade e constitucionalidade da proposta, parlamentares avaliam moralidade e desgaste de aprovação do aumento em momento de crise

Foto: Antonio Silva/ Câmara de Goiânia

A percepção de grande parte dos vereadores da Câmara Municipal de Goiânia a respeito da proposta que prevê aumento no salário do prefeito, secretários e vereadores da capital é de que o texto é legal. O projeto foi aprovado nesta quarta-feira, 9, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, muitos avaliam a moralidade do reajuste em meio à pandemia e seu devastador efeito sobre a economia.

A vereadora Dra. Cristina (PL), membro da CCJ, afirma que o projeto é constitucional. Ela lembra que está há oito anos na Casa e, nesse período, nunca houve nenhum reajuste do subsídio. No entanto, destaca que pela situação econômica do país não cabe aumento. “Por princípio, eu sou contra o aumento de subsídio, mas a legalidade, a constitucionalidade, ela existe”, resume.

Sobre o relatório do vereador Wellington Peixoto (DEM), Dra. Cristina destaca que ele não aponta para a aprovação. “Ele só analisou constitucionalidade e legalidade, que há. Agora, em Plenário, tem que discutir a questão política, a moralidade num momento como esse”, analisa a vereadora, que deve se posicionar contra o aumento de subsídio.

“O subsídio de da Câmara de Goiânia é menor do que várias cidades da região metropolitana, porque seguem o aumento da Constituição Federal. Mas, esse aumento não é automático, ele precisa ser aprovado por lei, por isso que tá aí aprovando ou não esse projeto, que será discutido e debatido em Plenário”, arremata Cristina.

Após repercussão negativa a respeito da tramitação da proposta de autoria do vereador Milton Mercês (Patriota), o próprio parlamentar apresentou uma emenda para garantir que o aumento comece a valer em 2022. A ideia é aliviar a pressão diante da possibilidade de aumento em meio à pandemia.

Procurada pela reportagem, a presidente da CCJ, Sabrina Garcêz (PSD), avaliou que não é possível prever uma tendência de aprovação ou não, já que a maioria dos vereadores segue indecisa. “Vai ter uma discussão muito grande, não arrisco um palpite”, diz a parlamentar.

De acordo com Sabrina, o texto é legal. A parlamentar lembra ainda que uma emenda que previa o aumento durante o decreto de contenção de gastos do governo federal foi revogada.

O relator da proposta na CCJ, Wellington Peixoto, afirmou ao Jornal Opção que quer irá tomar uma decisão baseada em uma avaliação técnica e após conversar com o presidente da Casa, Romário Policarpo (Patriota), com o prefeito Iris Rezende (MDB), com o vice-prefeito eleito, Rogério Cruz (Republicanos), e com Daniel Vilela.

“Eu tenho que ver a opinião deles também. Não fui candidato nessa eleição eu não vou ser beneficiado, quero ter um voto, por mais que seja político, um voto técnico também. Quero ouvi-los porque isso afeta a prefeitura, uma vez que salário tanto prefeito fez e dos secretários vão ser alterados”, finalizou Peixoto.

Nos bastidores, vereadores ouvidos pela reportagem evitaram revelar seus votos, sob a alegação de “indecisão”. A votação está prevista para ser realizada nesta quinta-feira, 10, durante sessão ordinária. Até lá, os parlamentares seguem avaliando viabilidade da proposta e possível desgaste político em caso de aprovação do aumento em meio à pandemia da Covid-19.

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