A cada eleição, os números parecem indicar avanço. Mais candidaturas femininas, mais partidos cumprindo — e até superando — a cota mínima de 30%. Em 2026, siglas como PT (35,3%), Mobiliza (36,6%), Podemos (36,5%) e PL (38,3%) ampliaram a presença de mulheres nas chapas proporcionais. A federação União Brasil/PP foi além e chegou a 50%.

Mas a leitura mais aprofundada desses dados revela um cenário menos otimista: o crescimento numérico não se traduz em poder político. As mulheres entram na disputa, mas seguem, em grande parte, fora dos espaços onde as decisões são tomadas.

O fenômeno não é pontual. Ele se repete há anos e evidencia um padrão estrutural da política brasileira: a inclusão formal das mulheres não foi suficiente para alterar a lógica de funcionamento do sistema.

O retrato do poder: presença feminina ainda é exceção

Quando o olhar sai das candidaturas e se volta para os cargos efetivamente ocupados, a desigualdade se torna mais evidente.

Em Goiás, dos 246 municípios, apenas 35 são governados por mulheres — cerca de 10,57% do total. O número mostra que, apesar do aumento de candidaturas, o acesso ao comando do Executivo segue restrito.

A discrepância é ainda mais significativa quando comparada à composição do eleitorado, majoritariamente feminino.

No plano nacional, o padrão se repete dentro das estruturas partidárias. Das 30 legendas com registro ativo na Justiça Eleitoral, apenas quatro são presididas por mulheres. Isso significa que decisões estratégicas — como distribuição de recursos, definição de candidaturas competitivas e alianças — continuam concentradas em lideranças masculinas.

Em Goiás, apenas quatro partidos têm uma presidente mulher: Adriana Accorsi, do PT; Aava Santiago, do PSB; Cíntia Dias, do Psol e Lilia Monteiro, da Rede Sustentabilidade.

Esse dado ajuda a explicar por que o crescimento das candidaturas femininas não resulta, automaticamente, em maior presença no poder.

A falsa sensação de avanço

Para a cientista política Ludmila Rosa, o aumento no número de candidatas não deve ser confundido com transformação estrutural. “Nós tivemos, sim, um aumento na participação dessas mulheres nas chapas. Mas isso não se traduz em alteração substantiva da realidade.”

Segundo ela, o sistema político absorveu a exigência legal sem alterar sua lógica interna: “Essas mulheres muitas vezes estão ali sem investimento partidário, sem que o partido ceda espaço para que elas se construam politicamente.”

A cientista política e filósofa Rejaine Pessoa vai na mesma linha e alerta para o risco de uma leitura superficial dos dados: “A cota resolveu o problema da presença formal, mas não resolveu o problema da igualdade de condições. A desigualdade continua existindo dentro do processo.”

O resultado é um cenário em que os números sugerem avanço, mas a estrutura de poder permanece praticamente inalterada.

Dinheiro: o filtro real da eleição

Se há um fator que define quem tem chance real de vitória, ele atende por um nome conhecido: financiamento.

Apesar das regras que determinam a distribuição proporcional de recursos para candidaturas femininas, a aplicação prática dessa política ainda é desigual.

A advogada eleitoral Maíce Andrade afirma que a legislação representa um avanço, mas está longe de garantir equilíbrio: “A lei avançou ao obrigar a destinação de recursos para mulheres, mas isso não garante equidade real. Muitas vezes, o dinheiro chega de forma fragmentada, tardia ou insuficiente para estruturar uma campanha competitiva.”

Na prática, isso cria dois tipos de campanha:

  • candidaturas masculinas estruturadas, com histórico, base e investimento
  • candidaturas femininas com menor visibilidade e menor capacidade de alcance

Esse desequilíbrio impacta diretamente o resultado eleitoral.

A desigualdade começa antes da campanha

As entrevistas mostram que a exclusão feminina não começa na eleição — ela é construída ao longo do tempo.

Para Ludmila Rosa, há um fator estrutural decisivo: “Há um fundamento machista que impede as mulheres de fazer política, de construir um patrimônio e um capital político que seja considerável para fazer uma disputa efetiva.”

Cientista política Ludmila Rosa | Foto: Reprodução

Ela aponta ainda um elemento central: o tempo. “As mulheres, na maior das vezes, têm que exercer dupla, tripla jornada. Trabalham fora, chegam em casa, cuidam do companheiro, cuidam dos filhos.”

A construção política exige presença contínua — articulação, viagens, reuniões, exposição pública. Sem tempo disponível, a consolidação de lideranças femininas se torna mais difícil.

Rejaine complementa essa leitura ao destacar o caráter histórico do problema: “A política brasileira foi estruturada como um espaço masculino. Quando as mulheres entram, elas já encontram redes de poder consolidadas e menos acesso às estruturas que garantem competitividade.”

Se a eleição é o palco, os partidos são os bastidores — e é ali que uma parte decisiva da desigualdade se reproduz.

Ludmila Rosa afirma que as estruturas partidárias ainda são pouco abertas à participação feminina: “Os partidos ainda não se constituem como territórios seguros, democráticos, que estão abertos efetivamente para a participação das mulheres.”

A predominância masculina nas direções influencia diretamente:

  • quem recebe recursos
  • quem ganha visibilidade
  • quem é tratado como candidatura prioritária

Rejaine reforça que o problema é estrutural: “Enquanto as direções partidárias forem majoritariamente masculinas, a tendência é que os recursos e as decisões continuem concentrados.”

Fraude à cota e a fragilidade da fiscalização

Outro efeito colateral do modelo atual é a persistência das candidaturas fictícias — mulheres registradas apenas para cumprir a exigência legal.

Ludmila Rosa critica a dificuldade de punição: “Há uma dificuldade enorme de impor sanções quando as candidatas são instrumentalizadas apenas para cumprir os 30%.”

O debate ganhou novo capítulo com a discussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre mudanças na punição para fraudes.

A proposta em análise prevê punir apenas os homens eleitos, preservando mandatos femininos — o que levanta questionamentos sobre o impacto na fiscalização.

Maice Andrade avalia: “É uma tentativa de evitar injustiças, mas pode enfraquecer o combate às fraudes se não houver fiscalização rigorosa.”

Um dos pontos mais contundentes das entrevistas é o reconhecimento de que ampliar a participação feminina implica disputa direta por espaço.

Ludmila Rosa resume: “Para que a gente tenha equilíbrio de gênero, necessariamente homens vão ter que sair.”

E completa: “Quem está investido no mandato não quer sair.”

A fala expõe o núcleo do problema: não se trata apenas de inclusão, mas de redistribuição de poder.

Os dados de 2026, somados ao histórico recente, apontam para um diagnóstico consistente: o Brasil avançou na inclusão formal das mulheres na política, mas não alterou o funcionamento do sistema.

As mulheres estão nas chapas.
Mas seguem sub-representadas no poder.

E enquanto financiamento, partidos e estrutura política continuarem concentrados, o avanço numérico seguirá sendo insuficiente para produzir mudança real.

Entre 2020 e 2026: mais mulheres candidatas, mesma lógica de poder

O crescimento das candidaturas femininas ao longo dos últimos ciclos eleitorais não é um fenômeno isolado de 2026. Ele vem sendo observado desde pelo menos 2020, quando as regras de cota já estavam consolidadas e começaram a produzir efeitos mais visíveis nas chapas proporcionais.

O relatório que embasa esta reportagem, ao comparar eleições de 2020 e 2024, mostra um padrão consistente: há aumento gradual da participação feminina nas candidaturas, mas esse avanço não se traduz na mesma proporção em mulheres eleitas.

Em outras palavras, o sistema passou a absorver a presença feminina sem redistribuir poder.

Esse descompasso revela uma engrenagem que funciona em duas etapas distintas:

  1. inclusão formal — com mais mulheres registradas como candidatas
  2. filtragem estrutural — onde apenas uma parcela mínima consegue ultrapassar as barreiras reais da disputa

O resultado é um crescimento estatístico que não altera o resultado político.

O funil eleitoral: onde as mulheres ficam pelo caminho

A análise dos dados históricos mostra que o processo eleitoral funciona como um funil mais estreito para mulheres.

Na base, o número de candidaturas cresce.
No topo, o número de eleitas permanece baixo.

Esse fenômeno não é explicado por um único fator, mas por uma combinação de elementos que se reforçam:

  • menor acesso a financiamento competitivo
  • menor tempo de construção de base política
  • menor presença em estruturas partidárias estratégicas
  • menor visibilidade pública

A cientista social Rejaine sintetiza esse mecanismo ao apontar que a desigualdade não está apenas na entrada, mas no percurso: “As mulheres até entram na disputa, mas não percorrem o mesmo caminho que os homens. Há obstáculos em todas as etapas.”

Esse “funil de gênero” ajuda a explicar por que o crescimento das candidaturas não altera, de forma significativa, a composição final dos parlamentos e executivos.

Cientista política e filósofa Rejaine Pessoa | Foto: Arquivo

Legislativo: onde a sub-representação também se repete

Embora o foco muitas vezes recaia sobre o Executivo, a desigualdade é igualmente presente nos legislativos.

Câmaras municipais, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional seguem com maioria masculina — reflexo direto das distorções no processo eleitoral.

Em Goiás, o padrão não foge à regra: a presença feminina no Legislativo estadual e nas câmaras municipais permanece abaixo do percentual de candidaturas, reforçando o descompasso entre participação e representação.

Atualmente, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) conta com 4 deputadas estaduais mulheres entre os 41 parlamentares da 20ª Legislatura (2023–2027)

A explicação, segundo as entrevistas, passa novamente pelos partidos e pelo financiamento.

Ludmila Rosa aponta que a lógica de concentração se reproduz eleição após eleição:

“Você percebe os recursos partidários ainda muito concentrados na estrutura dos homens, daqueles que já estão no poder.”

Esse ciclo cria uma barreira quase automática à renovação de gênero nos parlamentos.

Direções partidárias: o núcleo duro do poder

Se o financiamento é o motor da eleição, as direções partidárias são o centro de comando.

E é nesse ponto que a desigualdade se mostra mais resistente.

No Brasil, apenas quatro partidos são presididos por mulheres. Isso significa que a grande maioria das decisões estratégicas continua sendo tomada por homens.

Esse dado não é apenas simbólico — ele tem impacto direto no resultado eleitoral.

São as direções partidárias que definem:

  • quem terá prioridade na campanha
  • como os recursos serão distribuídos
  • quais candidaturas serão impulsionadas

A cientista política Ludmila Rosa chama atenção para esse aspecto:

“Os dirigentes partidários são, na maior parte, homens. E isso reproduz dentro dos partidos a mesma hierarquia que a gente vê fora deles.”

Em Goiás, esse padrão se replica nos diretórios estaduais e municipais, onde a presença feminina em posições de comando ainda é minoritária.

O custo invisível da política para mulheres

Além das barreiras institucionais, as entrevistas apontam um elemento menos mensurável, mas igualmente determinante: o custo pessoal da participação política.

A construção de uma carreira política exige disponibilidade integral — algo que, historicamente, recai de forma desigual entre homens e mulheres.

Ludmila Rosa detalha esse ponto: “Para fazer política, a gente precisa de tempo para alimentar as bases, construir alianças, estabelecer relações. E muitas mulheres não têm esse tempo disponível.”

Esse fator cria uma desigualdade silenciosa, mas decisiva.

Enquanto homens contam, em muitos casos, com redes de apoio que sustentam sua atuação pública, mulheres precisam conciliar múltiplas responsabilidades, o que limita sua presença contínua na política.

Quando a lei não muda a prática

O Brasil avançou na legislação eleitoral ao longo das últimas décadas, criando mecanismos para ampliar a participação feminina.

Mas, como mostram os dados e as entrevistas, a existência da lei não garante sua efetividade.

A advogada eleitoral Maíce Andrade destaca que há uma distância entre norma e realidade: “A legislação criou instrumentos importantes, mas a forma como eles são aplicados ainda permite distorções.”

Essa distância aparece em diferentes níveis:

  • na distribuição de recursos
  • na fiscalização de candidaturas fictícias
  • na priorização interna dos partidos

O resultado é um sistema que cumpre formalmente as regras, mas mantém desigualdades na prática.

Goiás como reflexo e síntese do problema

O cenário goiano não é uma exceção, mas uma síntese do que ocorre no país.

Baixa presença feminina no Executivo, sub-representação no Legislativo, pouca presença em direções partidárias e crescimento limitado à esfera das candidaturas.

Os números são claros:

  • apenas 35 prefeitas entre 246 municípios
  • maioria masculina nas estruturas partidárias
  • crescimento de candidaturas sem impacto proporcional nas eleitas

Esse conjunto de fatores posiciona Goiás dentro de um padrão nacional de desigualdade persistente.

O impasse estrutural

A soma de todos esses elementos aponta para um impasse central: o sistema político brasileiro incorporou a exigência de inclusão, mas não abriu mão do controle do poder.

As mulheres foram incluídas nas regras.
Mas não foram incluídas plenamente na disputa.

E isso acontece porque a mudança necessária não é apenas normativa — é estrutural.

Ela envolve:

  • redistribuição de recursos
  • mudança na lógica partidária
  • ampliação do acesso a posições de decisão
  • enfrentamento de desigualdades históricas

O que impede a mudança e por que ela ainda não aconteceu

Se os dados, as entrevistas e o histórico eleitoral apontam para um mesmo diagnóstico — crescimento formal sem redistribuição de poder — a questão que se impõe é outra: por que esse cenário persiste?

A resposta não está em um único fator, mas em um conjunto de mecanismos que operam simultaneamente dentro do sistema político brasileiro.

O primeiro deles é institucional.
O segundo, estrutural.
O terceiro, político.

E todos se reforçam.

Instituições que avançam mas não transformam

Nas últimas décadas, o Brasil adotou uma série de medidas para ampliar a participação feminina na política: cotas de candidatura, obrigatoriedade de financiamento proporcional, punições para fraude.

No papel, o país construiu um dos marcos legais mais robustos da América Latina.

Mas, como mostram as entrevistas, a efetividade dessas medidas esbarra na forma como são aplicadas.

A cientista política Ludmila Rosa aponta que há uma fragilidade recorrente na aplicação das regras:

“As legislações existem, mas muitas vezes são relativizadas. Há dificuldade de impor sanções efetivas quando há descumprimento.”

Esse diagnóstico aparece, sobretudo, nos casos de fraude à cota de gênero — um problema recorrente que, mesmo com avanços na fiscalização, ainda não foi totalmente superado.

O limite da Justiça Eleitoral

O debate recente no Tribunal Superior Eleitoral sobre a punição em casos de fraude à cota de gênero expõe esse limite institucional.

A possibilidade de cassar apenas homens eleitos, preservando mulheres, surge como tentativa de corrigir distorções da regra atual — mas também levanta dúvidas sobre sua eficácia.

A advogada eleitoral Maíce Andrade avalia que a mudança precisa ser acompanhada de rigor: “Se não houver fiscalização efetiva, qualquer flexibilização pode acabar enfraquecendo o combate às fraudes.”

O ponto central é que a Justiça Eleitoral atua sobre os efeitos — não sobre a origem do problema, que está dentro dos partidos.

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Advogada eleitoral Maíce Andrade | Foto: Reprodução/Redes sociais

Partidos políticos: o núcleo que não muda

Nenhuma das transformações propostas terá impacto significativo sem mudanças internas nos partidos.

É dentro dessas estruturas que se define:

  • quem terá apoio real
  • quem terá recursos
  • quem terá espaço político

E, como mostram os dados, esse núcleo permanece majoritariamente masculino.

A cientista social Rejaine aponta que essa é a principal barreira à mudança: “Os partidos continuam sendo espaços pouco democráticos do ponto de vista de gênero. Enquanto isso não mudar, a desigualdade vai se reproduzir.”

Essa constatação desloca o foco do debate: não basta garantir candidaturas — é preciso democratizar o poder interno.

O bloqueio silencioso do financiamento

Outro ponto que sustenta a desigualdade é a forma como o dinheiro circula dentro das campanhas.

Mesmo com regras de proporcionalidade, o controle sobre os recursos continua concentrado.

Isso permite que partidos cumpram formalmente a legislação, mas mantenham, na prática, a priorização de candidaturas masculinas.

O resultado é um sistema que opera dentro da lei — mas reproduz desigualdades.

Cultura política: o fator que atravessa tudo

Se as instituições e os partidos explicam parte do problema, há um elemento ainda mais profundo: a cultura política.

A construção da política como espaço masculino não é apenas histórica — ela continua sendo reproduzida no presente.

Ludmila Rosa descreve esse processo:

“Existe uma cultura que ainda associa liderança política ao masculino, e isso influencia desde a escolha dos candidatos até a forma como eles são percebidos.”

Esse fator impacta diretamente:

  • a confiança do eleitor
  • o apoio interno nos partidos
  • a visibilidade na mídia

E ajuda a explicar por que mulheres enfrentam mais barreiras mesmo quando têm trajetória e preparo equivalentes.

O custo político da igualdade

Um dos pontos mais sensíveis levantados pelas entrevistas é que a ampliação da participação feminina não é neutra — ela implica perda de espaço para quem já está no poder.

E isso gera resistência.

Ludmila Rosa é direta: “Para que mais mulheres entrem, homens terão que sair. E isso não acontece de forma espontânea.”

Esse é o núcleo do impasse.

A política é um espaço limitado.
E ampliar a presença feminina significa redistribuir esse espaço.

Há saída?

Apesar do diagnóstico crítico, as entrevistas indicam caminhos possíveis — ainda que complexos.

Entre eles:

  • fortalecimento da fiscalização eleitoral
  • maior transparência na distribuição de recursos
  • incentivo à participação feminina em direções partidárias
  • organização política das mulheres dentro e fora dos partidos

Mas há um ponto de consenso: nenhuma mudança será automática.

Ela depende de pressão política, disputa interna e transformação institucional.

O movimento que começa a se formar

Mesmo com as dificuldades, há sinais de reorganização.

Mulheres têm buscado maior articulação dentro dos partidos, formação política e estratégias coletivas para ampliar sua presença.

Segundo Rejaine:

“Há um movimento crescente de organização das mulheres, tanto à direita quanto à esquerda, para disputar espaço de forma mais estruturada.”

Esse movimento ainda é desigual, mas indica que a mudança pode vir menos de reformas institucionais isoladas e mais da disputa direta dentro do sistema político.

Conclusão final: o limite da inclusão sem poder

As eleições de 2026 confirmam um diagnóstico que já vinha se desenhando: o Brasil conseguiu ampliar a presença formal das mulheres na política, mas não alterou a estrutura que define quem exerce poder.

O sistema se adaptou às regras.
Mas não mudou sua lógica.

Em Goiás, esse cenário é visível:

  • mais candidatas
  • poucas eleitas
  • raras mulheres no comando
  • estruturas partidárias ainda masculinas

A democracia avança quando amplia participação.
Mas só se completa quando distribui poder.

E hoje, no Brasil, esse processo ainda está incompleto.

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