Mulheres no comando do cooperativismo: a potência que triplicou a liderança feminina e move 60 cooperativas em Goiás
19 setembro 2026 às 21h00

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O avanço da liderança feminina no cooperativismo goiano deixou de ser exceção para se tornar um movimento consolidado. Em 2016, apenas 205 mulheres ocupavam cargos de gestão no setor, hoje, esse número saltou para 768, um crescimento de 274% em uma década. Entre 2022 e 2026, a presidência de cooperativas por mulheres subiu de 25 para 60, alta de 140%. Os dados do Sistema OCB/GO revelam que 145 mulheres ocupam vice-presidências e que o ramo de trabalho, produção de bens e serviços concentra a maior participação feminina na liderança: 73% dos dirigentes são mulheres.
Esse avanço, no entanto, não se construiu sem resistência. Por trás dos números, existem histórias marcadas por obstáculos de gênero, dificuldades de manejo, acesso limitado a crédito e a necessidade de criar redes de apoio mútuo que garantam não apenas a sobrevivência das cooperativas, mas a subsistência de famílias inteiras em regiões onde o cooperativismo se tornou a principal, e muitas vezes única, via de desenvolvimento.
O cooperativismo movimenta cifras altas em Goiás. O estado conta com 262 cooperativas, 710,30 mil cooperados, 18.859 empregos diretos, R$ 36,90 bilhões em ingressos, R$ 78,39 bilhões em ativos e R$ 2,59 bilhões em sobras. Nesse cenário, o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, afirma que fortalecer a presença feminina vai além da inserção no mercado de trabalho.
“É garantir autonomia, inclusão e voz nas decisões. As mulheres já são maioria entre os colaboradores do setor em Goiás, mas queremos avançar no número de cooperadas e em cargos de liderança. Para isso, contamos com o Comitê de Mulheres ‘Elas pelo Coop’, que promove representatividade e engajamento feminino em todos os ramos do cooperativismo, e com a capacitação oferecida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), por meio de programas de qualificação, palestras e trilhas executivas que preparam mais mulheres para posições de liderança e conselho nas cooperativas”.
Zenaide: a presidente que atravessou o machismo para salvar a cooperativa
A história de Zenaide Jesus Almeida, presidente da Coopermin, a Cooperativa Mista dos Agricultores e das Agricultoras Familiares de Mineiros, começa muito antes de ela assumir a liderança. Vinda do movimento da reforma agrária, ela montou uma agroindústria de panificação e um sítio antes de se associar à cooperativa em 2013. O que a moveu foi a percepção de que a cooperativa, pequena na época, precisava de organização. “Quando me associei na cooperativa, eu vi a necessidade de estar sempre ajudando, porque ela era muito pequena na época e tinha muitas coisas para serem organizadas.”
O ponto de virada veio quando a secretária da cooperativa a procurou para ajudar a resolver problemas de chamadas públicas. Zenaide começou a ir às reuniões e a fazer as negociações, já que o presidente morava longe e não tinha disponibilidade. A resistência, no entanto, foi imediata. “A maior parte, na época, de quem trabalhava na cooperativa eram homens e eles não davam credibilidade pro trabalho que a gente estava fazendo.”

O episódio que definiu sua trajetória ocorreu quando um documento essencial para a chamada pública do ano seguinte estava faltando. O presidente se recusou a buscá-lo em Goiânia. “Ele falou: ‘Olha, esse aí tem que ir lá em Goiânia, eu não sei onde é e eu não vou. Então, assim, se perder, perdeu.’” Zenaide, que não dirigia na época, pediu o dinheiro e o aval, pegou carona com o marido e saiu de madrugada. Chegou ao destino às nove e meia da manhã. O servidor que a atendeu avisou que o processo poderia demorar de quatro a cinco dias. “Falei: ‘Eu não posso esperar. É nossa chamada pública, se não tiver esse papel, nós vamos perder.’”
Ela permaneceu sentada no local até às 16h e pouco da tarde, quando o documento ficou pronto. “Falei: ‘Eu só vou embora a hora que você imprimir esse papel.’” Voltou para Mineiros com a documentação e, pouco depois, foi convidada pela secretária a assumir a presidência. “Ela falou: ‘Dona Zenaide, não tem como, você tem que assumir essa cooperativa.’”
Ao assumir, Zenaide tomou uma decisão que marcaria sua gestão: montou uma diretoria 100% feminina. “Eu peguei todas as mulheres da cooperativa para ser diretora. E aí, você imagina o problema que eu enfrentei dentro da cooperativa. O machismo, né? Porque era muito impregnado, eram só os homens que opinavam.”
Os dois primeiros anos foram os mais difíceis. A cooperativa precisava se tornar uma empresa. “Eu tive que mostrar isso para os cooperados: que aquilo ali era uma empresa, que ela não era extensão da sua casa.”
Sob sua gestão, a Coopermin se especializou na gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A legislação determina que 45% da verba da merenda escolar deve ser destinada à agricultura familiar. Zenaide explica que muitas cooperativas perdem recursos por desconhecer as leis e normas. “Quando eu assumi a cooperativa, foi uma das coisas que eu mais bati em cima: aprender a gerir o PNAE. Nós fomos estudar as leis, as normas. Hoje, se você for falar sobre o PNAE com a gente, você tem que saber bem.”
Ela faz questão de destacar que não tem formação superior. “Eu fiz até a oitava série. Mas eu entendo que o saber não é detido só por quem tem escolaridade. Se você tiver interesse em aprender, você aprende.” A cooperativa, que começou com dificuldades para pagar uma secretária, hoje conta com quatro colaboradores, paga diárias aos diretores e entrega cerca de 30 variedades de produtos para aproximadamente 60 escolas de Mineiros e Portelândia, alimentando cerca de 12 mil crianças diariamente.
“Nós somos 60 associados que entregam mesmo. A gente só associa um agricultor que tem produção. Para ele entrar na cooperativa, a gente vai, faz uma visita e vê, realmente, se ele tem o produto que ele está ofertando.”
Sua entrada no Sistema OCB foi outro divisor de águas. “A gente tinha muito receio de entrar no sistema. Porque a gente achava que o sistema era para os grandes, e a gente tinha muita cisma.” Após ser convencida por um representante do sistema, ela decidiu fazer o cadastro. “Eu falei: ‘Olha, eu vou entrar no sistema, só que eu sou uma pessoa muito exigente. Eu sou uma pessoa que perturbo muito, mas quando eu preciso resolver alguma coisa, eu sei que vocês podem me ajudar.’” Hoje, Zenaide é uma das multiplicadoras da Agro Centro-Oeste Familiar (ACOF) 2026 e foi uma das três primeiras goianas homenageadas no recém-criado Dia Estadual da Mulher Cooperativista.
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Ana Claudia: a primeira mulher a presidir uma cooperativa de crédito em Goiás
Se na Coopermin a resistência vinha do machismo impregnado na estrutura agrária, no Sicoob do Vale, em Rubiataba, Ana Cláudia Cândida Ferreira de Castro Lima, de 44 anos, enfrentou um ambiente historicamente masculino: o cooperativismo de crédito. Há 26 anos no setor, ela iniciou como caixa em 2000, formou-se contadora e, em 2015, assumiu a diretoria. Em 2026, tornou-se a primeira mulher a presidir uma cooperativa de crédito em Goiás.
“Desafiador, né? Porque a gente sabe que é um ambiente que não está acostumado com lideranças femininas. Sempre um ambiente mais masculino”, admite. Durante toda a trajetória, porém, ela conta que teve apoio de gestores e líderes que a envolveram nos processos e investiram em sua carreira. “Através dessas oportunidades, eu pude também estar me desenvolvendo em outras especializações, participando de treinamentos, para poder também colocar em prática o resultado que a gente tem hoje.”

O convite para encabeçar a chapa do Conselho de Administração veio após anos de trabalho em áreas estratégicas. A eleição foi disputada: mais de 5.200 cooperados votaram e Ana Claudia obteve 82% dos votos. “A gente conseguiu aí 82%, mais 4.200 votos nesse processo eleitoral. E agora estou aqui hoje como presidente.”
A reação de parte dos cooperados, no entanto, revelou o preconceito ainda presente. “Quando veio a questão do meu nome, muitas pessoas questionaram: ‘Nossa, você vai estar preparada? Você acha que isso é para você?’ Sempre tentando colocar pra gente o desafio de que isso não era para mim.” Ela respondeu com resultado. “Eu sempre tive fé em todos os projetos da instituição até aqui. São 20 anos aqui dentro.”
Ana Claudia enxerga a intercooperação como o caminho para fortalecer a presença feminina. “A intercooperação é a melhor forma. Quando a gente tá buscando, tá ouvindo outras pessoas, buscando conhecer outras histórias.” Hoje, mais de 60% do quadro de gestoras e gerentes de agências do Sicoob do Vale são mulheres. “Estou sempre tentando incentivá-las, dando oportunidade, buscando esse conhecimento, para que elas possam também se sentir seguras para dar esse passo e estar assumindo essas responsabilidades.” Quando Ana Claudia assumiu a diretoria, menos de 7% dos cooperados eram mulheres. Atualmente, mais de 32% do quadro é feminino, e a meta é chegar a 50%.
Sobre a transformação que o cooperativismo de crédito proporciona, Ana Claudia recorre às histórias em que viveu. “Quando a gente chega nas cidades, nos municípios, nós nivelamos o mercado. Pra mim, não tem um impacto maior do que esse: você trazer custos menores de acessibilidade, com facilidades, pro cooperado.” Ela lembra o caso de uma agência no distrito de Faina, onde o custo de um boleto caiu de 8 ou 9 reais para 1,80 a 2 reais após a chegada da cooperativa. “Eu tenho um cooperado aqui que eu nunca esqueço dele. Hoje ele tem uma das maiores academias do nosso município. E ele mesmo fala: ‘Ninguém acreditava em mim, mas vocês acreditaram.’”
Ana Claudia também destaca o papel da OCB em sua formação. “A OCB tem o papel da minha faculdade. Todos os meus cursos, todo o nosso trabalho feito aqui na parte de capacitação, tanto a OCB quanto o Sescoop, são hoje um parceiro essencial.” Além disso, através do sistema, ela teve a oportunidade de fazer um curso internacional. “A gente vê eles hoje como um parceiro nosso, pro nosso desenvolvimento. Muito forte, muito relevante.”
Perguntada sobre o que ainda precisa mudar, Ana Claudia aponta a necessidade de conscientizar também os líderes homens. “Se eu estou aqui, é porque os meus líderes homens me apoiaram. Se eu não tivesse o apoio deles, por mais que eu viesse com toda a minha competência, com todo o meu resultado, eles não iam me dar esse espaço.”
Ela defende ações internas nas cooperativas para captar mais mulheres e oferecer educação cooperativista e financeira. “A gente precisa ter momentos de muita conscientização com grandes líderes, que são homens, para entenderem isso.” E conclui: “A gente precisa acreditar que nós somos capazes também de estar aqui. É desafiador? É. E a gente precisa entender que eles também não estão acostumados com a gente.”
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Nair: 28 anos de cooperativismo e a luta pelo respeito na reciclagem
No Jardim Dom Fernando, em Goiânia, Nair Rodrigues Vieira, de 69 anos, construiu uma trajetória de quase três décadas à frente da Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis Dom Fernando (COOPREC). Tudo começou quando ela soube de um curso de computação básica no bairro. Durante o curso, uma senhora falou sobre um projeto de reciclagem no Rio Meia Ponte, com cinco programas. “E aí ela falou da reciclagem e citou a usina de reciclagem. E aí foi quando eu vi o que era.”
Nair começou a assistir às reuniões e fazer capacitações pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). “Uma semana tinha 10, na outra semana tinha 5, na outra semana tinha 20. E nisso a gente conseguiu fechar a cooperativa com 38 cooperados.” Quando a diretoria foi constituída, ela não quis se inscrever para nenhum cargo. “Eu achava que para participar da liderança eu teria que ser homem.” Foram três homens que assumiram a liderança. Mas o instrutor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), que acompanhava o grupo, insistia: “Você tem jeito, você pode ser uma diretora.”

Cerca de um ano depois, o diretor financeiro viajou para o exterior e deixou a cooperativa. Os cooperados elegeram Nair para o cargo. “No início não foi fácil, porque a gente tem algumas rejeições do grupo.” Ela persistiu, passou por todas as áreas (financeira, coordenação, vendas) e chegou à presidência. “Quando eu entrei na presidência, tinha um desafio de conseguir o respeito do homem. E assim, graças a Deus, eu consegui esse respeito.”
Uma de suas maiores dificuldades foi falar em público. “Eu era muito tímida.” Com isso, ela decidiu fazer um novo curso pelo SEBRAE por seis meses, todos os sábados. “Eu chegava em casa correndo, lavava minhas roupas e saía para o meu curso.” Outro desafio foi a resistência da comunidade. “O pessoal fez até um abaixo-assinado porque uma usina de reciclagem ficava no meio das casas.” Nair e os cooperados saíram de casa em casa mostrando que o projeto era de inclusão social e ambiental. “A gente começou a mostrar para a sociedade o benefício que ia ter, mesmo com a usina de reciclagem que era discriminada naquele tempo.”
Hoje, a COOPREC tem 31 cooperados, 19 mulheres e 12 homens. A renda média gira em torno de um salário e meio. “O cooperado gosta de trabalhar aqui e a gente considera que é uma família. Família que tem conflitos, mas que resolve e mexeu com um mexeu com todos.”
Sobre a troca de conhecimento entre as mulheres, Nair afirma que é “uma construção” A maioria mora em bairros próximos e se encontra diariamente. “A gente tem café da manhã às nove horas, vinte minutos para tomar café. Geralmente as pessoas se socializam. E também no horário de almoço, que é uma hora. Então a gente tem sempre esses momentos.” No dia a dia, a colaboração é constante. “Vai levantar um fardo, o homem se tiver dificuldade e precisar de uma mulher ir lá dar uma mãozinha, ela vai dar.” E há igualdade de remuneração por função. “O caminhão tem um rateio para receber. Se ela for para o caminhão, ela vai receber o mesmo rateio dele.”
Os principais gargalos, segundo Nair, são a capacitação e a verticalização dos produtos. “Eu bato muito na questão de capacitação, porque com essa tecnologia moderna que está surgindo, a gente precisa se capacitar, se preparar para quando chegar a tecnologia, a gente saber dominar.” A cooperativa conseguiu uma máquina de derreter isopor, o que permite dar destino correto a um material que ninguém recolhe. “A nossa dificuldade está sendo no comprador do isopor. A gente precisa descobrir mais pessoas que comprem o isopor derretido.”
Além disso, a COOPREC também instalou placas solares em 2021 e, com apoio do Sistema OCB, desenvolveu um plano de negócio e estratégico. “Eu gosto muito de estar ligada ao OCB. Eu sempre falo: eu trabalho mais segura, com certeza que eu estou dentro da lei.”
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Catarina: do convite inesperado à presidência da Cooperbana
Em Anápolis, Catarina Alves Brandão Naghettini, de 43 anos, construiu uma trajetória que começou em 2016, com a fundação da Cooperbana, a Cooperativa dos Bancários e Ex-Bancários de Anápolis. O convite veio do presidente do Sindicato dos Bancários de Anápolis, Odilar Maciel Barreto Filho. “A ele, deixo meu agradecimento especial pela confiança, pelo convite e por me apresentar ao universo do cooperativismo”, afirma.
“Confesso que, até então, não conhecia praticamente nada sobre esse movimento, mas o que começou como um convite se transformou em uma grande paixão e em uma trajetória de muito aprendizado, descobertas e realizações”, disse.

A Cooperbana nasceu com o propósito de beneficiar a classe bancária, oferecendo descontos, vantagens e benefícios que contribuam para a qualidade de vida dos cooperados. Catarina iniciou como diretora de Comunicação e Pesquisa, função que lhe permitiu conhecer os princípios cooperativistas e compreender a importância da união e do trabalho coletivo. “Aos poucos, fui me encantando com esse movimento tão especial, que coloca as pessoas no centro e demonstra que, juntos, podemos construir muito mais.”
Em 2020, foi eleita presidente, função que exerce até hoje. “Com muito orgulho, dedicação e gratidão.” Em 2023, recebeu um novo convite que ampliou sua vivência no cooperativismo: integrar o Conselho Fiscal da OCB/GO, onde atualmente é Conselheira Fiscal Suplente. “Uma experiência que me proporciona conhecer ainda mais de perto a força, a diversidade e a importância do movimento cooperativista.”
Catarina enxerga sua trajetória como um processo contínuo de crescimento. “Quando olho para essa caminhada, vejo o quanto cresci e aprendi desde aquele primeiro convite, em 2016. O cooperativismo passou a fazer parte da minha vida de uma maneira muito significativa. Mais do que ocupar funções, participar desse movimento é uma oportunidade de compartilhar conhecimentos, construir relações, contribuir com responsabilidade e descobrir, a cada dia, novas possibilidades.”
Ela destaca o orgulho que sente da história construída na Cooperbana e de tudo o que a experiência lhe proporcionou. “Continuo motivada a aprender, participar e conhecer cada vez mais esse universo, acreditando que o cooperativismo se fortalece quando cada pessoa compreende seu papel e se compromete com o coletivo.”
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Uma rede que sustenta a subsistência
Às historias contadas ilustram como o cooperativismo goiano é uma engrenagem de desenvolvimento que, quando liderada por mulheres, revela uma capacidade singular de transformar realidades. Como resume Zenaide: “Eu assumi a cooperativa para que o agricultor possa crescer. E com o crescimento do agricultor, a cooperativa cresceu junto.”
O avanço dos números (768 mulheres em cargos de gestão, 60 cooperativas presididas por mulheres, 73% de participação feminina na liderança do ramo de trabalho e produção) mostra que essa engrenagem está cada vez mais nas mãos de quem historicamente precisou lutar duas vezes mais para ocupar espaço. Mas ainda há muito a avançar, mas o caminho já está pavimentado por quem, como Nair, aprendeu que “a mulher faz tudo aqui” e, como Ana Claudia, acredita que “a gente precisa acreditar que nós somos capazes de também de estar aqui”.
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