MP denuncia seis pessoas por tortura e sequestro de internos em clínica psiquiátrica

Envolvidos dopavam, afogavam, agrediam e impediam dependentes químicos e alcoólatras de deixarem o local. Crimes começaram em 2016

O promotor Mozart Brum Silva denunciou seis pessoas ligadas ao Centro Psicoterapêutico Recomeçar, oficialmente uma clínica para dependentes químicos e alcoólatras. Segundo ele, estas pessoas praticavam, na verdade, o crime de associação criminosa, sequestro, tráfico e tortura.

As investigações revelaram que, em junho de 2016, Bruno Volpato Dutra, Aparecida do Rosário Dutra e Raphael Gonçalves Silva se associaram para simular a prestação de serviços especializados psiquiátricos, mas, no local, sequestravam e torturavam os internos. Aparecida e Bruno, que são avó e neto, alugaram uma chácara e deixaram Raphael responsável pela coordenação das atividades ilícitas.

Eles anunciavam seu serviço em redes sociais e entregavam cartões, o que acabou atraindo os familiares de 18 vítimas, que pagavam mensalmente pelo acompanhamento de profissionais. Na chácara, os maus-tratos e a tortura eram praticados por Bruno e Raphael, em conjunto com os internos Fabrício da Sila e Danilo Francisco da Silva e o “monito” Maykon Volpato.

Os pacientes eram mantidos sob restrita vigilância, impedidos de deixar o local e de ter contato com outras pessoas de fora da clínica. Eles também eram afogados, agredidos, enforcados, obrigados a cavar buracos sob sol intenso e privados de água. Além disso, eram constantemente dopados e mantidos sob influência de psicotrópicos para não fugirem.

Em alguns casos, eles chegaram a levar as vítimas à força, indo até a casa delas. Foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, sequestro e tortura Buno, Raphael, Fabrício, Danilo e Maykon, enquanto Aparecida foi denunciada por associação criminosa.

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