Mourão debocha da possibilidade de investigar torturas: “Vai trazer os caras do túmulo de volta?”

De acordo com a Human Rights Watch, cerca de 20 mil pessoas foram torturadas nesse período. Relatório da Comissão da Verdade aponta que 191 pessoas foram assassinadas e continuam 243 desaparecidas

Hamilton Mourão é vice-presidente do Brasil e pré-candidato ao Senado | Foto: Reprodução

Depois da divulgação de áudios inéditos que comprovam torturas realizadas entre os anos de 1964 e 1985, período em que o Brasil estava sob regime militar, e do presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, Humberto Costa (PT-PE), ter decidido apurar as gravações, o vice-presidente da república e pré-candidato ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul, Hamilton Mourão, ironizou a possibilidade de investigação dos crimes cometidos por militares durante a ditadura. “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”, diz, em meio a sorrisos.

Cerca de 20 mil pessoas foram torturadas no Brasil durante a ditadura militar, de acordo com a Human Rights Watch. Além desses, relatório da Comissão da Verdade aponta que 191 cidadãos foram assassinados, 243 desaparecidos e 230 locais de violações de direitos humanos. No entanto, a Lei da Anistia, sancionada pelo então presidente João Baptista Figueiredo, o último ditador à frente do país, perdoou os crimes de motivação política cometidos no período militar. Para Mourão, que também é general da reserva do Exército, houve excessos de “parte a parte”, em referência à repressão do Estado e aos movimentos de esquerda, e o assunto faz parte do passado. “História, isso já passou, né? A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura do Getúlio. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente. Passado, faz parte da história do país”, minimiza.

Os crimes cometidos durante a ditadura brasileira voltaram à tona depois que se tornaram públicas gravações do Superior Tribunal Militar (STM). Os relatos de tortura, que somam mais de 10 mil horas, foram obtidos, após autorização do Supremo Tribunal Federal, e analisados pelo historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Fico. Entre os casos registrados está o de uma gestante, grávida de três meses, que sofreu aborto depois de receber choques elétricos na genitália. Há também narrações sobre obtenção de confissão por meio de marteladas em suspeitos que estavam presos à época.

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