Morte de mulheres em ambiente doméstico cresce mais que em locais externos

Goiás registrou, segundo o Atlas da Violência, 7,6 mortes de mulheres por 100 mil habitantes; média nacional é 5,3

O número de mulheres assassinadas dentro de casa, no Brasil, de 2007 a 2017, aumentou mais do que fora do lar e o principal método foi a arma de fogo. A taxa, segundo o relatório Atlas da Violência, indica crescimento de 30% desses crimes em ambiente doméstico com disparos de artefato bélico – em local externo, o número foi elevado em 17,5%.

Assinado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o relatório, com dez anos de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, foi divulgado nesta quarta-feira, 5. Goiás, se considerado somente o ano de 2017 [e homicídios femininos de modo geral], apresenta 7,6 mortes de mulheres por 100 mil habitantes – valor menor, apenas, que Roraima (10,6), Acre e Rio Grande do Norte (8,3) e Ceará (8,1).

Vale destacar que a média nacional é 5,3 assassinatos de mulheres por 100 mil habitantes, em 2017. Apesar dos pesquisadores do Atlas atentarem sobre a ausência de registros de feminicídios, já que a lei que tipifica este agravante é de 2015, indicadores internacionais apontam que a maior parte de mortes violentas intencionais em ambientes domésticos se enquadram nesse tipo penal.

Flexibilização da posse de arma

Além de aumentar nos lares, o Atlas indica aumento de homicídios femininos e 20,7%, a nível nacional. Em 2017, foram 13 mulheres mortas por dia. Em números, são 4.936 mais vítimas que em 2007, início da série.

Outro ponto é o aumento de mortes de mulheres por raça. Segundo o relatório, mulheres que não se declaram negras morreram 1,7% a mais de 2007 a 2017. Já aquelas que se declaram negras tiveram aumento nos homicídios de 29,9% a cada 100 mil habitantes. Em 2017, 66% das mulheres assassinadas no País foram negras.

O relatório não cita de forma direta o decreto presidencial que flexibilizou a posse de armas. Porém, em dado momento este observa que, com a possibilidade de mais cidadãos terem estes equipamentos em casa, a tendência é “vulnerabilizar ainda mais a vida de mulheres em situação de violência”.

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