Moro rebate pontos da matéria da Veja e diz que faltou checagem cuidadosa da imprensa

Segundo ministro da Justiça não houve direito de resposta dos envolvidos; para ele, divulgação foi “distorcida e sensacionalista”

O ministro da Justiça, Sergio Moro, que ganhou mais um destaque nesta sexta, 5, por desdobramentos das conversas pelo The Intercept, desta vez em matéria publicada em parceria com a Veja, usou o Twitter para divulgar uma nota à imprensa. “Abaixo nota sobre mais um falso escândalo baseado em supostas mensagens obtidas por meios criminosos”, escreveu.

No texto publicado no site do ministério da Justiça, o ministro enumera uma série de pontos acerca da reportagem da Veja, mas antes, mais uma vez, diz que “não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos e que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente”.

E, ainda, que lamenta que “a Revista Veja se recusou a encaminhar cópia das mensagens antes da publicação e tenha condicionado a apresentação das supostas mensagens à concessão de uma entrevista, o que é impróprio”.

Esclarecimentos

Ponto a ponto, o ministro aborda os temas expostos pela revista, que teria analisado 649.551 mensagens para compor a reportagem, que será publicada de forma impressa, na edição do próximo dia 10.

Sobre a acusação do então juiz de quebra de imparcialidade por suposta mensagem que solicitava manifestação urgente do Ministério Público para decidir sobre pedido de revogação de prisão preventiva de José Carlos Bumlai, foi dito que “a prisão preventiva de José Carlos Bumlai foi decretada em 19 de novembro de 2015. Houve pedido de revogação da prisão ao final do mês de dezembro. O recesso Judiciário inicia em 19 de dezembro. Então, a manifestação do Ministério Público era necessária, como é em pedidos da espécie, para decidir o pedido da defesa”.

Conforme publicado, “a urgência decorre da natureza de pedido da espécie e, no caso em particular, pela proximidade do recesso Judiciário que se iniciaria em 19 de dezembro. Então, a solicitação de urgência, se autêntica a mensagem, teria sido feita em benefício do acusado e não o contrário”.

Segundo e terceiro pontos

Já sobre suposta mensagem de terceiros sobre pedido de inclusão de fato e prova em denúncia do MPF contra Zwi Skornicki e Eduardo Musa na ação penal 5013405-59.2016.4.04.7000, o ministro disse não ter como confirmar ou responder pelo conteúdo.

Em relação a esconder fatos do ministro Teori Zavascki em informações prestadas na Reclamação 21802 do Supremo Tribunal Federal e impetrado por Flávio David Barra, Moro pontua que, na época, prestou informações ao Supremo Tribunal Federal em 17 de setembro de 2015, “tendo afirmado que naquela data não dispunha de qualquer informação sobre o registro de pagamentos a autoridades com foro privilegiado. Tal afirmação é verdadeira”.

Também é dito sobre esse, que o ex-juiz teria mentido pela suposta planinha que consta em supostas mensagens de terceiros. “Não há qualquer elemento que ateste a autenticidade das supostas mensagens ou no sentido de que o então juiz tivesse conhecimento da referida planilha mais de 30 dias antes”.

Continuação

Acerca de possíveis obstáculos ao acordo de delação do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB), foi publicado que, “ocorre que eventual colaboração de Eduardo Cunha, por envolver supostos pagamentos a autoridades de foro privilegiado, jamais tramitou na 13ª Vara de Curitiba ou esteve sob a responsabilidade do ministro, então juiz”.

Já sobre o hoje ministro da Justiça ter comandado a Operação Lava Jato por interferência, ele esclarece que, “quando se discutem datas de operações, trata-se do cumprimento de decisões judiciais já tomadas, sendo necessário que, em grandes investigações, como a Lava Jato, haja planejamento para sua execução, evitando, por exemplo, a sua realização próxima ou no recesso Judiciário”.

Ao fim, Moro repudia o que ele classifica como divulgação “distorcida e sensacionalista” de mensagens obtidas por meios ilícitos. Estas, segundo ele, que podem, ainda, ter sido adulteradas. Para o ministro, não houve direito de resposta dos envolvidos e nem checagem jornalística cuidadosa dos fatos documentados.

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