Monitora denuncia racismo de aluno de 11 anos e acusa colégio particular de omissão no DF
31 julho 2026 às 11h25

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Uma monitora do Colégio Marista João Paulo II, localizado na Asa Norte em Brasília, denunciou que vem sofrendo ataques racistas por parte de um aluno de 11 anos. O caso mais recente aconteceu na última sexta-feira, 24, por volta das 11h da manhã, dentro da sala de aula e diante de toda a turma. Segundo o relato divulgado por uma emissora local, a funcionária procurou a instituição em busca de apoio, mas não obteve a assistência esperada.
Em nota, a instituição de ensino afirmou que “repudia veementemente qualquer tipo de atitude discriminatória” e garantiu que já iniciou os procedimentos previstos no regimento escolar. Veja a nota completa no fim da matéria.
Priscila Mikaelen, de 32 anos, relatou que o episódio ocorreu enquanto auxiliava os estudantes em sua mesa. “Estava tirando dúvidas dos estudantes na minha mesa e, ao pedir para se sentarem, ele reagiu mal ao meu pedido e já veio com ofensas de cunho racial, contra a minha pessoa, me mostrando gestos. Me chamou de ‘escravizada’, ‘vadia escravizada’, ‘preta escravizada'”, contou a monitora.
Essa não foi a primeira agressão verbal praticada pelo aluno contra a profissional. “Esse foi o ápice de tudo o que ele já tem feito ao longo do ano. Ele já tinha me atacado outras vezes, mas não frente a frente. Ele saia falando, tanto pelo Whatsapp quanto em grupos de alunos no canto da sala, na hora do recreio”, complementou Priscila, que ficou paralisada diante das ofensas. “Minha única reação foi pedir para ele descer para a coordenação”, completou.

Contudo, o aluno não sofreu qualquer punição e foi apenas removido da sala da monitora. Após seis dias de espera por um posicionamento da escola, Priscila decidiu registrar o boletim de ocorrência na última quinta-feira, 30. “Muitas pessoas são testemunhas do comportamento tanto da mãe quanto do estudante”, declarou. A profissional, que cursa o sexto semestre de Pedagogia na Universidade de Brasília (UnB) e é a primeira de sua família a ingressar em uma universidade federal, refletiu sobre a situação juntamente com sua família antes de tomar essa atitude.
Eu sou uma pessoa que busco pelos meus direitos. Acho que a gente não pode esperar pela mudança, precisamos fazer ela acontecer. Minha atitude foi pelon fato da instituição educacional não fazer nada contra um crime que, ao mesmo tempo, é grave e doloroso para a pessoa negra. Eu achei que eu tinha que tomar uma atitude, explicou.
Priscila já retornou ao trabalho no colégio e agora cobra o básico: justiça. “Acho que o meu relato pode fortalecer para que outras pessoas busquem também justiça. Para que outras pessoas sejam ouvidas. O que eu busco mesmo é justiça”, finalizou. O caso foi registrado em uma Delegacia da Criança e do Adolescente, e as investigações seguem em andamento.
Confira a nota completa do Colégio Marista João Paulo II:
“O Colégio informa que tomou conhecimento, na última sexta-feira (24/7), do fato envolvendo um estudante e uma colaboradora da unidade. A instituição repudia veementemente qualquer tipo de atitude discriminatória, incompatível com os valores e com o compromisso de promover um ambiente seguro e respeitoso para toda a comunidade escolar. Desde o primeiro momento, que recebeu a denúncia, a instituição iniciou os procedimentos previstos em seu regimento escolar e na política de proteção integral à criança e ao adolescente, prestando o suporte necessário aos envolvidos e resguardando os direitos de todas as partes durante a apuração.”
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