Crise em Ceuta se agrava: migrantes podem chegar a 60 mil e mortes na travessia aumentam
31 julho 2026 às 11h13

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A crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, se intensificou nesta sexta-feira (31), um dia após a entrada em massa de pessoas pela fronteira com o Marrocos. Autoridades locais estimam que entre 49 mil e 60 mil migrantes tenham cruzado para o território espanhol nas últimas 24 horas. O número é muito superior às primeiras estimativas divulgadas na quinta-feira (30), quando se calculava que entre 2 mil e 3 mil pessoas haviam feito a travessia.
O fluxo de marroquinos continuou durante a madrugada desta sexta-feira, com novos confrontos entre policiais e migrantes. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pessoas arremessando pedras na região da fronteira, enquanto milhares de jovens passaram a noite dormindo nas ruas de Ceuta. Segundo as autoridades, dos que cruzaram a fronteira, pelo menos 7 mil são menores de idade.
O número de mortes também aumentou. Enquanto os primeiros balanços apontavam ao menos 18 vítimas, as autoridades de Ceuta informaram que 34 pessoas morreram tentando atravessar a rota marítima, considerada uma das mais perigosas para quem tenta chegar à Europa.
Diante da pressão sobre a cidade, o Ministério do Interior da Espanha informou que cerca de 25 mil migrantes já retornaram ao Marrocos. Segundo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, as autoridades espanholas passaram a orientar os imigrantes de que a fronteira permanece aberta para que aqueles que entraram irregularmente possam voltar voluntariamente.
Sánchez desembarcou em Ceuta nesta sexta-feira para acompanhar a operação de perto. O governo espanhol mantém militares na região e afirma atuar em conjunto com o Marrocos para conter novas travessias, enquanto o fluxo de pessoas em direção à cidade marroquina de Fnideq, ponto de partida para a fronteira, continua elevado.
A nova onda migratória ocorre poucas semanas após a Suprema Corte da Espanha decidir que migrantes interceptados no mar a caminho de Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos sumariamente ao Marrocos. A decisão é apontada por analistas como um dos fatores que podem ter incentivado o aumento das tentativas de entrada no território espanhol.
Veja vídeos com as cenas divulgado pelo Jornal El Mundo:
Enquanto a Espanha enfrenta uma nova pressão migratória após a entrada de milhares de marroquinos por Ceuta, na fronteira com o Marrocos, o país já convive há anos com tensões relacionadas à moradia. Um dos principais focos desse debate é a chamada “okupación”, termo usado para se referir à ocupação irregular de imóveis.
O tema ganhou força especialmente na Catalunha, onde a legislação passou a ampliar a oferta de aluguel social para famílias em situação de vulnerabilidade e dificultou despejos em alguns casos, alimentando discussões sobre o equilíbrio entre o direito à moradia e a proteção da propriedade privada.
Embora Barcelona fique a cerca de 900 quilômetros de Ceuta, os dois vídeos retratam diferentes faces da mesma crise enfrentada pela população espanhola: de um lado, a pressão migratória na fronteira; de outro, os desafios relacionados ao acesso à moradia e à ocupação de imóveis. Nas redes sociais, circulam vídeos que mostram essas duas realidades e ajudam a ilustrar o cenário atual no país. Veja um vídeo que mostra arames farpados nas janelas de Barcelona:
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