Ministro da Justiça antecipa operação da Lava Jato e causa polêmica

Alexandre de Moraes afirmou, no domingo, que a Polícia Federal deflagraria nova fase nesta semana e foi acusado de obter informações privilegiadas e usá-las politicamente

| Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Ministro disse que declaração foi uma “afirmação genérica” | Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, causou polêmica ao antecipar, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo neste domingo (25/9), que a Operação Lava Jato realizaria operação nesta semana. Na manhã de segunda-feira (26), a Polícia Federal deflagrou sua 35ª fase e prendeu o ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda, Antonio Palocci (PT).

Na entrevista, Alexandre garantiu que haveria uma nova fase nesta semana, o que acendeu o alerta de que ele estaria recebendo informações privilegiadas acerca das investigações. “Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, afirmou ele ao jornal.

Além da declaração, o fato de ele tê-la feito durante evento político em Ribeirão Preto (SP), reduto político de Palocci, também causou a suspeita de que ele já soubesse que o ex-ministro seria o alvo da nova operação.

Em comunicado oficial, o Ministério da Justiça minimizou as declarações, classificadas como “força de expressão”. Segundo a assessoria, sua fala se deu no sentido de apoiar a continuidade das investigações, já que elas ocorreram em “quase todas as semanas” e que seguirão sendo feitas.

O próprio Alexandre também se defendeu, reforçando a nota do ministério e dizendo que foi uma “afirmação genérica”. “Desde que eu assumi, há quase cinco meses, nós não tivemos uma semana sem grandes operações, porque são necessárias”, declarou ele. Sobre o procedimento de comunicação à pasta das operações, ele afirmou que o normal é que todas elas sejam comunicadas no início do dia.

Questionado ainda sobre a suspeita de que a nova operação, deflagrada uma semana antes das eleições, tenha tido como objetivo influenciar no resultado das urnas, Alexandre negou.  “Não é possível que você pare investigações que já estão em curso em virtude de eventos que ocorrem normalmente no Brasil. As eleições, de dois em dois anos, são eventos normais, democráticos, já institucionalizados. Se nós formos parar sempre, de dois em dois anos, as investigações, nunca se vai chegar a lugar nenhum.”

Apesar de o ministro e a pasta terem minimizado as declarações, o presidente Michel Temer (PMDB) teria ficado incomodado com Alexandre. Preocupado com as acusações de que seu governo controlaria as investigações, Temer estaria cobrando explicações pelos comentários.

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