Mentir no perfil do seguro pode cancelar indenização, alertam especialistas

Prática de apontar o condutor principal como alguém com perfil de menor risco para tentar escapar de preços altos configura quebra de contrato

“Perfil não foi feito para negar seguro, mas sim para dar um preço justo”, afirma Amaury Cunha | Foto: Frederico Vitor/Jornal Opção

É de conhecimento geral que seguros custam mais para um certo perfil de clientes: jovens solteiros do sexo masculino entre 18 e 25 anos que moram em grandes cidades, por exemplo, têm que desembolsar um valor maior que senhoras casadas e que têm 40 anos para garantir cobertura caso algo ocorra com seu carro.

Fatores como idade, estado civil, filhos, local de trabalho e de moradia e até o perfil do uso do carro influenciam diretamente no preço cobrado pelas seguradoras e, por isso, perguntas sobre essas questões são recorrentes no momento da contratação. Esse cálculo é feito, claro, com base em estatísticas dos números de acidentes registrados para aqueles grupos.

Para conseguir um preço melhor, no entanto, muitos acabam optando por registrar a apólice no nome de alguém cujo perfil se adeque às tarifas mais baratas. É o caso de pais que, ao presentearem os filhos com um carro e, sabendo dos preços mais altos para jovens de 18 a 25 anos – os maiores envolvidos em acidentes -, se colocam como condutor principal.

Só que mentir na hora de responder os questionamentos da seguradora, alertam profissionais da área, pode acabar acarretando a perda da indenização. Isso porque, caso perceba que o condutor principal do veículo não é aquele indicado na apólice, a empresa pode, por contrato, cancelar a cobertura.

Segundo Deivid Pereira, do Sincor, casos mais comuns são de pais que, fugindo do seguro mais caro para jovens, dizem que são eles os condutores dos carros dos filhos | Foto: Divulgação

“É o barato que sai caro, não tem jeito”, afirma o vice-presidente de Marketing e Relações com Mercado do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de Goiás (Sincor-GO), Amaury Gonçalves. “Os próprios corretores orientam os clientes na hora da contratação para evitar casos assim, mas acontece. Se a seguradora comprovar que houve má fé, pode até cancelar a indenização”, complementa o vice-presidente de Social e Benefícios do Sincor, Deivid Pereira.

Segundo Deivid, as companhias têm padrões diferentes para cuidar desses casos e pode ser que cheguem a um acordo com o cliente, mas o mais comum é a negativa do serviço quando há identificação de fraudes. “A primeira coisa que a companhia vai averiguar é se era um condutor ocasional. Se a pessoa saiu e um amigo estava dirigindo porque ela bebeu, não é problema”, explica.

A fraude ocorre quando esse terceiro é, na verdade, o principal condutor – quem dirige o veículo cinco dias por semana ou em 85% do tempo. Na maioria dos casos, o problema envolve jovens. “Se você tem um condutor de 18 a 25 anos na família, negou, ele pegou o carro e sofreu um acidente, a companhia não paga a indenização”, pontua Amaury.

CEP

Outra questão importante na hora de determinar o preço do seguro é o CEP da residência do segurado, já que algumas regiões são mais violentas que outras. “As seguradoras se baseiam em estatísticas de regiões onde ocorrem mais roubos e pode haver diferença até entre ruas”, conta Deivid. Mentir nessa parte do contrato também gera perda de indenização.

“A seguradora mapeia a cidade pelos índices de criminalidade. Tem bairros de Goiânia que dá diferença de R$ 400, por exemplo. A seguradora tem que ter como mitigar o custo da região”, complementa Amaury. Quem utiliza o carro para trabalhar também tem que informar isso à seguradora, porque o perfil de uso do veículo é outro fator importante.

Além de causar prejuízos para o próprio segurado, os custos com as fraudes já fazem parte das planilhas de cálculos das companhias. “Indiretamente, a fraude acaba aumentando o preço do seguro. Se teve mais sinistro do que a seguradora está esperando, a estatística fura”, afirma Deivid.

Amaury esclarece: “Perfil não foi feito para negar seguro, mas sim para dar um preço justo. Não justifica um condutor que mora no interior, por exemplo, pagar a mesma taxa de quem mora na capital, onde os índices de criminalidade são maiores.”

Fatores que influenciam na contratação do seguro:

Idade Jovens de 18 a 25 são os maiores envolvidos em acidentes e, por isso, o seguro custa mais
Gênero Homens tendem a ser mais confiantes no volante e, com isso, se expõem mais a riscos. Além disso, costumam correr mais. Consequentemente, os sinistros costumam ser mais graves
CEP As estatísticas de criminalidade influenciam diretamente na hora de calcular o preço do seguro e quem mora em áreas consideradas mais violentas tem que desembolsar mais
Estado Civil Casais costumam ter uma rotina mais definida e que envolve menos saídas noturnas. Por consequência, o seguro para elas é mais barato
Filhos O principal ponto para as seguradoras é saber se há alguém na faixa dos 18 a 25 na família. Ter crianças configura o mesmo caso de pessoas casadas: a vida tem uma rotina mais definida e de menor risco
Uso do carro Quem usa o carro especificamente para trabalhar, como representantes comerciais, está mais exposto a riscos que aquele que só utiliza o veículo para deslocar-se entre casa e trabalho

 

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Maria Luiza

Minha filha bateu o carro ela tem 29 anos ,o meu marido é o condutor principal do veículo , deu investigação , na verdade o principal condutor sou eu e minha filha , eles recusaram o pagamento do sinistro contra terceiro , tá certo isso