Menos de 3% dos currículos no Brasil citam experiência com inteligência artificial
19 agosto 2026 às 12h38

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A inteligência artificial já está presente na rotina de empresas e profissionais de diferentes áreas, mas ainda aparece pouco nos currículos de quem busca uma oportunidade no mercado de trabalho. É o que aponta um levantamento realizado pelo Hubble, plataforma de people intelligence para recrutamento e seleção do Grupo Hub.
A pesquisa analisou 41.488 currículos de profissionais no Brasil que tinham data de nascimento válida. Do total, apenas 972 documentos, ou 2,34%, mencionavam inteligência artificial entre as competências ou experiências profissionais.
O levantamento também identificou uma diferença significativa entre as gerações. A geração Z, formada por profissionais nascidos entre 1997 e 2012, apresentou a maior proporção de currículos com referências à inteligência artificial.
Entre os 7.414 currículos analisados desse grupo, 5,14% mencionavam a tecnologia. O percentual cai para 1,88% entre os millennials, nascidos entre 1981 e 1996, e para 1,37% entre profissionais da geração X, que nasceram entre 1965 e 1980.
Entre os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, apenas 0,66% dos currículos faziam referência à inteligência artificial.
Segundo o Grupo Hub, a diferença pode estar relacionada ao momento em que cada geração ingressou no mercado de trabalho. Os profissionais mais jovens começaram a construir suas carreiras em um período no qual ferramentas de inteligência artificial passaram a ganhar espaço nas empresas e nas atividades profissionais.
Mesmo entre os integrantes da geração Z, porém, a tecnologia ainda aparece em uma parcela pequena dos currículos.
“Ainda assim, mesmo entre esse grupo, apenas cerca de 5% dos currículos fazem referência à IA”, afirmou Victor Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub e CEO do Hubble.
Por que a IA ainda aparece pouco nos currículos?
De acordo com Fazzio, uma das explicações é que muitos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial no trabalho, mas não consideram esse uso uma competência que precisa ser destacada no currículo.
Outro fator seria a dificuldade de transformar a utilização cotidiana dessas ferramentas em uma habilidade profissional descrita de forma objetiva.
A própria característica da inteligência artificial também pode contribuir para o baixo número de menções. Como a tecnologia pode ser aplicada em diferentes profissões e atividades, ela muitas vezes é encarada como uma ferramenta de apoio, e não como uma competência específica.
“O mercado ainda está construindo uma linguagem para reconhecer e comunicar esse conhecimento”, afirmou o executivo.
Não basta colocar ‘ChatGPT’ no currículo
O levantamento também chama atenção para a forma como os candidatos apresentam seus conhecimentos em inteligência artificial.
Com a popularização de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude, simplesmente colocar o nome de uma plataforma no currículo pode não ser suficiente para demonstrar o nível de conhecimento do profissional.
A recomendação é explicar como a ferramenta é utilizada, em quais atividades ela é aplicada e quais resultados são obtidos a partir desse uso.
Dois candidatos podem, por exemplo, informar que utilizam o ChatGPT, mas apresentar níveis completamente diferentes de domínio da tecnologia.
Para o Grupo Hub, o que tende a ganhar importância nos processos seletivos é justamente a capacidade de transformar a ferramenta em resultado profissional.
Nesse sentido, um currículo pode ser mais informativo ao explicar que o candidato utiliza inteligência artificial para automatizar tarefas, analisar dados, produzir relatórios, revisar documentos, desenvolver estratégias ou melhorar processos, em vez de apenas listar o nome de uma ferramenta.
“A simples menção à ferramenta não mostra como aquele profissional a utiliza no trabalho, em quais atividades consegue aplicá-la ou que resultados obtém com esse uso”, explicou Fazzio.
IA começa a virar competência profissional
Os dados indicam que, embora a inteligência artificial esteja avançando rapidamente dentro das empresas, a adaptação dos currículos ainda ocorre em ritmo mais lento.
A diferença entre as gerações também mostra que profissionais que ingressaram mais recentemente no mercado estão mais propensos a apresentar conhecimentos relacionados à tecnologia.
Ainda assim, a pesquisa aponta que existe espaço para que os candidatos passem a detalhar melhor essas habilidades. Em vez de apenas afirmar que conhecem determinada ferramenta, a tendência é que os profissionais precisem demonstrar o que conseguem fazer com a tecnologia e qual impacto ela produz em seu trabalho.
Para quem está em busca de emprego, portanto, a questão não parece ser apenas incluir “inteligência artificial” no currículo, mas demonstrar de forma concreta como esse conhecimento é aplicado à profissão.
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