Mendonça homologa delação de empresário que diz ter repassado dinheiro de Vorcaro para Dark Horse, filme sobre Bolsonaro
09 setembro 2026 às 16h58

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O acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, foi homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 9. O empresário é citado nas investigações sobre a movimentação de recursos relacionados ao filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A colaboração foi negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e posteriormente submetida ao STF. Antes da decisão, Freixo Júnior compareceu ao gabinete de Mendonça na terça-feira, 8, para uma audiência destinada a verificar as condições em que o acordo foi firmado. Na ocasião, confirmou ter decidido colaborar voluntariamente.
De acordo com informações divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Mineiro é proprietário da Entre Investimentos, empresa que teria sido utilizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em operações envolvendo recursos destinados à produção cinematográfica.
Relato de entregas em dinheiro
Na colaboração, Freixo Júnior declarou que fazia entregas de valores em espécie a destinatários indicados por Vorcaro. O empresário também afirmou ter gravado algumas dessas operações e colocado os registros à disposição dos investigadores.
Um dos episódios narrados envolve um ex-integrante do primeiro escalão do governo Jair Bolsonaro. Segundo o relato do colaborador, o ex-ministro teria recebido dinheiro transportado em malas. O nome do suposto destinatário não foi revelado.
As afirmações fazem parte do conteúdo apresentado pelo delator e, por si só, não representam comprovação das possíveis irregularidades. Caberá aos investigadores buscar elementos independentes que confirmem ou descartem os relatos.
Filme sobre Bolsonaro
Outra frente mencionada na colaboração envolve Dark Horse. Freixo Júnior afirmou ter participado da movimentação dos recursos que Vorcaro teria destinado ao projeto. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, a negociação do patrocínio envolveu o banqueiro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Apesar de reconhecer a participação nas operações financeiras, Mineiro declarou não saber qual foi a destinação final do dinheiro movimentado a pedido de Vorcaro.
No caso dos valores associados ao filme, os recursos teriam sido enviados para um fundo localizado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado brasileiro Paulo Calixto, descrito pela publicação como aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Com a homologação, o acordo passa a ter validade jurídica. A decisão de Mendonça, entretanto, não confirma a veracidade das declarações prestadas pelo empresário. O conteúdo da colaboração ainda deverá ser apurado e confrontado com documentos, registros e outros elementos reunidos durante a investigação.
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