Marçal promete “tocar o terror” no STF e Eduardo Bolsonaro é cotado para o Itamaraty em eventual governo Flávio
07 outubro 2026 às 16h50

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O empresário e influenciador Pablo Marçal colocou o próprio nome à disposição de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que aceitaria até uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso o senador vença a eleição presidencial. Durante participação no programa BNTV Brasil, no domingo, 4, Marçal citou sua formação em Direito e disse que, se chegasse à Corte, iria “tocar o terror”.
“O que o Flávio falar, eu estou na guerra. Se o Flávio quiser me pôr de ministro do STF, eu também tenho o meu diploma de Direito, eu vou tocar o terror lá no STF”, disse.
A fala ocorre dias depois de Flávio Bolsonaro convidar Marçal para participar de um eventual governo. Em 29 de setembro, o senador afirmou que o empresário poderia atuar em áreas relacionadas a empreendedorismo e mobilidade social e disse que os dois estavam “unindo forças” em uma coalizão. A aproximação foi confirmada pela assessoria de Flávio ao SBT News.
Na mesma participação, Marçal ampliou a disposição para ocupar diferentes funções caso Flávio seja eleito. Ao mencionar a possibilidade de comandar uma estrutura que chamou de “Superinteligência”, afirmou: “Se ele quiser me colocar para ser o ministro da ‘Superinteligência’, se quiser me colocar para qualquer coisa eu estou dentro”.
A eventual indicação para o STF, porém, não depende apenas da escolha do presidente. O nome precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e ser aprovado pelo plenário da Casa. A Constituição estabelece ainda que os ministros do Supremo devem ser brasileiros natos, ter entre 35 e 70 anos, além de notável saber jurídico e reputação ilibada. A graduação em Direito, portanto, não é, isoladamente, suficiente para uma indicação.
Marçal está fora da disputa presidencial após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar, em setembro, seu registro de candidatura pelo PRTB. A Corte também o declarou inelegível até 2032. A decisão ocorreu em processo relacionado à ausência de comprovação de filiação partidária dentro do prazo legal.
STF entra no centro das discussões
A declaração de Marçal ocorre em um momento em que o Supremo passou a ocupar espaço central nas discussões sobre um eventual governo de Flávio. Integrantes da campanha vêm falando sobre a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, defende mudanças na relação entre o Senado e o Judiciário.
Na terça-feira, 6, após reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, Marinho afirmou que o Senado não deve se omitir diante de eventuais crimes de responsabilidade atribuídos a ministros. Ao mesmo tempo, procurou negar a existência de uma estratégia de retaliação contra a Corte. A discussão ocorre em paralelo à possibilidade de Flávio indicar novos ministros para o Supremo durante um eventual mandato.
A jornalista Daniela Lima também informou que integrantes da campanha de Flávio tratam o impeachment de ministros do STF como um possível marco de uma futura gestão. A composição da Corte seria outro ponto de disputa, já que um eventual presidente eleito em 2026 poderá indicar até quatro ministros ao longo do mandato, dependendo das aposentadorias e demais vacâncias.
Eduardo Bolsonaro é cotado para o Itamaraty
As especulações sobre a composição de um eventual governo Flávio também chegaram à política externa. Eduardo Bolsonaro aparece entre os nomes discutidos por aliados para assumir o Ministério das Relações Exteriores ou, alternativamente, ocupar a Embaixada do Brasil em Washington.
A possibilidade ganhou força depois que Eduardo afirmou que pretende fazer uma “faxina” no Itamaraty caso o irmão seja eleito. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado disse ter identificado diplomatas que, segundo sua avaliação, teriam atuado contra o governo de Jair Bolsonaro e afirmou que estaria “na cola” deles. A declaração foi interpretada como indicativo de uma possível mudança na estrutura do ministério em um eventual governo do PL.
A escolha do futuro chanceler, entretanto, está longe de ser consensual dentro do grupo de Flávio. Uma ala da campanha defende uma condução mais técnica e pragmática da política externa e cita o economista Marcos Troyjo, que já comandou o Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco dos Brics, como uma das possibilidades. O grupo é associado a Rogério Marinho.
Do outro lado, Eduardo e seus aliados defendem uma mudança mais profunda na diplomacia brasileira, com uma política externa mais alinhada à direita internacional. Entre os nomes próximos a essa corrente está Marcos Degaut, que defende uma reforma na estrutura diplomática inspirada em medidas adotadas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Degaut afirma, contudo, que a proposta não representa perseguição política a diplomatas.
A eventual escolha de Eduardo também teria impacto sobre a relação do Brasil com Estados Unidos e China. O ex-deputado vive nos EUA desde 2025 e construiu relações com integrantes da direita norte-americana, além de ter atuado em campanhas por sanções contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ao mesmo tempo, sua atuação durante o governo de Jair Bolsonaro, especialmente nas críticas à China durante a pandemia, pode representar um fator de tensão nas relações com Pequim.
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