Manifestação de apoio ao Bolsonaro em Goiânia tem público heterogêneo e pautas múltiplas

Organização garante que fechamento do STF e do Congresso não está na pauta. “Somos democráticos”

Foto: Francisco Costa / Jornal Opção

Era por volta de 16h, quando a Polícia Militar (PM) informou ao Jornal Opção que a manifestação em apoio ao presidente Bolsonaro (PSL), em Goiânia, tinha público menor que 5 mil. Os organizadores no carro de som, no entanto, afirmavam que os presentes ultrapassavam os 7 mil.

A manifestação, que teve início oficial às 15h, mas que já reunia pessoas às 14h, seguiria da sede da superintendência da Polícia Federal (PF), próximo ao Parque Areião, para o parque Vaca Brava às 17h. Porém, pouco depois das 16h os organizadores já se ordenavam para ir – e pediam que as pessoas não fossem embora, pois o movimento ainda acontecia. De fato, alguns partiam, enquanto outros chegavam.

Manifestação de público heterogêneo, o evento contou com a presença de famílias e pessoas das mais diversas idades. E até cachorros – o som alto fez com que um pitbull (aparentemente era dessa raça) vomitasse e tivesse que ser carregado pelo seu dono para longe do barulho. As pautas principais eram: apoio ao presidente Bolsonaro, pressão para reforma da Previdência do Paulo Guedes, aprovação da Medida Provisória 870 (MP 870) no Senado e Projeto Anticrime do ministro Sérgio Moro, além da colocação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça.

Vale destacar, os gritos em apoio a Sérgio Moro eram tão frequentes quanto os para o presidente Jair Bolsonaro.

Ato

Todas as pessoas com quem o Jornal Opção conversou fizeram questão de deixar claro que o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso não era pauta. Apesar disso, os gritos de protesto contra a Corte maior do País e, especialmente, de “fora Centrão” eram constantes.

O clima em si não era hostil. A manifestação correu bem e não houve incidentes. Apesar disso, tiveram protestos contra a mídia, especialmente a rede Globo.

Este reportagem, no entanto, no começo dos trabalhos, chegou a ser cercada aos gritos de fake news, enquanto entrevistava uma manifestante – ao questioná-la sobre as pautas e se ela concordava com a minoria de indivíduos que, durante a semana [não ali e não naquele momento], falavam em fechamento do Congresso e do STF.  

Apesar do susto, o líder do movimento percebeu que havia sido um engano e pediu desculpas. Além disso, reiteradas vezes, depois do ocorrido, disse que a equipe poderia se sentir segura para trabalhar, pois era uma manifestação familiar.

Foto: Francisco Costa / Jornal Opção

Manifestantes

O representante comercial Claudizio da Mota, de 42 anos, esteve na manifestação para apoiar o presidente. “Vemos que o presidente tem vontade de fazer o que precisa ser feito, mas tem encontrado dificuldades”, afirma ele, que acredita que sem a reforma da Previdência, o País não poderá se desenvolver e gerar os empregos necessários.

Thalyta Barbosa tem 15 anos e disse que foi a manifestação para defender o presidente, que tem sido muito atacado. “E também para mostrar que o povo está com ele”. O comerciante Reinaldo costa, 43 anos, falou das pautas gerais e do apoio, mas, apesar de concordar com o não fechamento do STF e Congresso, reforçou que o País não tem andado por causa da Câmara e Senado. “Estão travando o governo e a nação não vai aceitar. Ninguém mais aguenta esse Congresso. Só querem aprovar pauta se tiver dinheiro”.

Questionado sobre como o povo mudar isso, ele diz que é através do voto. “Cumpriu o que prometeu, pode votar. Se não cumpriu, boicote ao político, seus amigos, famílias e indicados”.

Outras opiniões

Jéssica Cavalcante, estudante de 22 anos, veio para mostrar que a nação precisa de pessoas como Bolsonaro. “Pessoa de fibra, firme”. Para ela, não houve nenhum manifestante que pediu pelo fechamento do Congresso ou do STF. “Isso é mentira”.

Já o representante Leonardo Vieira, de 43 anos, pontuou que a reunião de pessoas naquele momento serviria para cobrar um posicionamento do Legislativo de Brasília. “Ao que tudo indica, há uma dificuldade muito grande na governabilidade para aprovação [da reforma da Previdência], como se fosse um jogo em que é preciso articular e negociar”.

Foto: Francisco Costa / Jornal Opção

Movimentos presentes

Participaram do evento a Direita Goiás, Movimento Unidos Pelo Brasil, União Direita Goiânia, Movimento Ordem e Progresso, Vem pra Rua, Movimento Brasil Conservador, além do movimento católico, Comunidade Luz da Vida. Este último, não quis gravar, mas membros disseram que apóiam a manifestação e Bolsonaro, por se identificaram a base do presidente no quesito “família”, a santa igreja, e não ao comunismo.

Jorge Chediak, um dos coordenadores do Movimento Brasil Conservador em Goiânia, advogado de 29 anos, declarou que o manifesto é um ato solene, uma vez que todo o poder emana do povo. Para o presidente, como chefe do Executivo, tem que apresentar os projetos de lei e reformas para que o Legislativo aprove ou não.

“A manifestação de hoje é para manter nos exatos termos a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) promovida pelo ministro Paulo Guedes. Para não haver nenhuma modificação por parte do Centrão, através dos demais deputados que estão interessados em achincalhar a nossa economia para tentar dar um golpe e pedir o impeachment do nosso presidente”, exclamou ele ao pontuar que protestos não servem só para “pressionar” o Executivo, mas também os demais poderes. “Qualquer vacilo nós vamos para a rua. Essa manifestação não é do Bolsonaro, é do povo”.

Organização

Júlio Barros, empresário de 42 anos, era um dos organizadores do evento. Ele confirmou cinco pautas na manifestação deste domingo, 26: Reforma da Previdência, Pacote Anticrime do Sérgio Moro, Coaf no Ministério da Justiça, aprovação da MP 870 no Senado e Repúdio ao Centrão.

O empresário, que no começo do evento disse que a meta era reunir 5 mil pessoas, próximo às 17h afirmou ao Jornal Opção que o evento teve público de 7 mil, conforme a PM de Goiás – diferente do que a própria polícia disse a este repórter. Sobre fechamento de Congresso e STF, ele afirma que essa pauta nunca existiu. “Nós somos democráticos”.

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