Mais três pessoas alegam ter sido vítimas da seita Essenium em Goiânia

Líder da instituição é acusado de estelionato e de abusar sexualmente de fiéis. Caso é investigado pela Polícia Civil

Ao menos mais três pessoas procuraram o 1º Departamento Policial da Polícia Civil de Goiás, em Goiânia, dizendo terem sido vítimas do líder da seita Essenium, Diego Morais, investigado por abuso sexual e estelionato.

Até agora, nove pessoas foram ouvidas, sendo seis como testemunhas e três como vítimas, e outras três vítimas prestarão depoimento na próxima semana, mas, segundo o delegado responsável pelo caso, Izaias Pinheiro, o número de vítimas pode ser bem maior, visto que a seita funcionava há aproximadamente dois anos.

“A maioria das vítimas são de estelionatos. A seita era um grupo reduzido de pessoas que se reuniam regularmente, mas como funcionou por cerca de dois anos, seria impreciso estimar um número de vítimas”, explicou o delegado ao Jornal Opção.

Os novos envolvidos devem ser ouvidos pela polícia na próxima semana, bem como o líder do grupo, Diego Morais, e seu namorado que, segundo a polícia, também estaria envolvido nos crimes. Novas oitivas serão marcadas e o delegado espera encerrar o inquérito ainda no começo do mês de abril.

A sede da seita, que fica no Setor Sul, foi periciada pela Polícia Técnico Científica e a Polícia Civil, e é aguardado o laudo para saber se há evidências dos abusos. Até agora, se sabe apenas que foi encontrada uma substância parecida com o “Boa Noite Cinderela” — droga muito utilizada em casos de crimes sexuais.

A Essenium é, segundo definição em sua página no Facebook, uma “instituição de conhecimento avançado e aplicado”, baseada em três primícias básicas: ciência, filosofia e tecnologia. Ela visa, conforme publicação na rede social, o “aprimoramento mental do homem, com técnicas modernas e devidamente construídas para este novo mundo”.

Denúncia

Com o intuito de reunir as denúncias contra Diego Morais, o jovem Willian Gil criou um site em que relata casos de abuso que ocorriam principalmente durante sessões da seita realizadas pela madrugada. À reportagem, ele conta que os assédios tiveram início em 2016 e as principais vítimas eram jovens entre 18 e 30 anos. “Ninguém falava sobre isso, até que um amigo meu me contou sobre o caso. Fui atrás e vi que tinha mais de 10 casos de abuso lá dentro”, explicou.

Conforme relatos, as pessoas eram hipnotizadas durante as sessões e os membros não teriam consciência do que ocorria. O fundador da seita convidava os jovens para “rituais de evolução espiritual” e, durante o processo, se aproveitava do momento em que eles estariam inconscientes para cometer os abusos.

“Ele afirma que quem tem relação sexual com ele pode evoluir. E há, dentro da seita, um grupo de dez pessoas que sabem do que ocorre e defendem Diego e essa teoria do ‘sêmen divino’. Tudo isso está gerando um mal estar muito grande, pois as pessoas não sabem se foram ou não vítimas dele, já que só depois que criei o site a informação se espalhou”, diz Willian.

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